Inteligência de Mercado
Muitos são os fatores que influenciam ou interferem nos resultados de uma cooperativa. Parte deles está relacionada com questões internas, de gestão e governança, por exemplo, mas outros têm mais a ver com o ambiente externo. Por isso, é fundamental, antes de tomar qualquer decisão, analisar como anda o cenário econômico, quais são as previsões para o nosso setor e atentar-se às variações no mercado. Buscar a maior quantidade de informações possíveis, prezando pela qualidade de cada uma delas. E é isso que você encontra aqui, no ConexãoCoop: análises e dados estratégicos que vão auxiliar na construção de um olhar crítico para compreender as subjetividades, sem perder o foco na tomada de decisões.
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Regulação do cooperativismo de Seguros abre oportunidades de negócios para novo Ramo
O mercado de seguros passa por mudanças desde a Lei Complementar 213/2025. Graças à promulgação da Lei em 15 de janeiro de 2025, o setor sofreu transformações normativas a respeito dos seguros privados, previdência e capitalização. A partir da nova legislação, ficou permitida a atuação de cooperativas de seguros, aumentando a concorrência e abrindo oportunidades para o setor cooperativista Além disso, o Ramo Seguros já foi aprovado em assembleia do Sistema OCB. A criação do oitavo ramo cooperativista ocorreu em 18 de março de 2025, em Brasília, durante Assembleia Geral Extraordinária (AGE) convocada pelo Sistema OCB. Em outros países, o setor está entre os mais fortes do cooperativismo. No Brasil, só em 2024, o mercado segurador atingiu R$ 435,5 bilhões de faturamento. Os dados apontam para uma grande oportunidade que se abre para esse modelo de negócios. Regulamentação em 2025 e contexto de oportunidades A Lei Complementar 213/2025, promulgada no começo do ano passado, foi peça-chave para a entrada do cooperativismo no setor de seguros. A lei permite que, pela primeira vez no mercado brasileiro, as cooperativas possam ser integradas à regulamentação do Sistema Nacional de Seguros Privados (SNSP). O SNSP é o órgão responsável pelos seguros no Brasil. Segundo o Decreto-Lei n.º 73 de novembro de 1966, que rege as operações de seguro, o Sistema Nacional – integrado pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) e pelas sociedades autorizadas a operar em seguros privados e capitalização, foi instituído para operar os seguros privados e a capitalização. A nova lei permite que cooperativas de seguros operem em todos os ramos, exceto os vedados pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), como previdência e capitalização. Cooperativas respondem ao CNSP e à Susep Uma vez que passam a responder ao SNSP, as cooperativas devem cumprir as regras do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP). Essa entidade é formada por representantes do Ministério da Fazenda, da Superintendência de Seguros Privados (Susep), do Banco Central do Brasil e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que determinam as diretrizes e normas dos seguros privados, entre outras atividades. A fiscalização das cooperativas de seguros será feita pela Susep. A autarquia, vinculada ao Ministério da Fazenda, surgiu na década de 60 e tem como responsabilidade assegurar o controle e fiscalização dos mercados de seguros. Oportunidade de crescimento Atualmente, muitos brasileiros, principalmente no ramo de automóveis, ainda não têm acesso a seguros, o que indica um espaço de crescimento para as cooperativas. Júlia Normande Lins, diretora da Susep, relatou em entrevista ao Valor Econômico que, dentro dos 75 milhões de veículos que constituem a frota circulante brasileira, mais de 40 milhões não possuem cobertura por seguro ou por proteção veicular. Desse modo, a entrada do cooperativismo pode ser uma oportunidade de aumentar o acesso ao seguro no Brasil, algo ainda escasso no país. Além disso, o modelo de negócios tem um grande diferencial competitivo. Por se tratar de um negócio coletivo, a proximidade com os cooperados é um destaque das cooperativas de seguros. Cooperativismo de seguros e as mudanças no setor As novas regulações trazem também mudanças para o setor de seguros brasileiro, tanto para os provedores quanto para os consumidores. Maior competição graças à entrada de cooperativas e associações no mercado Ao ampliar a quantidade de participantes no mercado, o decreto ajuda a proporcionar pluralidade no setor e, consequentemente, aumentar a concorrência. A chegada das cooperativas e das associações traz maior competitividade, o que exige dos provedores de seguros uma necessidade de melhorar para se destacar. Além disso, a medida ajuda a promover mais opções para os consumidores, pois a maior concorrência eleva o acesso a diferentes seguros no Brasil. Cooperativas que já existem podem entrar no