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    Cooperativas educacionais: um modelo de negócios em que pais, alunos e professores são os protagonistas

    Por meio do cooperativismo, professores, pais e alunos conseguem construir instituições de ensino focadas em educação de qualidade, empreendedorismo coletivo e trabalho democrático. São as chamadas cooperativas educacionais, nas quais a união promove melhores condições de trabalho e de aprendizagem. As cooperativas educacionais buscam fomentar a formação de indivíduos com autonomia, mente empreendedora e princípios cooperativos. Conheça exemplos e entenda como esse modelo funciona na prática. Como funcionam as cooperativas educacionais? O cooperativismo educacional constitui um segmento estratégico do cooperativismo brasileiro, dedicado à oferta de ensino de qualidade aliado ao empreendedorismo coletivo e democrático. Sua natureza societária singular garante que o cooperado participe dos processos deliberativos e da construção das estratégias institucionais nas assembleias, assegurando transparência, corresponsabilidade e alinhamento às necessidades do quadro social. Nos aspectos regulatórios, as cooperativas educacionais são principalmente regidas tanto pela Constituição Federal, pela LDB 9394/96 (no caso das cooperativas que são mantenedoras de instituições de ensino), quanto pela Lei 5.764/71 e Lei 12690/12, que estabelecem e dispõem, respectivamente, a Política Nacional de Cooperativismo e organização e funcionamento das cooperativas de trabalho na forma de lei. Tipos de cooperativas educacionais e seus benefícios para alunos, pais e professores Há três segmentos de cooperativas educacionais. Suas características e particularidades dependem de quem forma o quadro social, podendo ser os professores, os pais ou integrar os próprios alunos em um ambiente cooperativista. 1. Cooperativas Educacionais Formadas por Professores – Ramo Trabalho, Produção de Bens e Serviços São alternativas de inserção qualificada no mercado formal de trabalho docente, promovendo melhor remuneração, autonomia profissional, valorização da prática pedagógica e distribuição de renda entre seus associados. Atuando na oferta de serviços educacionais, essas cooperativas estruturam, principalmente, soluções em: ensino de idiomas; consultoria especializada ao setor educacional; cursos preparatórios para o Enem e atividades para o contraturno; ensino superior; ensino formal dedicado à educação básica em escolas particulares. Com forte caráter empreendedor, buscam construir modelos sustentáveis e competitivos frente aos desafios contemporâneos do setor educacional. 2. Cooperativas Formadas por Pais e Responsáveis – Ramo Consumo Têm como finalidade manter e gerir instituições de ensino privadas, assegurando um ambiente escolar adequado para seus filhos ou prepostos, com reinvestimento integral dos recursos na própria instituição. Cada estudante é vinculado a um cooperado, responsável pela contribuição proporcional às despesas definidas coletivamente. A atuação pedagógica é realizada por equipes contratadas, preservando a função dos cooperados como mantenedores, e garantindo que o ensino seja implementado por profissionais habilitados e em conformidade com todas as determinações regulatórias em nível federal, estadual e municipal. 3. Cooperativas Formadas por Alunos de Escolas Técnicas (ETECs) – Ramo Agropecuário Instituídas como instrumentos metodológicos e de governança destas entidades formadoras, esse modelo permite aos estudantes vivenciar todas as etapas da atividade produtiva, desde a elaboração até a comercialização do excedente da produção com foco no retorno para manutenção da própria instituição de ensino. Os alunos gerenciam as atividades com apoio de professores e da comunidade escolar. A experiência gera competências técnicas, empreendedoras e cooperativistas, além de apoiar projetos pedagógicos. Cooperativas educacionais na prática Cooperativas educacionais já existem no Brasil e se consolidam como um modelo eficiente para o desenvolvimento de alunos e professores. Nelas, os estudantes participam de todas as etapas da atividade produtiva, ganhando práticas e vivências que ajudam na sua formação técnica e profissional. Além dessa iniciativa, algumas cooperativas educacionais já se destacam no mercado brasileiro por sua capacidade de oferecer uma aprendizagem de alta qualidade. Confira exemplos: Favoo Coop: uma faculdade que promove a intercooperação A Favoo é uma faculdade cooperativa localizada em Vilhena, no estado de Rondônia, que conta com projetos de intercooperação com a Sicoob Credisul e a Unimed Vilhena. Nesse cenário, a Favoo coloca o universitário como protagonista do processo de aprendizagem. Nela, os estudantes integram o conselho administrativo e fiscal da faculdade. Seu maior diferencial, portanto, está na gestão que, por meio da união dos alunos, foca na coletividade. As sobras obtidas são investidas em melhorias da própria organização e na capacitação do corpo docente e discente. Cooperconcordia: do fundamental ao profissionalizante Outro exemplo é a Cooperconcordia, cooperativa de trabalho