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5 boas práticas de compliance e gestão de riscos legais para cooperativas
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Toda organização deve atuar em conformidade com leis, decretos, resoluções e toda a legislação vigente. Essa prática, conhecida como compliance, não apenas fortalece a imagem da marca e sua relação com cooperados e parceiros, mas também protege a organização de riscos legais e problemas judiciais. Para que a gestão de riscos legais seja bem-sucedida e o compliance se integre à cultura institucional, algumas etapas são fundamentais. A seguir, confira boas práticas para assegurar que a cooperativa opere em estrita conformidade com todas as leis e regulamentações necessárias. Antes de tudo, entenda o que é compliance O termo compliance deriva do verbo em inglês "to comply", que traduzido significa "agir de acordo com uma ordem, um conjunto de regras ou uma solicitação". No contexto corporativo, o termo se refere ao compromisso das organizações de estarem em conformidade com leis e regulamentos. Compliance é, portanto, uma estratégia para manter a adequação das operações e serviços às normas vigentes, sejam elas governamentais ou internas. Além de aprimorar o trabalho, essa prática é essencial para a segurança da cooperativa. O compliance auxilia na gestão de riscos legais, certificando a proteção jurídica da marca. Isso aumenta a confiança de cooperados e clientes e previne que a cooperativa enfrente ações judiciais. Como o termo surgiu e se consolidou? Compliance é um termo antigo, consolidado em resposta a diversos cenários que impactaram o mercado. A década de 1970 nos Estados Unidos foi marcada por corrupção e problemas que exigiam solução. A promulgação da Foreign Corrupt Practices Act (FCPA), criada para proibir o suborno de autoridades estrangeiras por empresas americanas, foi um marco crucial. No Brasil, o termo evoluiu até o conceito atual. A Lei Anticorrupção (Lei nº 12.846/2013) é um exemplo de legislação vital para as práticas de compliance modernas. Ela dispõe sobre a responsabilização de empresas por corrupção e fraude contra a administração pública, nacional e estrangeira. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) (Lei nº 13.709/2018), que protege informações e dados pessoais, é outro exemplo de norma importante que garante que as organizações atuem sem ferir direitos ou a integridade do público. Estar atento a essas e outras regulamentações é indispensável para garantir o compliance. Elas ajudam a cooperativa a preservar o nome e a credibilidade, proporcionando segurança jurídica e operacional. Qual a importância do compliance e da gestão de riscos legais em uma cooperativa? As práticas de compliance são essenciais para manter uma gestão de riscos legais eficiente. Ao garantir a conformidade com as leis, a cooperativa reforça seu compromisso social e o respeito a cooperados, clientes e parceiros. Considerando que a legislação está em constante evolução, cooperativas precisam acompanhar as mudanças e a chegada de novas normas. De fato, só para citar como exemplo, algumas leis e regulamentos recentes que afetam o compliance devem estar no radar das cooperativas: A Lei Complementar 213/2025 regulamentou a participação das cooperativas no mercado de seguros. Sancionada em 15 de janeiro de 2025, a legislação reconheceu o papel das cooperativas na modernização e democratização do setor no Brasil. O programa de crédito consignado privado, em vigor desde março de 2025, também impactou o cooperativismo de crédito. As cooperativas precisaram se adaptar para garantir a competitividade com a chegada da nova lei. A LGPD, sancionada em 2018, continua sendo vital. Com o avanço das tecnologias e da inteligência artificial, o uso de dados e informações sensíveis deve seguir rigorosamente as regulamentações definidas para evitar riscos legais. Riscos de uma cooperativa sem compliance: Portanto, a falta de conformidade legal expõe cooperativas a sérios impactos negativos, como a perda de credibilidade e multas pesadas. Os principais riscos são: Impacto na reputação e credibilidade Estar envolvida em problemas jurídicos e descumprir leis prejudica a reputação da cooperativa de forma irreparável. Um único escândalo basta para manchar a marca e abalar a relação com cooperados e parceiros. O compliance protege a marca: Estrutura o trabalho de forma legal e transparente. Melhora a conduta dos colaboradores. Garante a integridade, blindando a cooperativa contra crises reputacionais. Prejuízos financeiros e riscos legais O compliance é essencial para blindar a cooperativa de riscos que geram perdas financeiras. Infrações como corrupção, vazamento de dados e processos trabalhistas podem resultar em multas pesadas e sanções judiciais. Além das penalidades, gastos com advogados e o tempo despendido na resolução desses problemas desviam recursos e foco do negócio. A conformidade legal evita despesas inesperadas e