mercado de seguros A Lei, ao regulamentar a atuação das cooperativas de seguros para além do setor agrícola, de saúde e de acidente de trabalho, oferece espaço para novos ramos do cooperativismo entrarem no mercado, gerando a expansão desse serviço dentro desse modelo de negócios. Cooperativas de crédito e de saúde, por exemplo, podem aproveitar essa possibilidade. Ao Valor Econômico, Helton Freitas, presidente da Seguros Unimed, disse que enxerga caminhos de diversificação dos seus serviços graças à entrada do cooperativismo no mercado de seguros. Multas mais pesadas e maior fiscalização Uma vez sob supervisão da Susep, as cooperativas passam a responder a uma fiscalização mais árdua e responsável. A entidade pode multar os infratores que desobedecem a suas normas ou atuam sem autorização. Se antes da nova lei as multas eram de no máximo R$ 1 milhão, as normas mudaram e agora definem que as cooperativas sancionadas podem ser multadas em até R$ 35 milhões, seguindo os limites predefinidos. Desafios e o que falta definir As transformações, apesar de positivas, também podem representar novos desafios para o cooperativismo. Algumas definições, inclusive, estão em aberto e aguardam decisões jurídicas para oficialização. Definição de Open Insurance e o SRO (Sistema de Registro de Operações) A mudança exige uma atenção maior à fiscalização e à regulação, para que as regras sejam proporcionais e de acordo com o funcionamento das novas entidades do setor de seguros. Segundo a diretora da Susep, a entidade segue avaliando se o Open Insurance e o Sistema de Registro de Operações (SRO) serão obrigatórios para as cooperativas e associações desde o início, pois entende-se que o custo regulatório é um fator determinante para a entrada desses players no segmento. Risco de perda da identidade cooperativista Outro impacto, que precisa de atenção das cooperativas, é o risco de, ao seguir as novas normas, perder as características que moldam a identidade cooperativa. As novas legislações contam com dispositivos que podem restringir a autonomia e a gestão democrática das cooperativas, essenciais nesse modelo de negócios. Necessidade de adaptação às novas regras Para se destacar e ganhar espaço neste segmento, as cooperativas deverão conseguir se adaptar às regras e ao funcionamento do mercado de seguros no Brasil. A capacidade de ajustar as estruturas de capital e governança para cumprir o que é definido pela Susep sem perder a essência cooperativa vai definir o sucesso das operações. Conclusão: o futuro do cooperativismo de seguros “As cooperativas têm uma vocação natural para atuar com responsabilidade e inclusão. Este projeto reforça essa capacidade, permitindo que o cooperativismo contribua ainda mais para a proteção e o bem-estar da sociedade brasileira. É um avanço que reflete a maturidade do setor e a força do diálogo entre as entidades e o poder público”, explica Márcio Lopes de Freitas, presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB. A regulamentação traz mais concorrência e potencial de crescimento para o setor, o que pode ser positivo para os consumidores e para as cooperativas. Mas, a fim de aproveitar esse mercado promissor, será preciso se adaptar às mudanças e ganhar espaço com competitividade no mercado.
Gestão do capital social: como fortalecer a base financeira da sua cooperativa
A gestão do capital social de uma cooperativa é um dos principais pilares da longevidade dos negócios. É com esse conjunto de recursos iniciais que uma cooperativa começa suas operações e vai ganhando força até se estabelecer. Esse investimento não apenas representa um apoio financeiro que os associados dão para a cooperativa, mas também materializa a participação individual na organização coletiva. Entenda sua importância e como essa prática pode fortalecer a cooperativa. O que é capital social? Essencial nas instituições financeiras, o capital social é o montante de recursos que os sócios reúnem para iniciar e manter as operações da organização, assegurando o funcionamento das atividades e o crescimento dos negócios a curto e longo prazo. De forma geral, esse capital pode vir em diferentes formatos. No entanto, é importante destacar que, nas cooperativas de crédito, a integralização dessas quotas-partes é feita exclusivamente por meio de aportes financeiros (dinheiro). Isso garante a formação de uma base financeira com alta liquidez, essencial para a solidez e o cumprimento das regulamentações do setor. Capital social no cooperativismo de crédito No cooperativismo, o capital social também representa a participação dos associados na cooperativa, sendo um investimento que gera retornos para todos os cooperados e para a instituição. Entendendo que todos são donos daquele negócio, o capital social, que chamamos no cooperativismo de quotas-partes, vai representar