formada por professores e instrutores especialistas em desenvolvimento humano e profissional. A cooperativa trabalha com as seguintes frentes: Colégio Concórdia, Aprendiz Cooperativo, Aprendiz 10, Capacita e Cooperativas Escolares. Seus serviços incluem desde a Educação Infantil até a capacitação profissional, abrangendo diferentes etapas educacionais e cursos. Coeducar: cooperativa educacional em Araraquara Constituída em 4 de março de 1993 por 301 cooperados, a Coeducar é uma cooperativa de ensino em Araraquara (SP) que trabalha com alunos da educação infantil até o ensino médio. Sua missão é “instituir e aplicar uma filosofia educacional que busque a renovação permanente e voltada para o desenvolvimento de uma consciência social, participativa, cooperativista, crítica e empreendedora”. Assim sendo, a meta dos associados é trabalhar na educação de crianças e adolescentes pensando no papel transformador que estes podem ocupar no futuro. Educação cooperativa incentiva o desenvolvimento cooperativo nos alunos Além de focar no protagonismo dos estudantes e dos professores no processo de aprendizagem, as cooperativas educacionais também se destacam por promover formação cooperativista para os alunos, moldando jovens para pensar e trabalhar com coletividade e autonomia. As grades são construídas para impulsionar um pensamento empreendedor, sem perder de vista os princípios e pilares cooperativos. Os alunos ganham um forte senso de comunidade e habilidades de trabalho em equipe. Jogar+aprender: uma iniciativa do Sistema OCB Mais um projeto que busca difundir os princípios cooperativos é o Jogar+Aprender, iniciativa do Sistema OCB para atingir o público infantojuvenil de forma digital, lúdica e acessível. O Jogar+Aprender foi criado para propagar o cooperativismo entre crianças e jovens com recursos pedagógicos, como games, cursos e vídeos. Pais e professores também podem ter acesso a materiais didáticos sobre educação cooperativista, cuidados no uso da internet, gestão do tempo de tela, bem-estar emocional, entre outros tópicos importantes na criação. Conclusão: cooperativismo democratiza e amplia a aprendizagem Impulsionar uma sociedade cooperativista começa na educação, formando profissionais e alunos que estudam e vivenciam uma gestão coletiva desde os primeiros anos de escola. Por meio do modelo de negócios cooperativo, pais, alunos e professores se tornam protagonistas do processo educativo, focando na qualidade do trabalho e do ensino. A união desses agentes fortalece a aprendizagem e apresenta impactos que vão além das salas de aula.
    Inteligência de Mercado 06/03/2026
    Cooperativas educacionais: um modelo de negócios em que pais, alunos e professores são os protagonistas

    Por meio do cooperativismo, professores, pais e alunos conseguem construir instituições de ensino focadas em educação de qualidade, empreendedorismo coletivo e trabalho democrático. São as chamadas cooperativas educacionais, nas quais a união promove melhores condições de trabalho e de aprendizagem. As cooperativas educacionais buscam fomentar a formação de indivíduos com autonomia, mente empreendedora e princípios cooperativos. Conheça exemplos e entenda como esse modelo funciona na prática. Como funcionam as cooperativas educacionais? O cooperativismo educacional constitui um segmento estratégico do cooperativismo brasileiro, dedicado à oferta de ensino de qualidade aliado ao empreendedorismo coletivo e democrático. Sua natureza societária singular garante que o cooperado participe dos processos deliberativos e da construção das estratégias institucionais nas assembleias, assegurando transparência, corresponsabilidade e alinhamento às necessidades do quadro social. Nos aspectos regulatórios, as cooperativas educacionais são principalmente regidas tanto pela Constituição Federal, pela LDB 9394/96 (no caso das cooperativas que são mantenedoras de instituições de ensino), quanto pela Lei 5.764/71 e Lei 12690/12, que estabelecem e dispõem, respectivamente, a Política Nacional de Cooperativismo e organização e funcionamento das cooperativas de trabalho na forma de lei. Tipos de cooperativas educacionais e seus benefícios para alunos, pais e professores Há três segmentos de cooperativas educacionais. Suas características e particularidades dependem de quem forma o quadro social, podendo ser os professores, os pais ou integrar os próprios alunos em um ambiente cooperativista. 1. Cooperativas Educacionais Formadas por Professores – Ramo Trabalho, Produção de Bens e Serviços São alternativas de inserção qualificada no mercado formal de trabalho docente, promovendo melhor remuneração, autonomia profissional, valorização da prática pedagógica e distribuição de renda entre seus associados. Atuando na oferta de serviços educacionais, essas cooperativas estruturam, principalmente, soluções em: ensino de idiomas; consultoria especializada ao setor educacional; cursos preparatórios para o Enem e atividades para o contraturno; ensino superior; ensino formal dedicado à educação básica em escolas particulares. Com forte caráter empreendedor, buscam construir modelos sustentáveis e competitivos frente aos desafios contemporâneos do setor educacional. 