grandes transtornos. Erosão da confiança de cooperados e clientes O modelo de negócio cooperativo tem o aspecto humano como foco. A relação com cooperados e comunidades é sustentada por confiança e transparência, sendo crucial para o sucesso. Nesse contexto, a integridade é indispensável. O compliance garante o respeito às normas e, consequentemente, preserva a lealdade, a segurança e a satisfação dos cooperados e clientes. Instabilidade e dificuldade para crescer Problemas judiciais resultam em crises, mudanças drásticas e perdas financeiras. Essas questões ameaçam a longevidade e a sustentabilidade da cooperativa no longo prazo. O compliance fortalece a marca e sua competitividade: Impulsiona a tomada de decisões mais seguras. Prepara a organização para lidar com o inesperado. Baixa eficiência operacional Manter-se em dia com normas e regulamentos garante que o trabalho seja eficiente e produtivo. Decisões organizacionais baseadas em leis e regulamentos asseguram a qualidade dos serviços e produtos. O compliance melhora o desempenho da cooperativa e fortalece o trabalho dos colaboradores, não apenas seguindo normas legais, mas também estabelecendo políticas internas e regras de conduta para aprimorar o ambiente de trabalho. Boas práticas de compliance e gestão de riscos Vimos os inúmeros benefícios que a conformidade normativa traz ao cooperativismo. Para que o compliance faça parte da rotina, listamos cinco práticas que facilitam esse processo e fortalecem a gestão de riscos – e ainda trouxemos uma dica extra. Confira! 1. Construa e divulgue políticas e códigos de conduta alinhados à legislação O primeiro passo é criar canais de denúncia seguros para funcionários, cooperados e consumidores. É fundamental que a cooperativa assegure que todos se sintam protegidos e atuem conforme as normas. Neste processo, a criação de um código de conduta e a definição de políticas internas são cruciais. Esse documento deve ser o guia para que as práticas da organização se alinhem às normas legais e institucionais. 2. Invista na capacitação contínua dos cooperados e colaboradores Regulamentações e legislações de mercado mudam constantemente. Para manter colaboradores e cooperados sempre alinhados e atualizados, é essencial investir em treinamentos e capacitações periódicas. A constância nos treinamentos constrói uma cultura sólida de compliance em todos os setores da organização, prevenindo possíveis riscos legais. 3. Trabalhe com auditorias e monitoramento constante Monitorar as práticas de compliance garante que elas sejam cumpridas da melhor forma possível. Para isso, a cooperativa pode contratar auditores externos ou estabelecer um processo de auditoria interna. A auditoria é uma ferramenta vital para manter a conformidade e o bom funcionamento das atividades, processos e sistemas. Ela examina a rotina da instituição para identificar falhas e sugerir mudanças operacionais. 4. Crie uma gestão de riscos proativa Diversos riscos operacionais podem impactar o sucesso do negócio. Os riscos legais são um deles, e a cooperativa precisa ter uma equipe preparada para lidar com esses imprevistos. Para tal, é essencial construir uma cultura organizacional que promova a proatividade entre os colaboradores. A gestão deve saber identificar, avaliar e mitigar as ameaças em potencial antes que elas se concretizem. 5. Defina os responsáveis por acompanhar as políticas de compliance Designar um colaborador ou uma equipe responsável pelas políticas de compliance assegura que o processo ocorra da melhor maneira. O representante deve se manter atualizado sobre as normas e leis vigentes, promover treinamentos para outros times e realizar o monitoramento em conjunto com as auditorias. Essa equipe também será responsável por verificar se as políticas internas e os códigos de ética estão sendo seguidos por toda a cooperativa. Dica extra: Programa Nacional de Compliance e Integridade O Programa Nacional de compliance e Integridade (PNCI), uma parceria do Sistema OCB com a Escola de Negócios da PUC/PR, oferece capacitação e prática para que cooperativas de grande porte dos ramos Agropecuário e Saúde tenham as ferramentas necessárias para criar seus programas internos de compliance e integridade. Com o auxílio do programa, a cooperativa mapeia e estuda os riscos de integridade e a falta de conformidade. A instituição também deve oferecer treinamentos para cooperados e colaboradores, monitorar as práticas e disponibilizar canais de denúncia para fortalecer o programa. Conclusão: compliance e gestão de riscos legais são essenciais para o cooperativismo Investir em compliance e gestão de riscos legais é investir na longevidade, reputação e segurança do negócio. Em um momento de crescimento acelerado, o cooperativismo precisa se blindar para manter sua competitividade e segurança no mercado. Visando auxiliar cooperativas nessa jornada, o Sistema OCB criou o curso específico sobre Compliance. Desenvolvido para cooperados ou colaboradores, o curso ajuda a compreender e a cumprir normas legais e regulamentares, políticas e diretrizes da cooperativa, além de auxiliar na detecção e correção de irregularidades. Para desenvolver ações de compliance no dia a dia da sua cooperativa, confira o curso Compliance na CapacitaCoop!