a parcela de cada membro no quadro geral, garantindo seus direitos iguais na cooperativa. Diferente do dinheiro parado em uma conta comum, o capital social nas cooperativas de crédito costuma ser remunerado anualmente. Essa remuneração, conhecida como Juros ao Capital Social (que pode ser limitada à taxa Selic), faz com que o investimento do associado cresça, gerando um retorno financeiro direto e atrativo. Definição de quotas-partes no cooperativismo Ao entrar em uma cooperativa, você contribui com um ativo inicial que se torna parte do patrimônio líquido nos balanços das cooperativas. O valor investido é a garantia da sua parte na cooperativa e, uma vez que todos investem, o negócio se torna coletivo e pertencente a todos. Os valores investidos, definidos como as quotas-partes, não apenas fortalecem a segurança financeira da organização, como asseguram que o cooperado é um verdadeiro dono do negócio. Aqui, entra um dos maiores diferenciais do modelo: o princípio de 'um membro, um voto'. Não importa se o associado tem uma ou mil quotas-partes, nas assembleias o poder de decisão é igual para todos. Além disso, essa construção patrimonial não acontece apenas na entrada. A capitalização contínua (seja ela mensal ou vinculada ao uso de produtos de crédito) é o que garante o crescimento sustentável da instituição a longo prazo. Importância da gestão do capital social para fortalecer a cooperativa As quotas-partes servem para fortalecer os negócios da cooperativa e sua gestão é essencial para manter a segurança financeira. Entre os principais benefícios dessa prática, destacam-se: Sustentabilidade financeira no início das operações As quotas-partes garantem o dinheiro e a infraestrutura que uma cooperativa precisa para começar as atividades. Até a cooperativa atingir seu ponto de equilíbrio e passar a gerar sobras (que é como chamamos os resultados positivos no cooperativismo, já que a instituição não visa o lucro mercantil), é importante que a cooperativa tenha um valor robusto para seu funcionamento e crescimento. Vale ressaltar que essa importância não é apenas operacional, mas também legal. As cooperativas de crédito devem estar dentro do Índice de Basileia, um indicador internacional de solidez financeira. Ele determina se o valor que entra na cooperativa está com uma proporção segura em comparação ao valor que a instituição está emprestando. Caso essa balança esteja desigual, as cooperativas podem sofrer sanções do Banco Central (BC). Sendo assim, o crescimento do capital social proporcional às operações de crédito é necessário para que as cooperativas de crédito possam crescer de forma saudável, além de obter segurança jurídica e regulatória. Segurança financeira para os cooperados O capital social também garante a segurança financeira para os cooperados. Ao investirem juntos, constrói-se um Patrimônio Líquido robusto, o que transmite estabilidade ao funcionamento das operações. É essa base forte de capital próprio que dá fôlego para a cooperativa operar com segurança e absorver impactos em momentos de oscilação do mercado. Uma cooperativa bem capitalizada, afinal, protege indiretamente as operações de todos os associados, garantindo a continuidade dos negócios mesmo em cenários desafiadores. Investimentos em infraestrutura e necessidades operacionais Para conseguir crescer, uma cooperativa necessita ter uma infraestrutura completa, desde colaboradores preparados até equipamentos e instalações adequados. O capital social tem grande responsabilidade nesse quesito, pois é usado para captar os recursos que uma cooperativa precisa para se consolidar no mercado. Capital social e o associado O capital social também representa o vínculo do associado, exercendo um papel jurídico e de integração do cooperado com a instituição. Ou seja, a quota-parte certifica a união do cooperado, assegurando seu papel na cooperativa. Por conta disso, é dever da instituição estabelecer normas de resgate do capital social, com critérios internos definidos na governança corporativa. De forma coletiva, os associados devem chegar a um acordo de como e quando esse capital social poderá ser devolvido para aqueles que se desligarem da cooperativa. Conclusão: capital social garante o crescimento da marca cooperativa O capital social é um dos pilares mais importantes de uma cooperativa e deve ser estabelecido com princípios e regras para garantir sua efetividade. Quando trabalhado com clareza, ele traz inúmeros benefícios e se consolida como parte essencial dos negócios. Uma boa gestão desses recursos permite que a cooperativa tenha como investir em oportunidades, se proteger de momentos conturbados e crescer com competitividade no mercado. Por conta disso, não basta construir um capital social, mas também se deve saber alocar esses ativos de maneira estratégica e eficiente.
