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Como o cooperativismo habilita os negócios da agricultura familiar
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A agricultura familiar é responsável por grande parte da produção de alimentos e do desenvolvimento econômico em áreas rurais do Brasil. Apesar de ser extremamente importante para o setor agropecuário brasileiro, ainda existem várias barreiras que prejudicam a agricultura familiar no mercado. A falta de escala, as dificuldades logísticas e os entraves burocráticos são alguns empecilhos que comprometem pequenos empreendedores e negócios familiares. Para crescer e contornar essas situações, o cooperativismo se torna uma alternativa que fortalece esses empreendimentos graças à união dos produtores. Cooperativas de agricultores têm mais facilidade de negociar, vender e comprar de forma igualitária a outras instituições do setor. Confira os benefícios desse modelo e entenda como a agricultura familiar ganha força com o cooperativismo. Boa leitura! O que é agricultura familiar A agricultura familiar é aquela que se baseia no trabalho de pequenos agricultores e famílias rurais. Para serem consideradas nesse grupo, as famílias devem se enquadrar nas condições definidas pela Lei nº 11.326, de julho de 2006. A Lei da Agricultura Familiar, como foi apelidada, define práticas de agricultura familiar aquelas que estão de acordo com os seguintes requisitos: As famílias não podem ter mais do que quatro módulos fiscais de terra, sendo esta uma unidade de medida em hectares, que varia para cada município. A mão de obra da própria família deve ser o principal meio de produção do empreendimento. A família não pode ter mais do que o percentual mínimo da renda familiar originada pelo empreendimento, na forma definida pelo Poder Executivo. Os agricultores e sua família devem ser os próprios dirigentes do estabelecimento ou empreendimento. Importância da agricultura familiar Esse modelo de produção é essencial para o desenvolvimento econômico e social da economia brasileira, e cerca de 77% dos estabelecimentos de agronegócio do país são de agricultura familiar, como mostram os dados do Censo Agropecuário de 2017, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento também mostra que 23% do valor gerado pelo agro brasileiro é de responsabilidade desses produtores, o que justifica a relevância desse modelo tanto para o mercado quanto para a sociedade, pois a agricultura familiar garante boa parte do abastecimento de alimentos no Brasil. A agricultura de pequenos produtores rurais também é de extrema importância para a criação de oportunidades, gerando empregos em regiões rurais e afastadas das metrópoles, e para movimentar o comércio em pequenas comunidades. Dificuldades de pequenos agricultores para fazer negócios Por serem empreendimentos de menor porte, algumas dificuldades atingem o mercado da agricultura familiar. A maioria desses agricultores carece de grandes recursos, infraestrutura e mão de obra para competir de frente com os outros players do mercado. Entre as principais limitações, algumas se destacam: Dificuldade de acesso ao crédito Talvez o principal desafio que os agricultores familiares enfrentam é a falta de acesso ao crédito. Enquanto grandes instituições do agronegócio possuem alta presença nas carteiras de crédito, apenas 15% dos agricultores familiares obtêm crédito, segundo análise do Climate Policy Initiative/Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (CPI/PUC-Rio) com base nos dados do Censo Agropecuário 2017 (IBGE). Com a falta de financiamento adequado, os produtores têm limitações para modernizar suas práticas e melhorar a produtividade. Burocracia e as exigências legais Outro grande entrave para os pequenos produtores são as exigências legais e processos burocráticos, como a emissão de notas fiscais eletrônicas (NFe). A falta de acesso à tecnologia e recursos necessários para cumprir tais obrigações pode se tornar um obstáculo para pequenos produtores, que carecem muitas vezes de assistência técnica ou até mesmo de internet. Falta de infraestrutura nas áreas rurais As áreas rurais, principalmente as mais afastadas e de responsabilidade de pequenos agricultores, podem muitas vezes sofrer com a falta de infraestrutura necessária para o trabalho e locomoção. Graças a estradas precárias e falta de transporte adequado, essas regiões acabam ficando isoladas, o que dificulta os negócios, diminui sua competitividade no mercado e, consequentemente, prejudica a sua renda. Falta de assistência técnica e orientação especializada Outro gargalo desse setor é a falta de orientação técnica. Com informações precisas, os empreendimentos de agricultura