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A auditoria, tanto interna quanto externa, é uma ferramenta importante para garantir a conformidade e o funcionamento das atividades, processos e sistemas de uma cooperativa. Ela examina o dia a dia da instituição para encontrar falhas e sugerir possíveis mudanças operacionais. Para funcionar da melhor maneira, é preciso que a auditoria seja conduzida com transparência e governança. Algumas práticas podem auxiliar nesse processo, delimitando os responsáveis, engajando os colaboradores e divulgando os resultados de forma clara. Neste artigo, entenda o que é auditoria, como ela funciona e por que é importante para a governança das cooperativas. Boa leitura! Auditoria: o que é? A auditoria é um processo de checagem geral das operações e sistemas de uma instituição, com o objetivo de identificar gargalos e propor melhorias operacionais para as cooperativas. Nesse procedimento, os nomeados auditores analisam os processos gerenciais de forma detalhada e criteriosa, incluindo a revisão de: Documentos contábeis e fluxo de caixa. Conformidade dos processos com a legislação e normas internas. Padrões de biossegurança e segurança do trabalho. Gestão e atuação das lideranças. Eficácia das atividades dos colaboradores. Funcionamento dos sistemas e plataformas. Sabendo que muitas vezes é difícil identificar a origem das falhas e outros problemas de uma organização, a auditoria serve para fazer um aprofundamento no funcionamento da cooperativa e notar detalhes que passam despercebidos pelos colaboradores e gestores. Dessa maneira, as auditorias se tornam ferramentas essenciais para elaborar e implementar programas de aprimoramento contínuo do trabalho, da equipe e dos sistemas. O diagnóstico serve para embasar as tomadas de decisão e trazer mudanças que podem transformar os negócios. Diferenças entre auditoria interna e externa O processo de auditoria pode ocorrer de duas maneiras: interna ou externamente. A auditoria interna é realizada por alguém de dentro da cooperativa e é importante definir um time ou colaborador responsável por essa tarefa que trabalhe sem a influência de outros membros da equipe. Já a auditoria externa é feita por um profissional sem vínculos com a organização. É possível contratar profissionais ou empresas especializadas em auditoria, que vão fazer a análise com um olhar de fora da cooperativa. Como garantir transparência e governança em auditorias de cooperativas A auditoria deve seguir os passos: planejamento, coleta de informações, análise, relatório, apresentação dos resultados, implementação e follow-up. Para que o processo seja realizado com transparência e governança, é preciso se atentar a cada uma das etapas. Algumas práticas podem ser implementadas para que esse processo funcione corretamente e de forma clara. Dê uma olhada! Auditor com independência e imparcialidade O auditor, interno ou externo, não pode trabalhar por interesse pessoal no resultado, mas sim para o bem-estar coletivo da cooperativa. É preciso que o colaborador escolhido ou a empresa contratada trabalhe com integridade e assegure a confiabilidade das informações coletadas. Além disso, o trabalho deve ser feito com independência, sem a influência de outras pessoas da cooperativa, para que a coleta de informações não tenha vieses que possam atrapalhar a análise e diminuir a transparência. Ter um comitê de auditoria Outra prática de extrema importância para assegurar a governança de uma auditoria é definir os responsáveis pela realização e supervisão do processo, formulando um comitê de auditoria. Esse grupo é dividido em: auditores, que elaboram a auditoria; membros, que mantêm um olhar crítico; e a administração, que coordena e garante a eficácia do procedimento. Com o aumento dos riscos no mundo corporativo, o trabalho de auditoria fica cada vez mais complexo, e essa equipe tem diversas responsabilidades que ajudam a manter a transparência do processo. O comitê de auditoria será responsável por supervisionar relatórios financeiros, acompanhar as auditorias interna e externa e aprimorar os controles internos, sempre visando a ética e a integridade no trabalho. Destacar a importância da coleta de informações Uma etapa crucial da auditoria é a coleta de informações. Esse é o momento em que os auditores reúnem os dados e fazem as observações necessárias para as análises. Esse processo acontece por meio de entrevistas com funcionários, observação das operações e revisão de documentos. É necessário incentivar a transparência dos colaboradores e cooperados, reiterando a importância de permitir que os auditores obtenham informações precisas e corretas. Ter um ambiente de