Cooperativas educacionais: um modelo de negócios em que pais, alunos e professores são os protagonistas
Por meio do cooperativismo, professores, pais e alunos conseguem construir instituições de ensino focadas em educação de qualidade, empreendedorismo coletivo e trabalho democrático. São as chamadas cooperativas educacionais, nas quais a união promove melhores condições de trabalho e de aprendizagem. As cooperativas educacionais buscam fomentar a formação de indivíduos com autonomia, mente empreendedora e princípios cooperativos. Conheça exemplos e entenda como esse modelo funciona na prática. Como funcionam as cooperativas educacionais? O cooperativismo educacional constitui um segmento estratégico do cooperativismo brasileiro, dedicado à oferta de ensino de qualidade aliado ao empreendedorismo coletivo e democrático. Sua natureza societária singular garante que o cooperado participe dos processos deliberativos e da construção das estratégias institucionais nas assembleias, assegurando transparência, corresponsabilidade e alinhamento às necessidades do quadro social. Nos aspectos regulatórios, as cooperativas educacionais são principalmente regidas tanto pela Constituição Federal, pela LDB 9394/96 (no caso das cooperativas que são mantenedoras de instituições de ensino), quanto pela Lei 5.764/71 e Lei 12690/12, que estabelecem e dispõem, respectivamente, a Política Nacional de Cooperativismo e organização e funcionamento das cooperativas de trabalho na forma de lei. Tipos de cooperativas educacionais e seus benefícios para alunos, pais e professores Há três segmentos de cooperativas educacionais. Suas características e particularidades dependem de quem forma o quadro social, podendo ser os professores, os pais ou integrar os próprios alunos em um ambiente cooperativista. 1. Cooperativas Educacionais Formadas por Professores – Ramo Trabalho, Produção de Bens e Serviços São alternativas de inserção qualificada no mercado formal de trabalho docente, promovendo melhor remuneração, autonomia profissional, valorização da prática pedagógica e distribuição de renda entre seus associados. Atuando na oferta de serviços educacionais, essas cooperativas estruturam, principalmente, soluções em: ensino de idiomas; consultoria especializada ao setor educacional; cursos preparatórios para o Enem e atividades para o contraturno; ensino superior; ensino formal dedicado à educação básica em escolas particulares. Com forte caráter empreendedor, buscam construir modelos sustentáveis e competitivos frente aos desafios contemporâneos do setor educacional. 2. Cooperativas Formadas por Pais e Responsáveis – Ramo Consumo Têm como finalidade manter e gerir instituições de ensino privadas, assegurando um ambiente escolar adequado para seus filhos ou prepostos, com reinvestimento integral dos recursos na própria instituição. Cada estudante é vinculado a um cooperado, responsável pela contribuição proporcional às despesas definidas coletivamente. A atuação pedagógica é realizada por equipes contratadas, preservando a função dos cooperados como mantenedores, e garantindo que o ensino seja implementado por profissionais habilitados e em conformidade com todas as determinações regulatórias em nível federal, estadual e municipal. 3. Cooperativas Formadas por Alunos de Escolas Técnicas (ETECs) – Ramo Agropecuário Instituídas como instrumentos metodológicos e de governança destas entidades formadoras, esse modelo permite aos estudantes vivenciar todas as etapas da atividade produtiva, desde a elaboração até a comercialização do excedente da produção com foco no retorno para manutenção da própria instituição de ensino. Os alunos gerenciam as atividades com apoio de professores e da comunidade escolar. A experiência gera competências técnicas, empreendedoras e cooperativistas, além de apoiar projetos pedagógicos. Cooperativas educacionais na prática Cooperativas educacionais já existem no Brasil e se consolidam como um modelo eficiente para o desenvolvimento de alunos e professores. Nelas, os estudantes participam de todas as etapas da atividade produtiva, ganhando práticas e vivências que ajudam na sua formação técnica e profissional. Além dessa iniciativa, algumas cooperativas educacionais já se destacam no mercado brasileiro por sua capacidade de oferecer uma aprendizagem de alta qualidade. Confira exemplos: Favoo Coop: uma faculdade que promove a intercooperação A Favoo é uma faculdade cooperativa localizada em Vilhena, no estado de Rondônia, que conta com projetos de intercooperação com a Sicoob Credisul e a Unimed Vilhena. Nesse cenário, a Favoo coloca o universitário como protagonista do processo de aprendizagem. Nela, os estudantes integram o conselho administrativo e fiscal da faculdade. Seu maior diferencial, portanto, está na gestão que, por meio da união dos alunos, foca na coletividade. As sobras obtidas são investidas em melhorias da própria organização e na capacitação do corpo docente e discente. Cooperconcordia: do fundamental ao profissionalizante Outro exemplo é a Cooperconcordia, cooperativa de trabalho formada por professores e instrutores especialistas em desenvolvimento humano e profissional. A cooperativa trabalha com as seguintes frentes: Colégio Concórdia, Aprendiz Cooperativo, Aprendiz 