2. Cooperativas Formadas por Pais e Responsáveis – Ramo Consumo Têm como finalidade manter e gerir instituições de ensino privadas, assegurando um ambiente escolar adequado para seus filhos ou prepostos, com reinvestimento integral dos recursos na própria instituição. Cada estudante é vinculado a um cooperado, responsável pela contribuição proporcional às despesas definidas coletivamente. A atuação pedagógica é realizada por equipes contratadas, preservando a função dos cooperados como mantenedores, e garantindo que o ensino seja implementado por profissionais habilitados e em conformidade com todas as determinações regulatórias em nível federal, estadual e municipal. 3. Cooperativas Formadas por Alunos de Escolas Técnicas (ETECs) – Ramo Agropecuário Instituídas como instrumentos metodológicos e de governança destas entidades formadoras, esse modelo permite aos estudantes vivenciar todas as etapas da atividade produtiva, desde a elaboração até a comercialização do excedente da produção com foco no retorno para manutenção da própria instituição de ensino. Os alunos gerenciam as atividades com apoio de professores e da comunidade escolar. A experiência gera competências técnicas, empreendedoras e cooperativistas, além de apoiar projetos pedagógicos. Cooperativas educacionais na prática Cooperativas educacionais já existem no Brasil e se consolidam como um modelo eficiente para o desenvolvimento de alunos e professores. Nelas, os estudantes participam de todas as etapas da atividade produtiva, ganhando práticas e vivências que ajudam na sua formação técnica e profissional. Além dessa iniciativa, algumas cooperativas educacionais já se destacam no mercado brasileiro por sua capacidade de oferecer uma aprendizagem de alta qualidade. Confira exemplos: Favoo Coop: uma faculdade que promove a intercooperação A Favoo é uma faculdade cooperativa localizada em Vilhena, no estado de Rondônia, que conta com projetos de intercooperação com a Sicoob Credisul e a Unimed Vilhena. Nesse cenário, a Favoo coloca o universitário como protagonista do processo de aprendizagem. Nela, os estudantes integram o conselho administrativo e fiscal da faculdade. Seu maior diferencial, portanto, está na gestão que, por meio da união dos alunos, foca na coletividade. As sobras obtidas são investidas em melhorias da própria organização e na capacitação do corpo docente e discente. Cooperconcordia: do fundamental ao profissionalizante Outro exemplo é a Cooperconcordia, cooperativa de trabalho formada por professores e instrutores especialistas em desenvolvimento humano e profissional. A cooperativa trabalha com as seguintes frentes: Colégio Concórdia, Aprendiz Cooperativo, Aprendiz 10, Capacita e Cooperativas Escolares. Seus serviços incluem desde a Educação Infantil até a capacitação profissional, abrangendo diferentes etapas educacionais e cursos. Coeducar: cooperativa educacional em Araraquara Constituída em 4 de março de 1993 por 301 cooperados, a Coeducar é uma cooperativa de ensino em Araraquara (SP) que trabalha com alunos da educação infantil até o ensino médio. Sua missão é “instituir e aplicar uma filosofia educacional que busque a renovação permanente e voltada para o desenvolvimento de uma consciência social, participativa, cooperativista, crítica e empreendedora”. Assim sendo, a meta dos associados é trabalhar na educação de crianças e adolescentes pensando no papel transformador que estes podem ocupar no futuro. Educação cooperativa incentiva o desenvolvimento cooperativo nos alunos Além de focar no protagonismo dos estudantes e dos professores no processo de aprendizagem, as cooperativas educacionais também se destacam por promover formação cooperativista para os alunos, moldando jovens para pensar e trabalhar com coletividade e autonomia. As grades são construídas para impulsionar um pensamento empreendedor, sem perder de vista os princípios e pilares cooperativos. Os alunos ganham um forte senso de comunidade e habilidades de trabalho em equipe. Jogar+aprender: uma iniciativa do Sistema OCB Mais um projeto que busca difundir os princípios cooperativos é o Jogar+Aprender, iniciativa do Sistema OCB para atingir o público infantojuvenil de forma digital, lúdica e acessível. O Jogar+Aprender foi criado para propagar o cooperativismo entre crianças e jovens com recursos pedagógicos, como games, cursos e vídeos. Pais e professores também podem ter acesso a materiais didáticos sobre educação cooperativista, cuidados no uso da internet, gestão do tempo de tela, bem-estar emocional, entre outros tópicos importantes na criação. Conclusão: cooperativismo democratiza e amplia a aprendizagem Impulsionar uma sociedade cooperativista começa na educação, formando profissionais e alunos que estudam e vivenciam uma gestão coletiva desde os primeiros anos de escola. Por meio do modelo de negócios cooperativo, pais, alunos e professores se tornam protagonistas do processo educativo, focando na qualidade do trabalho e do ensino. A união desses agentes fortalece a aprendizagem e apresenta impactos que vão além das salas de aula.