trabalho seguro, onde os times se sentem confortáveis e incentivados a agir com honestidade, é de extrema importância nessa etapa. Fazer um relatório com apresentação clara Na fase de apresentação, a transparência volta a ser essencial. Os auditores devem mostrar os resultados de forma eficaz e clara, apontando as conclusões da auditoria e suas recomendações a partir delas. Com coesão e clareza, esse documento deve relatar de forma transparente como foi realizada a auditoria. É preciso registrar todos os processos e os sistemas analisados, as falhas que foram detectadas e as ações e investimentos que podem trazer melhorias. A clareza no relatório e nas sugestões de melhorias reforça a confiança da gestão e dos colaboradores na auditoria, o que vimos ser essencial na etapa de coleta de informações. Implementar as sugestões Para que a auditoria seja eficiente e os colaboradores e cooperados entendam a sua importância, é preciso aplicar as recomendações dos auditores e acompanhar os novos resultados. Ao colocar em prática as mudanças, a cooperativa garante uma melhoria contínua e o processo de auditoria ganha visibilidade e confiança dentro da instituição. Conclusão: auditoria assegura a governança das cooperativas A auditoria serve, então, para garantir a conformidade dos sistemas e operações, melhorando os resultados e a produtividade do trabalho. Cada auditoria, se realizada com eficácia, é capaz de transformar os negócios. Em uma cooperativa, ela também ajuda a entender se o trabalho está de acordo com os princípios cooperativos. Para que a auditoria funcione da melhor maneira, é necessário se atentar à transparência e governança durante todas as etapas. Vale ressaltar que a governança cooperativa é o que consolida a direção estratégica, os valores e os princípios cooperativistas, assegurando que o trabalho esteja alinhado aos interesses dos cooperados e ao bem-estar coletivo. Para saber mais sobre a importância da governança cooperativa, essencial não apenas para a auditoria, mas para todo o funcionamento de uma cooperativa, confira o Manual de Boas Práticas de Governança Cooperativa.
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A reforma no setor elétrico brasileiro, que foi aprovada pelo Congresso com conquista para o cooperativismo, prevê mudanças significativas e estratégicas que devem impactar não apenas o segmento, mas a economia brasileira como um todo. O setor de energia do Brasil já é um dos mais limpos do mundo. Segundo o Balanço Energético Nacional (BEN) de 2025, a energia eólica e solar representam 23,7% da eletricidade do país em 2024. No mesmo ano, a energia por fontes renováveis foi de 88,2%, acima da média mundial. A reforma abre espaço para o cooperativismo, que se destaca pela sustentabilidade e pode trazer ainda mais impulso para a transição energética do Brasil. Atualmente, 906 coops já produzem sua própria energia, e estão presentes em todas as regiões brasileiras promovendo o uso de fontes renováveis. No aspecto do consumidor, as indústrias e meios de transporte são os maiores usuários de energia do país, acumulando 64,8%, segundo o BEN de 2024. As residências representam 10,7% do uso. Esses valores são significativos e, com a abertura dos mercados proposta pela reforma, a influência de novos agentes, incluindo o cooperativismo, deve aumentar. Após aprovação do Senado Federal, as mudanças da MP seguem, agora, para sanção do Executivo e devem ser validadas até 7 de novembro para não perder validade. O que é a reforma do setor elétrico A MP que instituiu a reforma do setor elétrico deve ter reflexos sobre a economia, o meio ambiente e a relação com consumidores. Motivada pelos avanços tecnológicos que permitem fortalecer as energias limpas e pela necessidade de abertura do mercado, algumas das principais mudanças trazidas pela MP são: 1. Mais famílias terão acesso à Tarifa Social Um dos pontos de destaque da reforma do setor elétrico é a implementação do desconto social de energia elétrica para famílias de baixa renda, que deve atingir mais de 60 milhões de pessoas. Esse desconto, que vem para ampliar a Tarifa Social, determina que famílias do Cadastro Único, com renda per capita de até meio salário mínimo e consumo de até 80 kWh mensais, não precisarão pagar conta de energia. A regra também delimita que as famílias cuja renda está entre meio e um salário-mínimo per capita, que gastam até 120 kWh por mês, poderão ter acesso direto a descontos graduais. Na economia, o impacto da Tarifa Social, que já é grande, vai se expandir. Em 2024, o programa movimentou R$ 6,4 bilhões em abatimentos nas faturas de consumidores e beneficiou 17,4 milhões de famílias. 