10, Capacita e Cooperativas Escolares. Seus serviços incluem desde a Educação Infantil até a capacitação profissional, abrangendo diferentes etapas educacionais e cursos. Coeducar: cooperativa educacional em Araraquara Constituída em 4 de março de 1993 por 301 cooperados, a Coeducar é uma cooperativa de ensino em Araraquara (SP) que trabalha com alunos da educação infantil até o ensino médio. Sua missão é “instituir e aplicar uma filosofia educacional que busque a renovação permanente e voltada para o desenvolvimento de uma consciência social, participativa, cooperativista, crítica e empreendedora”. Assim sendo, a meta dos associados é trabalhar na educação de crianças e adolescentes pensando no papel transformador que estes podem ocupar no futuro. Educação cooperativa incentiva o desenvolvimento cooperativo nos alunos Além de focar no protagonismo dos estudantes e dos professores no processo de aprendizagem, as cooperativas educacionais também se destacam por promover formação cooperativista para os alunos, moldando jovens para pensar e trabalhar com coletividade e autonomia. As grades são construídas para impulsionar um pensamento empreendedor, sem perder de vista os princípios e pilares cooperativos. Os alunos ganham um forte senso de comunidade e habilidades de trabalho em equipe. Jogar+aprender: uma iniciativa do Sistema OCB Mais um projeto que busca difundir os princípios cooperativos é o Jogar+Aprender, iniciativa do Sistema OCB para atingir o público infantojuvenil de forma digital, lúdica e acessível. O Jogar+Aprender foi criado para propagar o cooperativismo entre crianças e jovens com recursos pedagógicos, como games, cursos e vídeos. Pais e professores também podem ter acesso a materiais didáticos sobre educação cooperativista, cuidados no uso da internet, gestão do tempo de tela, bem-estar emocional, entre outros tópicos importantes na criação. Conclusão: cooperativismo democratiza e amplia a aprendizagem Impulsionar uma sociedade cooperativista começa na educação, formando profissionais e alunos que estudam e vivenciam uma gestão coletiva desde os primeiros anos de escola. Por meio do modelo de negócios cooperativo, pais, alunos e professores se tornam protagonistas do processo educativo, focando na qualidade do trabalho e do ensino. A união desses agentes fortalece a aprendizagem e apresenta impactos que vão além das salas de aula.
Desafios e oportunidades de negócios para as cooperativas agropecuárias em 2026
A crescente digitalização, os juros altos e a necessidade de rastreabilidade são algumas tendências que devem movimentar o agronegócio em 2026. Após um ano marcado pelo crescimento desse ramo, agora é hora de trabalhar com cautela e atentar às demandas do mercado para não ficar para trás. A sustentabilidade se torna indispensável, e devido aos altos custos operacionais será preciso equilibrar o cuidado com o meio ambiente e o aumento da produtividade. Confira as perspectivas de negócios que as cooperativas agropecuárias precisam acompanhar neste ano. Crescimento e transformação do agronegócio brasileiro O ano de 2025 foi positivo para a agropecuária brasileira. As principais culturas produzidas no país apresentaram um aumento no seu rendimento médio, em especial os grãos de milho e soja. Condições climáticas favoráveis foram um impulso para o avanço do setor. Foto: blog do FGV-IBRE Em 2026, o Brasil segue sendo um dos maiores produtores agropecuários mundiais, com destaque nas indústrias de alimentos, fibras e bioenergia. Além disso, nossa influência internacional no mercado tende a crescer graças ao aumento na demanda por grãos, proteína animal e biocombustível. Entre os principais parceiros comerciais, destacam-se as relações do Brasil com a China, União Europeia, Estados Unidos e Oriente Médio. Transformações no setor agropecuário Algumas transformações devem acompanhar o processo de crescimento do Brasil nesse ramo, como: Aumento da digitalização nos processos: as cadeias produtivas estão cada vez mais digitalizadas. Tecnologias e soluções inovadoras estão transformando diversas operações e mudando as dinâmicas do campo. Necessidade de rastrear e monitorar a cadeia produtiva: não apenas uma tendência, agora a rastreabilidade se tornou indispensável. É preciso monitorar e divulgar, com transparência, cada etapa do cultivo e comercialização na agropecuária. Investimento em sustentabilidade e cadeias regenerativas: produções sustentáveis se tornaram sinônimo de mais produtividade e competitividade. Para crescer em um ramo cada vez mais exigente, deve-se investir em práticas regenerativas e zelar pelo meio ambiente. Tendências e perspectivas de negócios para o Ramo Agropecuário em 2026 Em 2026, algumas tendências são centrais para cooperativas agropecuárias. A fim de se consolidar no mercado nacional e também crescer internacionalmente, é essencial que o ramo se prepare nesses pontos: ESG e sustentabilidade no debate climático O agronegócio está ganhando um novo papel nas discussões sobre ESG: o mercado tem olhado para empreendimentos desse setor como grandes responsáveis na busca por sustentabilidade. Isso aumentou após o Brasil receber a COP30, em novembro de 2025, e se consolidar como um país fornecedor de produção confiável e responsável, com intensa