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    Mercado Internacional 04/03/2026
    Está no ar o “Panorama de Oportunidades para o Agro 2025"

    O Sistema OCB lança o “Panorama de Oportunidades para o Agro 2025: Contribuições da Adidância Agrícola Brasileira”, publicação que consolida informações estratégicas para apoiar a inserção internacional das cooperativas brasileiras. A publicação é resultado da participação do Sistema OCB no Encontro Nacional do Agro e dos Adidos Agrícolas 2025 e reúne respostas técnicas dos adidos sobre oportunidades comerciais, avanços em tratativas de abertura e ampliação de mercados, dados de mercado e indicações de publicações relacionadas a 34 pleitos encaminhados por cooperativas de nove estados (BA, CE, ES, MT, MG, PE, RS, SC e SP). Os adidos agrícolas são profissionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) alocados no exterior, com atuação voltada à abertura de mercados para produtos agropecuários brasileiros e à atração de investimentos. Essa presença auxilia na consolidação da imagem do Brasil no cenário internacional e facilita a exportação de produtos cooperativistas. Articulação estratégica internacional Em sua 7ª edição, o Encontro Nacional do Agro e dos Adidos Agrícolas contou com a participação de 54 adidos, sendo 40 em missão e 14 recém-designados, além dos chefes dos escritórios internacionais da ApexBrasil em Bogotá (Colômbia), Miami (Estados Unidos), Bruxelas (Bélgica), Moscou (Rússia), Dubai (Emirados Árabes Unidos), Lisboa (Portugal) e Pequim (China). Realizado de 25 a 28 de novembro de 2025, em Brasília, o evento reuniu instituições governamentais, adidos agrícolas, equipes técnicas e representantes dos setores produtivos de alimentos e bebidas. A participação do Sistema OCB concentrou-se em reuniões individuais com os adidos agrícolas, realizadas nos dias 26 e 27, quando foram apresentados os pleitos estruturados a partir das demandas das cooperativas. O Sistema OCB já esteve presente em outras três edições do encontro e mantém interlocução ativa com a rede de adidos agrícolas ao longo do ano, contribuindo para a superação de barreiras, identificação de oportunidades e fortalecimento da inserção internacional do cooperativismo brasileiro. Oportunidades em destaque África do Sul A África do Sul apresenta perfil importador atrativo tanto para setores do agronegócio e extrativista (como carnes e café) quanto para produtos de maior valor agregado. Embora alguns países contem com tarifas mais competitivas que as aplicadas ao Brasil, há escassez de produtos sul-americanos, o que pode favorecer a entrada de itens brasileiros. Alemanha A Alemanha importa majoritariamente café não torrado, minérios de cobre e farelo de soja, que representam mais de 55% das exportações brasileiras ao país. O crescimento dos cafés especiais e a forte demanda por sucos e geleias com baixo ou nenhum teor de açúcar abrem espaço para polpas de frutas destinadas à indústria alimentícia, embora o consumo direto dessas polpas não seja hábito do consumidor final. Arábia Saudita A Arábia Saudita é parceiro estratégico do Brasil no Oriente Médio e apresenta crescimento acelerado. Como a maioria da população é islâmica, alimentos (especialmente carnes) devem possuir certificação Halal para acesso ao mercado. Argentina A Argentina permanece como mercado promissor devido aos benefícios fiscais e tarifários no âmbito do Mercosul, que estabelece a Tarifa Externa Comum (TEC) e reduz barreiras burocráticas, facilitando o fluxo de produtos brasileiros. Canadá O Canadá apresenta crescimento contínuo e economia baseada em bens industriais. Em 2024, o Brasil tornou-se o nono fornecedor do país. Há potencial para produtos com diferencial competitivo frente às importações oriundas dos Estados Unidos, seu principal parceiro comercial. China A China é o principal parceiro comercial do Brasil, destino de 28% das exportações, com destaque para soja, carnes, celulose, algodão e açúcar. Além desses produtos consolidados, há oportunidades identificadas para aço, carne suína, trigo, centeio e couro. Estados Unidos Os Estados Unidos figuram historicamente entre os maiores parceiros comerciais do Brasil. A pauta exportadora é diversificada, incluindo aço e derivados, aeronaves, café não torrado e carne bovina. Índia Em 2024, a Índia tornou-se o décimo maior destino das exportações agropecuárias brasileiras, movimentando mais de USD 3 bilhões em produtos como soja, açúcar e fibras têxteis. O Panorama de Oportunidades para o Agro reforça o compromisso do Sistema OCB em apoiar as cooperativas na construção de estratégias internacionais sólidas, conectando demandas produtivas às oportunidades identificadas nos principais mercados globais. Para conhecer a íntegra das análises e acessar informações detalhadas sobre esses e outros países,acesse o Panorama de Oportunidades aqui!