2. Mercado Livre de Energia se abre a demais consumidores A abertura do mercado livre de energia aos consumidores residenciais e pequenos comércios é mais um ponto importante da reforma do setor elétrico. Atualmente, apenas grandes empresas conseguem ter acesso ao Ambiente de Contratação Livre, podendo escolher livremente quem são seus fornecedores. Com a nova proposta, a ideia é que a partir de 2027/2028 todos possam ter liberdade para tomar essa decisão, o que deve impactar o mercado e aumentar a concorrência, viabilizando o surgimento de novos agentes - como as cooperativas de energia. Essa medida também possibilita condições mais vantajosas para os consumidores, que poderão escolher de acordo com suas preferências - um modelo que já existe com o segmento de internet e telefonia, por exemplo. As operações bilaterais reduzem impactos negativos em momentos de crise e fortalecem a confiança na relação entre consumidores, comerciantes e geradores de energia. Modificações em encargos para gerar equilíbrio A proposta também prevê ajustes nos encargos, propondo mudanças nos benefícios concedidos a instituições de geração própria de energia, com o objetivo de tornar o setor mais equilibrado e justo, inclusive para as cooperativas. Estão sendo consideradas mudanças na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), um fundo que ajuda a financiar políticas públicas no setor elétrico - como a Tarifa Social, acima citada, e projetos de expansão do acesso à energia para lugares distantes. Os custos atuais da CDE estão nas contas de luz de todos os consumidores de forma desbalanceada, ou seja, sem levar em consideração a capacidade financeira de cada consumidor. A reforma busca melhorar a distribuição desses encargos, deixando os custos financeiramente viáveis para todos. Oportunidades para o cooperativismo Uma das principais transformações da reforma é a expansão do Mercado Livre de Energia. Com a mudança, o consumidor terá liberdade de escolha de fornecedor, visando os melhores custos-benefícios e qualidade da geração e distribuição de energia. Essa ação abre espaço para novos players entrarem ou crescerem no setor, e as cooperativas encontram uma grande oportunidade para se destacar como fornecedoras de energia limpa e acessível. O mercado é promissor, em especial por atrair olhares do exterior. O setor elétrico brasileiro se tornou o preferido dos investidores chineses, sendo o segmento que mais recebeu alocação de recursos do país em 2024. No total, o Brasil recebeu US$ 1,43 bilhão de capital da China no último ano, marcando um aumento de mais de 100% em comparação a 2023. Com 22 empreendimentos, maior volume desde 2007, esse segmento representa altas possibilidades de crescimento e sucesso. Cenário de cooperativas de energia atual - e o que pode mudar O cooperativismo já está presente no setor de energia elétrica, seja pelas cooperativas de infraestrutura que realizam a geração e comercialização de energia ou por cooperativas de outros ramos que têm produção para uso da própria e de seus cooperados. Só em 2024, esse segmento contou com 73 usinas em operação, somando mais de 385 MW de potência instalada, segundo AnuárioCoop 2025. Com a chegada da reforma e o incentivo à geração distribuída, as cooperativas de energia podem ganhar ainda mais espaço e vantagem competitiva no mercado. A atuação das cooperativas incentiva a sustentabilidade Sendo a sustentabilidade um princípio inegociável do cooperativismo, essas coops fomentam a energia hidráulica, solar fotovoltaica, biomassa e outras oriundas de fontes renováveis. Com sua ampliação no segmento, o cooperativismo se posiciona como um modelo que impulsiona a energia limpa, ao mesmo tempo que garante acesso à energia barata para comunidades e pequenos produtores. Fontes renováveis, que já são um destaque do Brasil, podem se ampliar graças à energia cooperativa. Esse modelo, afinal, engaja os cooperados no processo de descentralização e distribuição. No cooperativismo, os cooperados são mais do que consumidores passivos. Eles também ganham um papel crucial na transição energética do país, o que se alinha com o aumento do protagonismo que será reflexo da abertura do mercado. Subvenção mantém coops competitivas Graças à movimentação do Sistema OCB, a MP mantém subvenção para pequenos geradores, uma medida de extrema importância para a competitividade das cooperativas. A proposta inicial da Fazenda previa acabar com a subvenção que beneficia cooperativas de áreas rurais e de baixa densidade populacional, regiões que precisam ter grandes redes de energia para atender poucos consumidores. Ao manter o apoio financeiro, o cooperativismo segue se destacando na sua missão de garantir a inclusão energética e desenvolvimento regional no interior do Brasil. A manutenção da subvenção mostra a importância desse modelo para assegurar tarifas acessíveis para todas as regiões do país. Conclusão: próximos passos A abertura total do mercado será um processo gradual com resultados a longo prazo. Mas as cooperativas já devem estar atentas, pois, ao mesmo tempo que a reforma do setor elétrico traz oportunidades, também exige adaptação e preparo para garantir a competitividade e crescimento. Investindo em inovação e tecnologia, sem deixar de lado o aspecto humano e as preocupações sociais que mantêm a essência do modelo, o cooperativismo pode se tornar um modelo promissor para democratizar a transição energética no Brasil. Para o presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, o resultado é uma vitória coletiva: “As cooperativas de energia cumprem um papel essencial na inclusão energética e no desenvolvimento regional. A manutenção da subvenção é um reconhecimento de que esse modelo funciona, garante tarifas acessíveis e leva qualidade de vida ao interior do Brasil. Essa conquista é fruto da união do movimento cooperativista e da sensibilidade dos parlamentares que compreenderam a relevância do tema”, destacou.