familiar podem aprimorar seus processos, com um cultivo mais sustentável e produtivo. Muitas vezes, porém, essas famílias carecem de profissionais e capacitação, ficando de fora de grandes discussões que poderiam melhorar seu trabalho. Mudanças climáticas O aquecimento global e seus efeitos já se tornou um problema crítico no mundo todo, com consequências em diversos setores e na agropecuária não seria diferente. A desigualdade, porém, faz com que esses efeitos sejam ainda mais fortes para agricultores familiares. Com o risco de perderem colheitas ou terras, esses negócios, que dependem completamente das plantações para sobreviverem, veem ameaçada a sua maior fonte de sustento. Ajuda governamental para agricultores familiares Visando diminuir a desigualdade e fortalecer esse modelo de agricultura tão crucial para o país, o governo conta com algumas iniciativas que fortalecem o desenvolvimento sustentável desses empreendimentos. Os principais são o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA): O PNAE determina que parte dos alimentos comprados pelo governo para a alimentação dentro de escolas públicas devem ser provenientes de agricultores familiares, ajudando a gerar renda aos produtores e oferecendo alimentos de qualidade aos alunos. O PAA estabelece que os alimentos comprados pelo poder público para instituições que promovem a segurança alimentar devem vir de agricultores familiares, o que incentiva a produção sustentável desses empreendimentos e garante a qualidade da comida oferecida à população. Como as cooperativas podem ajudar a agricultura familiar De diversas maneiras, o cooperativismo ajuda os pequenos produtores a adentrarem no mercado. Graças à união dos empreendimentos, esse modelo adequa as produções para o consumidor, aproxima os produtores dos clientes e fortalece as marcas. Alguns benefícios do cooperativismo na agricultura familiar são: Escala para vendas maiores Vender por meio de cooperativas permite que os agricultores familiares tenham mais produtos e, consequentemente, melhor poder de negociação. As cooperativas chegam de forma mais sólida ao mercado, e a escala garante que esses pequenos agricultores possam competir com grandes instituições do setor. Facilidade para adquirir produtos mais baratos Quando os agricultores familiares se juntam para formar uma cooperativa, esses empreendimentos ganham uma escala maior que facilita sua comercialização. Ou seja, ao invés de comprar insumos, produtos e equipamentos em pequena quantidade, se reúnem para conseguir melhores preços e condições. As exigências do mercado, seja de certificação, sustentabilidade, rastreabilidade ou jurídicas, ficam também mais fáceis de serem cumpridas, uma vez que as cooperativas conseguem mais acesso a tecnologias e orientação especializada. Tudo isso resulta em uma margem maior nos resultados, pois os gastos diminuem de maneira significativa. Acesso à melhor infraestrutura e equipamentos Ao vender e comprar com mais facilidade, a margem de ganhos permite que esses empreendimentos consigam investir mais em infraestrutura e equipamentos. É possível comprar em conjunto, o que garante maior acesso a tecnologias e ferramentas que, de forma individual, as famílias provavelmente não conseguiriam. Além disso, fica mais fácil conseguir investimentos e linhas de crédito, já que as cooperativas têm mais robustez para negociar com as instituições financeiras. Tudo isso aumenta a eficiência dos produtores e sua competitividade. Sustentabilidade e responsabilidade social Junto a todos os benefícios que o cooperativismo traz para os negócios, esse modelo carrega um espírito de comunidade que fortalece os cooperados, gerando inclusão social, apoio e fortalecimento dos produtores rurais. As cooperativas também trabalham com forte responsabilidade ambiental e crescimento sustentável. Práticas de agricultura regenerativa e cuidados com o meio ambiente já fazem parte do ramo cooperativo de agropecuária. Conclusão: cooperativismo impulsiona agricultura familiar Graças ao modelo cooperativista, pequenos agricultores podem se juntar e conquistar mais espaço no mercado. As cooperativas de agricultores familiares se tornam um caminho para o crescimento desses negócios e fortalecem um ramo essencial para a economia brasileira. Para compreender mais a fundo a relação entre cooperativismo e agricultura familiar, e conhecer as modalidades de compras governamentais abertas para as cooperativas agropecuárias, confira o curso digital Agricultura Familiar nas Compras Públicas, uma iniciativa da plataforma de ensino à distância CapacitaCoop.