busca pela redução da pegada de carbono. Além disso, instituições financeiras estão disponibilizando seu crédito com preferência para negócios que estejam alinhados à responsabilidade ambiental. Para 2026, pode-se esperar carteiras dedicadas a projetos sustentáveis, exigência de boas práticas e penalização para produtores com passivos ambientais. Exigência de rastreabilidade Outro movimento forte de 2026 é a exigência da rastreabilidade, que se tornará obrigatória em vários mercados, como na União Europeia. O bloco passa a exigir que os produtos agrícolas apresentem documentos de comprovação para assegurar que não estejam ligados ao desmatamento, seja ele legal ou ilegal. Entre as principais exigências, as cooperativas do agro devem estar atentas ao georreferenciamento de propriedades e lotes, à criação de uma rastreabilidade integrada por meios digitais, à emissão de documentos que certifiquem a origem legal e ambiental dos seus produtos e aos contratos transparentes sobre fornecimento. Oportunidades do acordo Mercosul-UE Um processo que acontece há mais de 25 anos está finalmente dando passos significativos. O acordo comercial entre os blocos Mercosul e União Europeia já foi assinado e deve apresentar mudanças importantes para cooperativas agropecuárias. Produtos como soja e café terão uma entrada facilitada no mercado europeu, trazendo benefícios para o ramo. Com a redução de tarifas, o fluxo comercial internacional deve crescer, aumentando também as exigências sanitárias, a fiscalização e a necessidade de certificações. Estar de acordo com as conformidades deve ser, mais do que nunca, uma prioridade neste ano. Exportações: câmbio favorável às exportações, mas cenários geopolíticos voláteis Apesar de os cenários estarem favorecendo o comércio internacional, a exportação pode ocorrer de forma mais devagar, devido a uma demanda global mais contida. Além disso, 2026 é um ano eleitoral e, portanto, o desenrolar político tende a aumentar a volatilidade do câmbio e dificultar investimentos. Incertezas rondam o dia a dia dos produtores, que devem ter cuidado na hora de investir em exportação. Cenários geopolíticos instáveis impactam as trocas entre países, e é importante que as cooperativas agropecuárias estejam acompanhando todos os movimentos que de alguma forma geram efeitos no comércio internacional. Desafios no radar: pontos de atenção para cooperativas do agro Apesar de ter espaço para crescimento, 2026 também carrega pontos de atenção que as cooperativas devem ficar de olho. São eles: Lidando com juros altos: a demanda é alta, mas os juros também Ao mesmo tempo em que terão grandes oportunidades de exportação, será preciso prestar atenção a um cenário monetário apertado. A previsão de especialistas é que a Selic continue elevada. Isso reflete em um momento de juros altos, o que dificulta financiamentos e liberação de crédito. Por isso, as cooperativas deverão ter cautela e estratégia para crescer no mercado em 2026, aproveitando os novos mercados, mas sem se deixar cair pelos juros. Altos gastos operacionais: custos de produção avançam Insumos agrícolas se mantêm como uma preocupação para o ramo. As margens operacionais devem permanecer reduzidas até 2027, o que enfraquece produtores de diferentes fases da cadeia produtiva do agronegócio. Com os custos de produção altos, a margem de lucro diminui e o valor para investimentos fica menor. É necessário estratégia e planejamento a longo prazo para que as cooperativas agropecuárias consigam se manter estáveis para continuar crescendo durante o ano. Alta na inadimplência e RJs O terceiro trimestre de 2025 registrou 628 requisições de recuperação judicial, sendo a maior quantidade de pedidos desde 2021. É o que apontam os dados da Serasa Experian, refletindo um momento financeiro complicado para o ramo. Mato Grosso, Goiás e Paraná foram os estados que registraram a maioria dos pedidos. Na mesma pesquisa, Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, ressalta que esse aumento evidencia os desafios que os produtores têm de equilibrar as entradas e saídas do caixa, muitas vezes lidando com dívidas que duram anos ou tentando crescer sem o planejamento econômico necessário. Manter uma organização financeira se torna, dessa maneira, outra prática indispensável para as cooperativas em 2026. Até mesmo porque a alta nas recuperações judiciais e na inadimplência afeta a disponibilidade e os juros do crédito rural. Conclusão: com atenção e tempo, 2026 pode ser positivo para cooperativas agropecuárias O ano de 2026 traz um cenário com boas oportunidades para as cooperativas agropecuárias, mas é preciso ter cautela para não se perder no caminho. As cooperativas agropecuárias devem investir em sustentabilidade e produtividade se quiserem se destacar, já que o crescimento do ramo vem acompanhado de novas exigências e transformações. Estar sempre precavido, com um olhar atento para o que está acontecendo no Brasil e no Mundo, é a melhor forma de garantir seu espaço no setor agropecuário este ano. Que tal usar dados de mercado para tomar decisões de negócios mais precisas? Confira o curso de Análise de Mercado na CapacitaCoop e aprimore sua capacidade de coletar, interpretar e utilizar dados, informações e conhecimento sobre o mercado!