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A comunicação efetiva com diferentes gerações consiste em um desafio relevante para as marcas modernas. Cada público traz consigo valores, referências culturais e hábitos de consumo moldados pelo seu contexto histórico. Para as cooperativas, que têm como essência a proximidade com seus associados, compreender essas diferenças é fundamental para construir vínculos duradouros. Dos Baby Boomers à Geração Z, a diversidade de perfis exige estratégias adaptadas para atrair e engajar cooperados. Conheça a seguir as principais características de cada geração e descubra práticas que ajudam sua cooperativa a se conectar com públicos de diferentes idades, fortalecendo a pluralidade e a perenização do cooperativismo. Boa leitura! O perfil das diferentes gerações Analisar e classificar grupos de pessoas dentro de gerações específicas é uma prática amplamente difundida nos debates contemporâneos. O conceito se popularizou a partir da teoria geracional Strauss-Howe, divulgada por William Strauss e Neil Howe nos anos 1990. O estudo, centrado nas realidades estadunidense e ocidental, define gerações como um grupo nascido em intervalos de aproximadamente 20 anos que interage com determinados eventos históricos, compartilha características e valores em comum e possui um senso de pertencimento à geração. O trabalho dos teóricos abrange um período de cerca de seis séculos, porém as gerações mais debatidas são as que habitam o planeta e movimentam a economia atualmente. Conheça a seguir mais detalhes sobre o perfil de cada geração – há informações divergentes entre os anos que demarcam a transição de uma geração para a outra, então priorize contexto ao invés de datas exatas ao pensar sobre o tema. Baby boomers Comumente citados como aqueles que nasceram entre 1946 e 1964, os Baby Boomers são a geração que nasceu no período posterior à Segunda Guerra Mundial, um momento de recuperação econômica. Em geral, esta geração tende a priorizar a estabilidade, tanto no mundo do trabalho quanto em relacionamentos pessoais. As constantes mudanças tecnológicas costumam ser um desafio para os Baby Boomers. Geração X Composta pelas pessoas nascidas entre 1965 e 1980, a Geração X vivenciou um período marcado pela Guerra Fria, movimentos sociais e rupturas com paradigmas de gerações anteriores. Dessa forma, os membros da Geração X normalmente buscam independência e são menos adeptos a uma rotina estruturada que seus predecessores. Eles ainda costumam se adaptar melhor a mudanças. Millennials Também conhecidos como Geração Y, os Millennials compreendem aqueles nascidos entre 1981 e 1996. Eles presenciaram os primeiros passos e o início da consolidação da internet, evolução tecnológica essencial para consolidar a globalização pós-Guerra Fria. Orientados por conquistas, os Millennials buscam sucesso e conhecimento. Entretanto, os resultados não são tudo para eles: esta geração também preza pela conexão entre valores pessoais e profissionais. Geração Z Caracterizados como os primeiros nativos digitais, a Geração Z nasceu entre 1997 e 2012. É a primeira geração a crescer com acesso à internet e tecnologias digitais portáteis. Devido a esse mundo acelerado em que se desenvolveram como pessoas, eles tendem a priorizar flexibilidade no trabalho em detrimento da estabilidade. Eles também buscam por propósito em suas carreiras, e utilizam as redes sociais para expressar seus valores. Já há duas gerações posteriores à Z: a Alfa e a Beta (os nascidos a partir de 2025). Esses grupos de pessoas ainda não adentraram no mercado de trabalho e estão se desenvolvendo como indivíduos. Portanto, é necessário mais tempo para compreender melhor seus comportamentos e valores. Evolução tecnológica geração a geração Com certeza já deu para notar que as tecnologias da comunicação cumprem um papel fundamental para moldar os comportamentos de cada geração. Os diferentes canais criados e aprimorados desde a Segunda Guerra reduziram distâncias, aceleraram processos comunicacionais e construíram um ambiente mais complexo e integrado. A primeira geração do nosso recorte, os Baby Boomers, cresceu em um contexto onde a comunicação de massa era o padrão. A televisão chegou ao Brasil nos anos 1950, tornando-se ao longo dos anos a principal fonte de informação