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A falta de saúde financeira é um problema que atinge milhares de brasileiros. Dados de julho de 2025 do Serasa apontam que cerca de 77,1 milhões de pessoas e 7,1 milhões de empresas acumulam dívidas. Essa questão atinge não apenas o bolso dos brasileiros endividados, mas também prejudica as instituições financeiras. Existem muitas causas que levam a essa situação, como diminuição da renda mensal, enfermidades ou desemprego. Entre os diversos motivos, a falta de educação financeira é um dos principais. E é aqui que as cooperativas podem atuar para mudar essa realidade. Organizações financeiras podem ajudar a tirar algumas pessoas do vermelho. Afinal, elas podem atuar como agentes que propagam instrução e orientação financeira para que seus clientes possam se organizar. Saiba o papel do cooperativismo nesse desafio e entenda a importância desse modelo de negócio para a saúde financeira dos brasileiros. Educação financeira: o que significa e por que é importante Essencial para evitar endividamentos, a educação financeira é um termo que se refere à capacidade de entender e organizar suas finanças com responsabilidade e consciência. Não significa apenas economizar dinheiro, mas sim ter compreensão do quanto, como e por que está gastando. A educação financeira é o processo de adquirir conhecimentos e desenvolver as habilidades necessárias para tomar decisões informadas e adequadas sobre o uso e a gestão do dinheiro. No cooperativismo, as cooperativas de crédito podem tomar para si a responsabilidade de promover essa instrução para seus associados. Benefícios para as pessoas e para os negócios A educação financeira traz diversos benefícios tanto para os associados quanto para as cooperativas. Quando bem informados e capacitados, os cooperados conseguem ter mais controle sobre suas finanças, proporcionando: Menores chances de endividamento. Menos ansiedade financeira e melhor qualidade de vida. Organização para concretizar objetivos profissionais e pessoais. Controle de recursos e reserva de emergência. Mais autonomia e liberdade para gastar. Ela também é positiva para as cooperativas ao reduzir a inadimplência e criar oportunidades, uma vez que associados financeiramente organizados gerenciam melhor seu crédito e usam mais serviços bancários. Dessa maneira, investir em educação financeira é investir no crescimento da própria cooperativa. Ter cooperados mais seguros, que sabem gerir bem o seu crédito e têm conhecimento acerca das próprias finanças é uma maneira de impulsionar os negócios. Papel das cooperativas na educação financeira Um dos princípios do cooperativismo é impulsionar a “educação, formação e informação” de seus associados. Nesse contexto, as cooperativas promovem a educação e a formação para que seus membros e trabalhadores possam contribuir para o desenvolvimento dos negócios e, consequentemente, dos lugares onde estão presentes. Portanto, é dever dessas instituições orientarem seus cooperados, viabilizarem a capacitação e fornecerem informação de qualidade para uma vida financeira mais saudável. Pelo contato próximo com seus associados, as cooperativas podem se tornar uma referência na jornada de educação financeira. Educação financeira na prática Um exemplo de cooperativa de crédito que atua nessa formação é a Sicredi Integração Mato Grosso, Amapá e Pará. Com objetivo de levar conhecimento, liberdade e independência para seus associados, a cooperativa criou o Programa Cooperação na Ponta do Lápis, em que promove palestras e conteúdos que ajudam na construção de hábitos financeiros sustentáveis. “Esse conteúdo é organizado a partir de cinco etapas que são: conscientizar, observar, organizar, preparar e sustentar. Eles são aplicados por meio da psicologia econômica e ciências comportamentais, que propiciam uma melhor compreensão dos hábitos em relação às finanças”, registra a cooperativa. O resultado foi positivo e, no ano de 2023, mais de 80 mil pessoas, dos 33 municípios dentro da área de atuação da cooperativa, foram impactadas por iniciativas de educação financeira. Como promover educação financeira para seus cooperados Apesar de essencial, promover conhecimento para os associados não é uma tarefa fácil. Afinal, dados da 17ª edição da pesquisa Observatório Febraban (Federação Brasileira de Bancos) apontam que a maioria dos brasileiros (55%) confessa entender pouco (40%) ou nada (15%) de educação financeira. Construir conhecimento em uma sociedade ainda distante dessas informações pode ser desafiador, mas algumas práticas das cooperativas podem auxiliar seus cooperados a ter maior habilidade para gerir finanças pessoais. São elas: 1. Criar programas educativos Um primeiro passo para essa capacitação é criar programas educacionais para os associados. Existem diferentes formatos que podem ser usados, como cursos, workshops, e-books e conteúdos online. A variação possibilita que cada cooperado consuma as informações do seu jeito e no seu tempo. É importante que os programas abranjam temas variados e cubram diferentes aspectos da vida financeira, como orçamento familiar, aposentadoria, cartão de crédito, dívidas e investimentos. As temáticas diversas ajudam a conquistar públicos distintos, desde pessoas mais jovens que estão começando sua vida financeira até pessoas idosas, empreendedoras e mais experientes. 