Como o cooperativismo habilita os negócios da agricultura familiar
A agricultura familiar é responsável por grande parte da produção de alimentos e do desenvolvimento econômico em áreas rurais do Brasil. Apesar de ser extremamente importante para o setor agropecuário brasileiro, ainda existem várias barreiras que prejudicam a agricultura familiar no mercado. A falta de escala, as dificuldades logísticas e os entraves burocráticos são alguns empecilhos que comprometem pequenos empreendedores e negócios familiares. Para crescer e contornar essas situações, o cooperativismo se torna uma alternativa que fortalece esses empreendimentos graças à união dos produtores. Cooperativas de agricultores têm mais facilidade de negociar, vender e comprar de forma igualitária a outras instituições do setor. Confira os benefícios desse modelo e entenda como a agricultura familiar ganha força com o cooperativismo. Boa leitura! O que é agricultura familiar A agricultura familiar é aquela que se baseia no trabalho de pequenos agricultores e famílias rurais. Para serem consideradas nesse grupo, as famílias devem se enquadrar nas condições definidas pela Lei nº 11.326, de julho de 2006. A Lei da Agricultura Familiar, como foi apelidada, define práticas de agricultura familiar aquelas que estão de acordo com os seguintes requisitos: As famílias não podem ter mais do que quatro módulos fiscais de terra, sendo esta uma unidade de medida em hectares, que varia para cada município. A mão de obra da própria família deve ser o principal meio de produção do empreendimento. A família não pode ter mais do que o percentual mínimo da renda familiar originada pelo empreendimento, na forma definida pelo Poder Executivo. Os agricultores e sua família devem ser os próprios dirigentes do estabelecimento ou empreendimento. Importância da agricultura familiar Esse modelo de produção é essencial para o desenvolvimento econômico e social da economia brasileira, e cerca de 77% dos estabelecimentos de agronegócio do país são de agricultura familiar, como mostram os dados do Censo Agropecuário de 2017, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento também mostra que 23% do valor gerado pelo agro brasileiro é de responsabilidade desses produtores, o que justifica a relevância desse modelo tanto para o mercado quanto para a sociedade, pois a agricultura familiar garante boa parte do abastecimento de alimentos no Brasil. A agricultura de pequenos produtores rurais também é de extrema importância para a criação de oportunidades, gerando empregos em regiões rurais e afastadas das metrópoles, e para movimentar o comércio em pequenas comunidades. Dificuldades de pequenos agricultores para fazer negócios Por serem empreendimentos de menor porte, algumas dificuldades atingem o mercado da agricultura familiar. A maioria desses agricultores carece de grandes recursos, infraestrutura e mão de obra para competir de frente com os outros players do mercado. Entre as principais limitações, algumas se destacam: Dificuldade de acesso ao crédito Talvez o principal desafio que os agricultores familiares enfrentam é a falta de acesso ao crédito. Enquanto grandes instituições do agronegócio possuem alta presença nas carteiras de crédito, apenas 15% dos agricultores familiares obtêm crédito, segundo análise do Climate Policy Initiative/Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (CPI/PUC-Rio) com base nos dados do Censo Agropecuário 2017 (IBGE). Com a falta de financiamento adequado, os produtores têm limitações para modernizar suas práticas e melhorar a produtividade. Burocracia e as exigências legais Outro grande entrave para os pequenos produtores são as exigências legais e processos burocráticos, como a emissão de notas fiscais eletrônicas (NFe). A falta de acesso à tecnologia e recursos necessários para cumprir tais obrigações pode se tornar um obstáculo para pequenos produtores, que carecem muitas vezes de assistência técnica ou até mesmo de internet. Falta de infraestrutura nas áreas rurais As áreas rurais, principalmente as mais afastadas e de responsabilidade de pequenos agricultores, podem muitas vezes sofrer com a falta de infraestrutura necessária para o trabalho e locomoção. Graças a estradas precárias e falta de transporte adequado, essas regiões