e entretenimento para a população. O rádio e as mídias impressas (jornal, revista etc.) já eram canais de comunicação consolidados e exerceram grande influência na vida dessa geração. Foi a partir da década de 1990 que ocorreu um fenômeno transformador, que reverbera até hoje: a popularização da internet. A rede mundial de computadores passou a conectar pessoas e disseminar informações em velocidade inédita até então, afetando a vida das pessoas e os ambientes de trabalho. A Geração X, recém-ingressada no mercado de trabalho, e os Millenials precisaram se adaptar ao novo contexto. A vida digital da Geração Z Já os membros da Geração Z são denominados como os primeiros nativos digitais justamente porque nasceram nesse mundo conectado. Acessar a internet virou parte do seu cotidiano desde jovens, incluindo em dispositivos móveis, uma novidade para outras gerações. A popularização das primeiras redes sociais nos anos 2000 e a consolidação de plataformas como Facebook, Instagram e Twitter (atualmente X) nos anos 2010 moldaram sua forma de interagir com pessoas e obter informações, além de possibilitar uma plataforma para o compartilhamento de seus valores individuais. Assim como as gerações, os diferentes meios de comunicação coexistem e se complementam. A popularização da internet não significa que a TV ou o rádio estão com os dias contados, por exemplo. Mas é fato que as experiências de consumo se transformaram, sendo idealmente mais interativas e conectadas. Comunicação com todas as idades De maneira geral, as diferentes gerações têm preferências por canais de comunicação distintos. Enquanto os nativos digitais se sentem confortáveis em contatos 100% virtuais, por exemplo, os Baby Boomers valorizam mais os contatos presenciais e formas de atendimento que não exijam novos aprendizados tecnológicos. Atendimento com experiências integradas As diferenças geracionais são mais um motivo pelo qual as cooperativas devem apostar em experiências omnichannel. O conceito já é uma tendência amplamente difundida no marketing: é a estratégia de criar uma experiência do cliente ou cooperado unificada e contínua, independentemente do ponto de contato. Isso significa uma jornada sem interrupções, onde o indivíduo pode resolver suas demandas em um só lugar ou navegar entre diferentes canais. Mesmo que cada cooperativa tenha um público-alvo específico, é importante proporcionar meios de interação diversificados e aderentes às preferências de cada geração. Essa estratégia permite que o cooperado comece, por exemplo, um atendimento via autoatendimento digital e continue o processo em um contato presencial no espaço físico da cooperativa, sem perda de informações ou necessidade de repetir dados. A linguagem ideal para cada público Uma comunicação eficaz não se resume apenas a escolher os canais corretos: também é preciso adaptar a linguagem ao perfil de cada público. A construção de um relacionamento sólido entre cooperativa e cooperado depende de mensagens que transmitam clareza, proximidade e relevância, levando em conta as características de cada geração ou grupo atendido. Adotar diferentes tons de voz ao comunicar-se com públicos distintos é uma prática essencial. Enquanto os mais jovens podem preferir uma linguagem mais direta e conectada a referências digitais, gerações anteriores tendem a valorizar abordagens mais formais, que transmitam segurança. Essa diferenciação não significa fragmentar a identidade da cooperativa, mas sim ajustar sua forma de expressão para gerar maior impacto. Ao mesmo tempo, é possível aproveitar-se das tecnologias para promover atendimento humanizado em escala. Ferramentas digitais, como chatbots inteligentes e centrais de autoatendimento, já são capazes de simular diálogos personalizados e compreender as necessidades dos cooperados. Quando combinadas com o suporte humano em momentos estratégicos, essas soluções garantem eficiência sem perder a proximidade típica do movimento. Quem interage com o público em larga escala entende a necessidade de investir e desenvolver soluções inovadoras para construir relacionamentos duradouros. De acordo com a mais recente Pesquisa de Inovação no Cooperativismo, divulgada pelo Sistema OCB em 2024, os setores de atendimento ao cliente e marketing e comunicação externa são os que inovam com maior frequência dentro das cooperativas (53%), superando até mesmo a área de tecnologia (48%). Como engajar diferentes gerações Em cada ramo do cooperativismo, ser cooperado significa um relacionamento diferente com a organização – enquanto no crédito todo cliente é um cooperado, por exemplo, na agropecuária o termo se refere aos produtores. Entretanto, independente da conexão, espera-se que esse indivíduo se engaje para construir uma cooperativa melhor e mais próspera. As assembleias são um dos pontos de contato mais tradicionais entre cooperativa e cooperados, uma plataforma para a tomada de decisões sobre o futuro da organização. O caráter democrático do