2. Disponibilizar sites e aplicativos para controle financeiro Além dos programas, a cooperativa deve disponibilizar ferramentas digitais que facilitem o dia a dia dos cooperados e ajudem no processo de organização financeira. Assim, a cooperativa pode criar aplicativos que monitorem gastos, sites para controle de dívidas, cofrinhos, plataformas de metas financeiras, de investimento e rentabilidades, entre outros. As soluções inovadoras podem ser grandes aliadas quando usadas para facilitar o processo de gestão do dinheiro, deixando a educação financeira mais acessível e fácil. 3. Oferecer serviços de consultoria Materiais e programas educacionais são essenciais, mas os cooperados também precisam de um suporte real para controlar suas finanças. Esse papel é de responsabilidade das cooperativas, que devem promover consultorias personalizadas e individuais para cada caso. Ter um profissional preparado para orientar a investir, pagar as dívidas e organizar os ganhos é fundamental para a saúde financeira dos cooperados, que com ajuda não se sentem desamparados e podem tomar decisões mais precisas e saudáveis. 4. Investir em marketing e campanhas de conscientização Redes sociais, sites, e-mails e televisão são alguns dos veículos que as cooperativas podem usar para se conectar com seu público e divulgar informações relevantes para instrução financeira não apenas de seus cooperados, mas da população em geral. Campanhas para aumentar a conscientização divulgam o nome da marca de maneira positiva, atingem diversos públicos, atraem novos associados e aumentam a educação financeira no país. Conclusão: a importância da educação financeira É dever das cooperativas investir em produtos e serviços que propiciam uma vida financeira mais saudável para seus cooperados. Afinal, a educação financeira cria uma corrente de conscientização que beneficia os associados e a instituição, paralelamente. Desenvolver programas, aplicativos e campanhas que difundem informações relevantes sobre como cuidar das economias é, portanto, um dever do cooperativismo de crédito com seus associados e com a comunidade. Na CapacitaCoop você aprende como a educação financeira pode fazer seus planos saírem do papel desde cedo e seus sonhos se tornarem realidade. Acesse o curso online disponível sobre Educação Financeira para Jovens e saiba mais!
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A inovação é essencial para uma cooperativa crescer e se destacar no mercado. São soluções inovadoras que transformam uma marca, conquistam novos públicos e fidelizam os clientes já existentes. Mas antes de apostar em criar produtos, serviços e operações inovadoras, é preciso entender se vale a pena investir tempo e dinheiro. Para garantir a efetividade de um novo projeto, saiba como avaliar a sua viabilidade e ROI. ROI e Viabilidade: o que significam Antes de tudo, é importante entender o que significa uma inovação ser viável. Para que uma iniciativa saia do papel, deve-se compreender se de fato ela pode trazer resultados positivos para a cooperativa, seus cooperados ou clientes. Esse projeto precisa ser pensado para sanar um problema, melhorar uma operação ou atender demandas do mercado. Análise de viabilidade O primeiro passo é fazer a análise de viabilidade da inovação. Ou seja, elaborar uma avaliação detalhada para entender a executabilidade de um projeto, verificando se ele é viável de forma técnica, legal, operacional, mercadológica e financeira (ROI). É preciso, nessa fase, mapear se a cooperativa conta com recursos, tecnologias, capacidade técnica da equipe, equipamentos e infraestrutura necessária para a execução da iniciativa. Se não, vale estudar que parcerias e fomentos podem ajudar a pôr em prática o negócio. Operacionalmente falando, a cooperativa deve se perguntar: existe tempo na agenda dos colaboradores para dedicação ao projeto ou é necessário contratar mão de obra? Nesse momento, é hora de olhar para as operações como um todo, e não apenas para a inovação, a fim de compreender como encaixar as novas demandas na rotina. Analisar o mercado, as tendências de consumidores e os impasses legais também