    6 min de leitura

    Mercado Internacional 12/02/2026
    Estratégias para cooperativas no mercado internacional parte I: oportunidades na América Latina

    A América Latina aparece como um mercado vizinho repleto de potencial para impulsionar o cooperativismo brasileiro no comércio internacional. Com consumidores que buscam sustentabilidade, autenticidade e responsabilidade social, esse modelo tem o necessário para se destacar com competitividade na região. Com um perfil cada vez mais cauteloso, esses consumidores estão tomando cuidado na hora de decidir como gastar seu dinheiro. A preferência por marcas locais e que se alinhem aos seus valores tem crescido na América Latina. Essas tendências chamam atenção das organizações que precisam adaptar sua forma de produzir e vender se quiserem conquistar os latinos. O cooperativismo brasileiro já se adequa, porém, a muitas das demandas desse público, e se souber aproveitar o momento, pode deslanchar Brasil afora e se tornar uma referência no continente. América Latina: perfil dos consumidores Antes de adentrar em um mercado, é importante entender quais são as preferências e vontades do seu público. Segundo o estudo “The Resilient Latin American Consumer: What 2025 Revealed and What 2026 Will Demand”, do Intersect LATAM PR, o perfil dos consumidores latino-americanos em 2025 foi marcado por um misto de resiliência, forte presença digital e consumo contínuo. O cenário nem sempre foi positivo para as compras, mas isso não abalou o consumo da região. Apesar das dificuldades econômicas, causadas por inflação, instabilidade política e pós-pandemia, os números surpreenderam ao mostrar que os latinos continuam gastando. Resiliência é uma palavra-chave para definir o perfil dos consumidores em 2025. 52% das casas na América Latina usaram sete ou mais canais de compra durante o ano. 75% dos brasileiros usam aplicativos de lojas antes de fazer suas compras. Pelo menos uma vez no mês, consumidores consultam de forma online o que pretendem comprar. 3 a cada 10 países que mostraram um aumento na confiança dos consumidores são da América Latina, sendo eles: Argentina, Colômbia e Peru. Isso significa que os latinos estão comprando, sim, mas com estratégia. O comportamento desses consumidores agora é outro. Antes de decidir como gastar seu dinheiro, eles usam ferramentas e plataformas digitais para entender a melhor forma de gastar, para usar seu dinheiro de forma eficiente e econômica. Por conta dos cenários econômicos voláteis, o cuidado está sendo maior do que nunca. Gastando, mas com cautela: cuidados com o consumidor latino Ao mesmo tempo que o consumo está alto, as exigências desse público também estão. É importante se atentar para o fato de que os latino-americanos estão com menos confiança nas marcas, menos paciência para eventuais erros e expectativas cada vez maiores. Qualidade e honestidade são inegociáveis - não há espaço para promessas vazias. Nos últimos tempos, a adoção de serviços financeiros digitais se intensificou, o crescimento do e-commerce na América Latina permaneceu entre os mais rápidos do mundo e as marcas locais ganharam relevância. Mas o cuidado na hora de comprar continua igualmente grande, graças ao cenário econômico desses países. A pesquisa mostra que 52% dos consumidores da América Latina estão preocupados com suas finanças, e isso resulta em uma população mais consciente sobre o próprio dinheiro. Aqui surge outro aspecto que está moldando o consumo latino: a incerteza. A incerteza leva os consumidores a priorizar onde e com que gastar, entendendo que é importante investir no que não causará prejuízo a longo prazo. Tudo isso aponta para um momento favorável, porém cauteloso, para as cooperativas expandirem a exportação nos países vizinhos. Tendências de consumo na América Latina Após compreender o comportamento desse público, é importante captar quais tendências estão conquistando os consumidores latino-americanos. A sustentabilidade se tornou essencial Não dá mais para tratar pautas ESG como secundárias. Enchentes, queimadas, furacões e outras catástrofes têm se tornado parte da vida de diversas populações na América Latina, e justamente por viver na pele tantos efeitos do aquecimento global, o consumidor latino entende que, para uma marca ganhar sua confiança, ela precisa estar de acordo com práticas verdes e de sustentabilidade. Os dados já refletem essa mudança, e 28% dos consumidores na América Latina se consideram altamente comprometidos com a sustentabilidade. A força das marcas locais Outro movimento que vem ganhando força na região é o consumo de produtos locais. A mesma pesquisa aponta que 60% dos brasileiros, 59% dos colombianos, 54% dos mexicanos e 44% dos chilenos têm a intenção de consumir mais produtos do seu próprio país. Latinos estão buscando se afastar das redes sociais e passar mais tempo ao lado de suas comunidades, o que