modelo cooperativista só se materializa quando os cooperados estão engajados e utilizam as reuniões para construir ideias em conjunto. Os quadros associativos, principalmente das grandes cooperativas, costumam ser integrados por pessoas de diferentes faixas etárias, dos Baby Boomers à Geração Z. É fundamental conhecer o perfil dos cooperados para compreender suas preferências, quais canais lhes engajam melhor. Porém é possível adotar práticas que tornem as assembleias espaços convidativos para as diferentes gerações. Durante a pandemia, as cooperativas foram forçadas a transferir suas assembleias dos espaços físicos para as plataformas digitais. Passadas as restrições daquele contexto, deve-se apreender o melhor dos dois mundos para realizar reuniões híbridas e integradas. Nesse cenário, tanto o cooperado mais tradicional, que não abre mão de interagir com seus pares, quanto o mais moderno, que prefere o dinamismo das videochamadas, devem receber a plataforma necessária para participar ativamente do futuro da cooperativa. Planejamento geracional no ambiente de trabalho Em alguns segmentos, como o de saúde, cooperado é o indivíduo que trabalha para a cooperativa. O mundo do trabalho também traz desafios para as organizações que reúnem colaboradores de faixas etárias distintas. De acordo com o relatório “Tendências de Gestão de Pessoas”, do Ecossistema Great People & GPTW, 55% dos gestores de recursos humanos relatam dificuldades ao lidar com as expectativas de diferentes gerações – e 76% consideram a Geração Z a mais desafiadora, apontando falta de comprometimento e pessimismo. Um dos recursos possíveis para integrá-los ao ambiente de trabalho é através de programas de sucessão e atração. Algumas cooperativas já têm se destacado nesse campo, como a Coplacana, que promoveu a criação de um núcleo jovem e revitalizou a participação em suas atividades. A Cresol, por sua vez, ensinou o modelo cooperativista para mais de 1.200 jovens e estimulou o planejamento sucessório em negócios familiares. Já para as gerações mais antigas, como os baby boomers, o conhecimento acerca das novas tecnologias pode ser um desafio maior que a integração à cultura organizacional. Nesse caso, a resposta é investir em capacitação, a exemplo do que fez a Sicredi Sudoeste MT/PA. A cooperativa de crédito criou o Programa Geração Diamante, projetado para dar oportunidades profissionais a pessoas de 55 anos ou mais. O case da Sicredi Sudoeste MT/PA almeja o que toda cooperativa deve ambicionar: um ambiente de trabalho diversificado, que promove a interação entre pessoas diferentes e fomenta uma organização pronta para abraçar os desafios de cada geração. Por que o cooperativismo combina com a Geração Z A Geração Z pode ser apontada como difícil de gerenciar, ansiosa ou desinteressada em vínculos formais, mas a realidade é que toda organização depende dessa camada da população. Esses jovens já estão no mercado de trabalho, ocuparão cada vez mais postos e, consequentemente, elevarão seu poder de consumo. As organizações que terão sucesso no médio e longo prazo serão aquelas que compreendem os desejos e as necessidades deste público. Uma das características fundamentais da Geração Z é a busca por propósito, tanto no consumo quanto no trabalho. Os jovens preferem interagir com marcas que carregam valores. Nesse cenário, o cooperativismo surge como a alternativa ideal: um modelo de negócio que carrega valores intrínsecos, visando o bem-estar de seus membros ao invés do lucro. A prosperidade gerada pelo movimento vai além das próprias fronteiras – as cooperativas têm como princípio abraçar a comunidade e frequentemente agem em prol de causas ligadas à sua identidade. A Geração Z tende a pensar no impacto social de suas ações e, portanto, enxerga esse tipo de postura com bons olhos. Até mesmo o modelo de gestão cooperativista está alinhado às características da Geração Z. Se os jovens não gostam das estruturas rígidas do trabalho formal, por que não integrar um ambiente de gestão participativa? A possibilidade de atuar ativamente nas decisões de uma cooperativa tem tudo para gerar senso de pertencimento nas novas gerações. Conclusão: um modelo de negócios para as diferentes gerações Atender e engajar cooperados de diferentes gerações exige reconhecer as particularidades de cada público, equilibrando tradição e inovação. Ao combinar linguagem adequada, experiências integradas e canais diversos, as cooperativas criam relacionamentos sólidos e sustentáveis, capazes de unir Baby Boomers à Geração Z em torno de um propósito comum. Talvez a sua cooperativa precise compreender melhor o contexto geral do mercado antes de tomar decisões direcionadas a cada geração. Se esse for o caso, o curso Análise de Mercado, do NegóciosCoop, pode orientar seus próximos passos! Aprimore sua capacidade de coletar, interpretar e utilizar dados, informações e conhecimento. Clique aqui e se inscreva!
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