garante que a inovação seja bem-sucedida, evitando impactos negativos. Por fim, a análise financeira pode ser feita pelo ROI. A análise de ROI O ROI (Return on Investment, ou retorno sobre investimento em português) é uma metodologia que avalia se os investimentos em uma inovação trarão retornos econômicos positivos e resultados efetivos para a cooperativa. É o estudo responsável pela parte econômica dos projetos, para compreender se ele é financeiramente sustentável. Assim, são levados em consideração os custos de implementação, os investimentos, o fluxo de caixa atual da cooperativa e o possível lucro. Como analisar a viabilidade de um projeto Compreendida a importância de estudar a viabilidade e as finanças de uma inovação, é hora de entender como pôr essa avaliação em prática. Para realizar essa análise, a cooperativa deve atentar para alguns pilares que garantem o sucesso de um projeto. São eles: Definir objetivos, metas, prazos O primeiro passo é delimitar o que é a inovação e para que ela será criada. Nesse momento, é importante fazer um esboço geral, entendendo as metas do projeto, qual é seu objetivo principal e seus objetivos específicos. Pensando nas finalidades da inovação, é fundamental entender em quanto tempo essa iniciativa precisa ser executada. Assim é possível criar metas a curto, médio e longo prazo para que o projeto saia do papel e tenha uma data-limite de entrega. Essa organização traz um maior direcionamento e delimita a melhor maneira de desenvolver o projeto. Fazer a pesquisa de mercado, concorrência e público Outra análise essencial para garantir a viabilidade do projeto é fazer o estudo do mercado no qual a inovação será inserida. Em tempos de grande volatilidade, a cooperativa precisa entender: em que contexto se dá essa inovação, quais são os cenários geopolíticos e como a economia se encontra no momento. O mais importante é compreender o seu público-alvo, estudando suas demandas, suas necessidades e suas vontades. Também vale analisar a concorrência, para conseguir se destacar e criar uma inovação que melhor atenda aos clientes. Analisar as finanças e o ROI Uma das partes mais cruciais na avaliação de um projeto é o seu financeiro. Entender qual é o percentual de ganho alcançado em relação ao valor que será investido ajuda a determinar se a iniciativa é rentável. Para isso, existe a fórmula de análise do ROI. Conheça a fórmula para calcular o ROI Para calcular o ROI, a fórmula se baseia em: subtrair o valor ganho pelo valor investido, e dividir o resultado pelas despesas. Por fim, o último passo é multiplicar por 100, chegando ao percentual de lucro. ROI = GANHO OBTIDO – CUSTOS x 100 CUSTO Assim, o ROI é um percentual que mede a eficiência de um projeto para gerar lucro. Preparar a gestão de riscos Qualquer inovação vem acompanhada de riscos. Mudanças regulatórias, geopolíticas e até mesmo ambientais podem prejudicar as operações e resultados de um projeto, e ter isso em consideração na hora de executar uma iniciativa é essencial. Para se proteger, é importante construir uma cultura organizacional resiliente que trabalhe constantemente em uma gestão de riscos, a fim de identificar, avaliar e mitigar possíveis problemas que uma inovação pode enfrentar. Avaliar os recursos e competências para executabilidade Analisar se a cooperativa possui mão de obra, recursos e competência para executar o projeto é outro passo essencial antes de colocar a inovação em ação. É importante se reunir com o time e avaliar se existem colaboradores e infraestrutura disponíveis para trazer a inovação para aplicação real. Esse entendimento facilita a implementação e possibilita à cooperativa se preparar para eventuais gastos e contratações necessários. Conclusão: inovar com ROI é inovar com menos riscos Inovar é um processo acompanhado de riscos, afinal é inevitável mudar sem ter algumas incertezas e deslizes no caminho. Mas é possível diminuir as eventuais falhas quando apostamos em um plano de inovação baseado em estudos e análise de viabilidade e ROI. Entender o mercado, o seu financeiro, as questões internas e externas de uma cooperativa antes de inovar é um procedimento que aumenta as chances de sucesso e traz mais certeza para a marca.