fortalece o senso de pertencimento e a valorização local. Pensando que 75% dos consumidores da LATAM preferem investir em marcas locais, é momento de o cooperativismo entender as possibilidades de parcerias e cooperações com outras instituições latinas. As marcas e a responsabilidade social A confiança é uma das principais características que ligam os consumidores às marcas. Enquanto 80% dos latinos garantem que confiam nas marcas que usam, apenas 55% confiam nos veículos de mídia e 54% confiam nos governos. Isso mostra um lugar de extrema importância que as organizações possuem no imaginário do público. Essa confiança, porém, deve ser construída e pode ser facilmente perdida. Para crescer e se consolidar no mercado latino, é preciso provar, com ações e práticas concretas, que a cooperativa trabalha com responsabilidade social e busca o desenvolvimento das comunidades por onde passa. Consumidores com cautela em relação às promessas Todo o cenário que permeia a América Latina leva a um momento de preocupação. Os consumidores estão mais cuidadosos na hora de acreditar nas marcas, e estratégias de promessas e falso otimismo podem cair por terra. A seletividade faz com que os consumidores não busquem apenas palavras, e sim ações. É preciso que as cooperativas mostrem, com dados e práticas, que são dignas da confiança dos latinos. Grande impacto também do marketing offline Outra questão importante é a forte credibilidade que propagandas offline ainda têm nos consumidores latinos. Uma pesquisa da YouGov Global Profiles, de julho de 2023, mostra que mais da metade dos entrevistados afirmam prestar atenção em propagandas e anúncios feitos em transporte público. Além disso, propagandas em aeroporto, eventos, táxis, jornais e revistas também têm uma grande influência sobre esse grupo e devem ser um meio de comunicação das cooperativas que querem crescer na América Latina. Influencers perdendo credibilidade As marcas também devem se atentar à tendência de ‘des-influência’ que está impactando o consumo na América Latina em 2025. Após um grande boom dos influencers e seu papel no processo de marketing online, a maioria dos consumidores está deixando de levar em conta as propagandas feitas em redes sociais por criadores de conteúdo. O levantamento mostra que 77% dos entrevistados preferem uma avaliação de um usuário comum do que a avaliação de um influenciador na hora de decidir fazer ou não uma compra. Isso não significa que os influencers sairão totalmente do jogo, mas será preciso repensar sua função. Comerciais totalmente otimistas não colam mais, e na hora de escolher o rosto para representar a marca, é importante que as cooperativas optem por influencers que trabalhem em nichos alinhados à marca. Maiores mercados e parcerias Alguns dos parceiros comerciais mais importantes do Brasil estão na América Latina. Saiba mais sobre as principais oportunidades: Argentina e Brasil A Argentina é o principal parceiro comercial do Brasil dentro da América Latina, e essa troca segue tendo um grande papel para a economia do país. Segundo dados da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), só entre janeiro e março de 2025, as trocas comerciais entre os países chegaram a somar US$ 7,1 bilhões, apontando a parceria como uma das maiores do Mercosul. Com um saldo positivo para o Brasil, o comércio se destaca pelas vendas no setor automobilístico, em especial com remessas de veículos de passeio, caminhões, autopeças e motores. Outros setores grandes nessa cooperação são o agropecuário e a indústria extrativa. Brasil e México O Brasil e o México vêm intensificando sua relação comercial, o que pode favorecer o crescimento econômico em toda a América Latina. As cooperativas podem ficar de olho nos setores automotivo, agroindustrial, tecnologia e serviços digitais, que têm grande demanda e podem ser uma porta de entrada para o país da América do Norte. Além disso, as cooperativas, exemplo em energias renováveis e ESG, ganham uma boa competitividade no mercado, uma vez que o país está em busca de crescimento verde e projetos sustentáveis. Acordo Mercosul O Mercosul (Mercado Comum do Sul) é o principal bloco regional do qual o Brasil faz parte, influenciando em políticas comerciais externas e na negociação de acordos com outras regiões e países. O tratado, que já facilita o comércio regional graças às tarifas reduzidas e integração industrial dos países, pode ganhar novos alcances com a chegada do acordo UE-Mercosul, com a União Europeia. Conclusão: caminhos abertos na América Latina Existe muito potencial de crescimento entre os países da América Latina. Cooperativas brasileiras podem investir em mercados próximos, pois estes representam grandes oportunidades. Para ficar por dentro e saber como investir na região, cooperativas podem encontrar dados econômicos e oportunidades no Relatório do 6º Encontro dos Adidos Agrícolas 2024!