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Mesmo as maiores e mais bem-sucedidas cooperativas estão sujeitas a passar por desafios inesperados e momentos de crise. Diversos fatores podem afetar os negócios e para se manter firme é necessário ter resiliência organizacional. Não é possível prever todos os obstáculos que atrapalharão as operações e o funcionamento de uma cooperativa. A chegada de eventos climáticos extremos, o cenário geopolítico instável, transformações na economia e no perfil do consumidor podem exigir uma mudança de rota, que sempre vem acompanhada de dificuldades e necessidade de adaptação. Com resiliência organizacional, esses entraves podem se tornar oportunidades. Saiba como construir uma cooperativa resiliente e aberta para o crescimento contínuo! O que é resiliência organizacional nas cooperativas? O termo resiliência organizacional se refere a um conjunto de habilidades que uma instituição precisa ter para conseguir se adaptar, enfrentar e crescer diante de desafios e obstáculos que fazem parte dos negócios. Momentos de crise, mudanças externas ou internas e eventos imprevisíveis são parte da rotina de uma organização. Para que as cooperativas consigam ter longevidade e sucesso, é preciso que os colaboradores e líderes estejam em constante adaptação, sabendo trabalhar com o inesperado e prontos para se recuperar de períodos de instabilidade. Assim se constrói o que chamamos de resiliência corporativa. O cenário atual do mercado é cheio de incertezas e volatilidade. Com uma economia vulnerável, avanços tecnológicos cada vez mais rápidos, um contexto geopolítico complexo por conta da globalização e um consumidor de perfil incerto, saber navegar na onda de mudanças não é apenas o que diferencia uma marca no mercado, mas o que a mantém em pé. 4 pilares da resiliência organizacional Antes de saber como fazer a construção de uma organização resiliente, é preciso entender os pilares da resiliência organizacional. Para se manter competitivo no mercado apesar das turbulências, uma cooperativa deve se atentar a: Antecipação dos riscos. Capacidade de respostas rápidas. Monitoramento contínuo. Adaptação constante. Entenda como esses fundamentos funcionam na prática: Antecipação e gestão de riscos O primeiro e mais importante passo para tornar uma cooperativa resiliente é estar preparado para situações diversas. Para isso, é necessário desenvolver a capacidade de antecipar e identificar riscos. Estar em constante alerta, conseguindo perceber os erros e vulnerabilidades antes que tomem grandes dimensões, é crucial para evitar cenários de crises e situações críticas. Para isso, construir uma gestão de riscos operacionais, desenvolvendo planos de ação para analisar e mitigar os riscos, é uma tarefa essencial. Além disso, é preciso que os colaboradores e líderes tenham uma mentalidade de constante atenção e preparo. Capacidade de resposta e ação rápida a desafios inesperados Além de se prevenir de possíveis riscos, saber agir em momentos de turbulência é outra característica que define uma cooperativa com resiliência organizacional. Quando chegam as adversidades, é preciso que os gestores e os times tenham capacidade para prover respostas rápidas e eficientes, a fim de mitigar ou controlar os impactos da situação. Cooperativas resilientes são aquelas compostas por uma cultura organizacional preparada para agir sob pressão, que saibam manter a qualidade das operações mesmo em momentos de maior tensão. Monitoramento contínuo do trabalho e resultados O acompanhamento constante do trabalho é outra prática que garante a resiliência organizacional de uma cooperativa. Fazer o monitoramento das operações e dos seus resultados assegura que os gestores conheçam com profundidade o contexto interno e externo da organização, a fim de evitar problemas antes que aconteçam. A supervisão com um olhar atento é importante, possibilitando fazer mudanças quando necessário, melhorar processos e evitar vulnerabilidades. Adaptação e capacidade de mudanças em crises Adaptação é uma palavra-chave em cooperativas com resiliência organizacional. Imprevistos e mudanças fazem parte dos negócios e do mercado, e quando uma organização consegue aprender e se adaptar a esse contexto, ela evolui constantemente. Cada obstáculo e transformação pode se tornar um aprendizado que fortalece a cooperativa, seus cooperados e seus colaboradores. Uma cultura organizacional aberta a mudanças é uma cultura que tem espaço para inovação, melhorias e crescimento. Como construir resiliência na sua cooperativa? Uma vez entendido o que estrutura a resiliência de uma cooperativa, é hora de descobrir os passos e hábitos essenciais para desenvolver uma cooperativa pronta para lidar com momentos conturbados. A seguir, algumas práticas que podem auxiliar nesse processo: Invista no treinamento de lideranças e equipe A resiliência deve fazer parte da cooperativa como um todo. Por isso, promover a formação de gestores e da equipe é fundamental. Líderes resilientes conseguem levar essa habilidade para seus times, coordenando seus colaboradores com inteligência emocional, atenção e cuidado, o que ajuda a construir relacionamentos fortes. Assim, em crises internas, fica mais fácil liderar e conduzir os funcionários. Além das lideranças, é importante que todos os membros da cooperativa tenham acesso a treinamentos e cursos que promovam resiliência. Para saber lidar com o inesperado, os colaboradores devem ser ensinados como fortalecer suas soft skills e desenvolver suas habilidades de comunicação e espírito de equipe. Trabalhe com uma comunicação transparente e eficaz Um aspecto essencial para manter a resiliência de uma cooperativa em momentos tensos é a comunicação. É preciso uma escuta ativa dos líderes, para ouvir colaboradores e cooperados e entender suas queixas, além de uma comunicação organizacional estruturada, para garantir que a mensagem chegue de forma clara e assertiva. É comum, em períodos conturbados, que haja rumores e boatos acerca dos problemas, o que pode gerar ansiedade e dificultar a condução de resoluções. Por isso, ter meios de se comunicar de forma direta com os colaboradores é crucial. Tenha uma gestão de mudanças efetiva Quando obstáculos e imprevistos acontecem, é preciso mudar. Para que os colaboradores e cooperados estejam abertos a transformações, a cooperativa deve construir uma gestão de mudanças efetiva. Essa prática assegura a confiança dos times na cooperativa, fortalecendo a implementação de novas estratégias, tecnologias e estruturas. Quando a mudança ocorre de forma detalhada, faseada e envolvendo todos os funcionários, é mais fácil que ocorra de maneira eficaz e rápida. Tome decisões baseadas em dados Em momentos de crise, é normal que o nervosismo e a ansiedade tomem conta. Para não agir por impulso, o que pode levar a cooperativa a situações ainda piores, é preciso usar informações concretas como base. É nesse cenário que os dados se tornam relevantes. Se basear em dados internos e externos ajuda a desenvolver estratégias que fazem sentido, mantendo a análise de mercado e a qualidade das decisões mesmo em situações delicadas. Para isso, é importante que a cooperativa esteja constantemente fomentando sua base, coletando e organizando dados de forma contínua. Invista em tecnologia e fomente a inovação Os avanços tecnológicos podem se tornar grandes aliados na construção da resiliência organizacional, uma vez que ferramentas auxiliam a otimizar operações e automatizar processos. Dessa maneira, as adaptações podem ocorrer de forma mais ágil e eficiente. Além disso, desenvolver uma mentalidade de inovação entre os colaboradores ajuda a cooperativa a passar por transformações de maneira mais leve, já que os times podem enxergar os desafios como oportunidades de negócios e novas chances de inovar. Promova o bem-estar dos colaboradores e fortaleça as relações no trabalho Quando uma cooperativa passa por tempos difíceis, a união entre as pessoas se torna ainda mais importante. Para que todos trabalhem de forma coletiva para encontrar soluções e achar uma saída, é preciso que as relações de trabalho sejam saudáveis e baseadas em confiança. É preciso garantir o bem-estar dos colaboradores, tanto físico quanto mental. Os cooperados e colaboradores devem ter suporte emocional, programas de saúde e um ambiente seguro para se sentirem acolhidos e prontos para lidar com as mudanças repentinas. Construa uma gestão de riscos Os riscos operacionais são aqueles que podem causar perdas financeiras, operacionais e sistemáticas em uma cooperativa, prejudicando seu funcionamento e sua reputação no mercado. Eles podem causar problemas repentinos, e uma cooperativa resiliente deve estar preparada para contornar essas situações. É essencial que a organização construa uma gestão de riscos, ou seja, um planejamento para identificar, avaliar e mitigar as possíveis falhas. Diversifique as receitas da cooperativa Um dos principais fatores que tornam uma cooperativa resiliente é sua capacidade financeira de lidar com os altos e baixos dos negócios. Para evitar que crises prejudiquem excessivamente as contas, é importante que a receita da cooperativa não dependa de apenas um único mercado ou cliente. Ter fontes de renda diversificadas pode ajudar na estabilidade financeira de uma cooperativa e fortalecer seu espaço no mercado, ajudando na durabilidade e sustentabilidade da marca. Conclusão: características de uma cooperativa resiliente Uma cooperativa resiliente se fortalece e trabalha com algumas características, como agilidade, lideranças fortes e empáticas, comunicação aberta entre os times, inovação e aprendizado contínuo. Para começar a construção da resiliência corporativa na sua cooperativa, confira a reportagem “Gestão de riscos operacionais: como identificar, avaliar e mitigar”.
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