    13 min de leitura

    Inteligência de Mercado 05/02/2026
    Desafios e oportunidades de negócios para as cooperativas agropecuárias em 2026

    A crescente digitalização, os juros altos e a necessidade de rastreabilidade são algumas tendências que devem movimentar o agronegócio em 2026. Após um ano marcado pelo crescimento desse ramo, agora é hora de trabalhar com cautela e atentar às demandas do mercado para não ficar para trás. A sustentabilidade se torna indispensável, e devido aos altos custos operacionais será preciso equilibrar o cuidado com o meio ambiente e o aumento da produtividade. Confira as perspectivas de negócios que as cooperativas agropecuárias precisam acompanhar neste ano. Crescimento e transformação do agronegócio brasileiro O ano de 2025 foi positivo para a agropecuária brasileira. As principais culturas produzidas no país apresentaram um aumento no seu rendimento médio, em especial os grãos de milho e soja. Condições climáticas favoráveis foram um impulso para o avanço do setor. Foto: blog do FGV-IBRE Em 2026, o Brasil segue sendo um dos maiores produtores agropecuários mundiais, com destaque nas indústrias de alimentos, fibras e bioenergia. Além disso, nossa influência internacional no mercado tende a crescer graças ao aumento na demanda por grãos, proteína animal e biocombustível. Entre os principais parceiros comerciais, destacam-se as relações do Brasil com a China, União Europeia, Estados Unidos e Oriente Médio. Transformações no setor agropecuário Algumas transformações devem acompanhar o processo de crescimento do Brasil nesse ramo, como: Aumento da digitalização nos processos: as cadeias produtivas estão cada vez mais digitalizadas. Tecnologias e soluções inovadoras estão transformando diversas operações e mudando as dinâmicas do campo. Necessidade de rastrear e monitorar a cadeia produtiva: não apenas uma tendência, agora a rastreabilidade se tornou indispensável. É preciso monitorar e divulgar, com transparência, cada etapa do cultivo e comercialização na agropecuária. Investimento em sustentabilidade e cadeias regenerativas: produções sustentáveis se tornaram sinônimo de mais produtividade e competitividade. Para crescer em um ramo cada vez mais exigente, deve-se investir em práticas regenerativas e zelar pelo meio ambiente. Tendências e perspectivas de negócios para o Ramo Agropecuário em 2026 Em 2026, algumas tendências são centrais para cooperativas agropecuárias. A fim de se consolidar no mercado nacional e também crescer internacionalmente, é essencial que o ramo se prepare nesses pontos: ESG e sustentabilidade no debate climático O agronegócio está ganhando um novo papel nas discussões sobre ESG: o mercado tem olhado para empreendimentos desse setor como grandes responsáveis na busca por sustentabilidade. Isso aumentou após o Brasil receber a COP30, em novembro de 2025, e se consolidar como um país fornecedor de produção confiável e responsável, com intensa busca pela redução da pegada de carbono. Além disso, instituições financeiras estão disponibilizando seu crédito com preferência para negócios que estejam alinhados à responsabilidade ambiental. Para 2026, pode-se esperar carteiras dedicadas a projetos sustentáveis, exigência de boas práticas e penalização para produtores com passivos ambientais. Exigência de rastreabilidade Outro movimento forte de 2026 é a exigência da rastreabilidade, que se tornará obrigatória em vários mercados, como na União Europeia. O bloco passa a exigir que os produtos agrícolas apresentem documentos de comprovação para assegurar que não estejam ligados ao desmatamento, seja ele legal ou ilegal. Entre as principais exigências, as cooperativas do agro devem estar atentas ao georreferenciamento de propriedades e lotes, à criação de uma rastreabilidade integrada por meios digitais, à emissão de documentos que certifiquem a origem legal e ambiental dos seus produtos e aos contratos transparentes sobre fornecimento. Oportunidades do acordo Mercosul-UE Um processo que acontece há mais de 25 anos está finalmente dando passos significativos. O acordo comercial entre os blocos Mercosul e União Europeia já foi assinado e deve apresentar mudanças importantes para cooperativas agropecuárias. Produtos como soja e café terão uma entrada facilitada no mercado europeu, trazendo benefícios para o ramo. Com a redução de tarifas, o fluxo comercial internacional deve crescer, aumentando também as exigências sanitárias, a fiscalização e a necessidade de certificações. Estar de acordo com as conformidades deve ser, mais do que nunca, uma prioridade neste ano. Exportações: câmbio favorável às exportações, mas cenários geopolíticos voláteis Apesar de os cenários estarem favorecendo o comércio internacional, a exportação pode ocorrer de forma mais devagar, devido a uma demanda global mais contida. Além disso, 2026 é um ano eleitoral e, portanto, o desenrolar político tende a aumentar a volatilidade do câmbio e dificultar investimentos. Incertezas rondam o dia a dia dos produtores, que devem ter cuidado na hora de investir em exportação. Cenários geopolíticos instáveis impactam as trocas entre países, e é importante que as cooperativas agropecuárias estejam acompanhando todos os movimentos que de alguma forma geram efeitos no comércio internacional. Desafios no radar: pontos de atenção para cooperativas do agro Apesar de ter espaço para crescimento, 2026 também carrega pontos de atenção que as cooperativas devem ficar de olho. São eles: Lidando com juros altos: a demanda é alta, mas os juros também Ao mesmo tempo em que terão grandes oportunidades de exportação, será preciso prestar atenção a um cenário monetário apertado. A previsão de especialistas é que a Selic continue elevada. Isso reflete em um momento de juros altos, o que dificulta financiamentos e liberação de crédito. Por isso, as cooperativas deverão ter cautela e estratégia para crescer no mercado em 2026, aproveitando os novos mercados, mas sem se deixar cair pelos juros. Altos gastos operacionais: custos de produção avançam Insumos agrícolas se mantêm como uma preocupação para o ramo. As margens operacionais devem permanecer reduzidas até 2027, o que enfraquece produtores de diferentes fases da cadeia produtiva do agronegócio. Com os custos de produção altos, a margem de lucro diminui e o valor para investimentos fica menor. É necessário estratégia e planejamento a longo prazo para que as cooperativas agropecuárias consigam se manter estáveis para continuar crescendo durante o ano. Alta na inadimplência e RJs O terceiro trimestre de 2025 registrou 628 requisições de recuperação judicial, sendo a maior quantidade de pedidos desde 2021. É o que apontam os dados da Serasa Experian, refletindo um momento financeiro complicado para o ramo. Mato Grosso, Goiás e Paraná foram os estados que registraram a maioria dos pedidos. Na mesma pesquisa, Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, ressalta que esse aumento evidencia os desafios que os produtores têm de equilibrar as entradas e saídas do caixa, muitas vezes lidando com dívidas que duram anos ou tentando crescer sem o planejamento econômico necessário. Manter uma organização financeira se torna, dessa maneira, outra prática indispensável para as cooperativas em 2026. Até mesmo porque a alta nas recuperações judiciais e na inadimplência afeta a disponibilidade e os juros do crédito rural. Conclusão: com atenção e tempo, 2026 pode ser positivo para cooperativas agropecuárias O ano de 2026 traz um cenário com boas oportunidades para as cooperativas agropecuárias, mas é preciso ter cautela para não se perder no caminho. As cooperativas agropecuárias devem investir em sustentabilidade e produtividade se quiserem se destacar, já que o crescimento do ramo vem acompanhado de novas exigências e transformações. Estar sempre precavido, com um olhar atento para o que está acontecendo no Brasil e no Mundo, é a melhor forma de garantir seu espaço no setor agropecuário este ano. Que tal usar dados de mercado para tomar decisões de negócios mais precisas? Confira o curso de Análise de Mercado na CapacitaCoop e aprimore sua capacidade de coletar, interpretar e utilizar dados, informações e conhecimento sobre o mercado!

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