acabam ficando isoladas, o que dificulta os negócios, diminui sua competitividade no mercado e, consequentemente, prejudica a sua renda. Falta de assistência técnica e orientação especializada Outro gargalo desse setor é a falta de orientação técnica. Com informações precisas, os empreendimentos de agricultura familiar podem aprimorar seus processos, com um cultivo mais sustentável e produtivo. Muitas vezes, porém, essas famílias carecem de profissionais e capacitação, ficando de fora de grandes discussões que poderiam melhorar seu trabalho. Mudanças climáticas O aquecimento global e seus efeitos já se tornou um problema crítico no mundo todo, com consequências em diversos setores e na agropecuária não seria diferente. A desigualdade, porém, faz com que esses efeitos sejam ainda mais fortes para agricultores familiares. Com o risco de perderem colheitas ou terras, esses negócios, que dependem completamente das plantações para sobreviverem, veem ameaçada a sua maior fonte de sustento. Ajuda governamental para agricultores familiares Visando diminuir a desigualdade e fortalecer esse modelo de agricultura tão crucial para o país, o governo conta com algumas iniciativas que fortalecem o desenvolvimento sustentável desses empreendimentos. Os principais são o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA): O PNAE determina que parte dos alimentos comprados pelo governo para a alimentação dentro de escolas públicas devem ser provenientes de agricultores familiares, ajudando a gerar renda aos produtores e oferecendo alimentos de qualidade aos alunos. O PAA estabelece que os alimentos comprados pelo poder público para instituições que promovem a segurança alimentar devem vir de agricultores familiares, o que incentiva a produção sustentável desses empreendimentos e garante a qualidade da comida oferecida à população. Como as cooperativas podem ajudar a agricultura familiar De diversas maneiras, o cooperativismo ajuda os pequenos produtores a adentrarem no mercado. Graças à união dos empreendimentos, esse modelo adequa as produções para o consumidor, aproxima os produtores dos clientes e fortalece as marcas. Alguns benefícios do cooperativismo na agricultura familiar são: Escala para vendas maiores Vender por meio de cooperativas permite que os agricultores familiares tenham mais produtos e, consequentemente, melhor poder de negociação. As cooperativas chegam de forma mais sólida ao mercado, e a escala garante que esses pequenos agricultores possam competir com grandes instituições do setor. Facilidade para adquirir produtos mais baratos Quando os agricultores familiares se juntam para formar uma cooperativa, esses empreendimentos ganham uma escala maior que facilita sua comercialização. Ou seja, ao invés de comprar insumos, produtos e equipamentos em pequena quantidade, se reúnem para conseguir melhores preços e condições. As exigências do mercado, seja de certificação, sustentabilidade, rastreabilidade ou jurídicas, ficam também mais fáceis de serem cumpridas, uma vez que as cooperativas conseguem mais acesso a tecnologias e orientação especializada. Tudo isso resulta em uma margem maior nos resultados, pois os gastos diminuem de maneira significativa. Acesso à melhor infraestrutura e equipamentos Ao vender e comprar com mais facilidade, a margem de ganhos permite que esses empreendimentos consigam investir mais em infraestrutura e equipamentos. É possível comprar em conjunto, o que garante maior acesso a tecnologias e ferramentas que, de forma individual, as famílias provavelmente não conseguiriam. Além disso, fica mais fácil conseguir investimentos e linhas de crédito, já que as cooperativas têm mais robustez para negociar com as instituições financeiras. Tudo isso aumenta a eficiência dos produtores e sua competitividade. Sustentabilidade e responsabilidade social Junto a todos os benefícios que o cooperativismo traz para os negócios, esse modelo carrega um espírito de comunidade que fortalece os cooperados, gerando inclusão social, apoio e fortalecimento dos produtores rurais. As cooperativas também trabalham com forte responsabilidade ambiental e crescimento sustentável. Práticas de agricultura regenerativa e cuidados com o meio ambiente já fazem parte do ramo cooperativo de agropecuária. Conclusão: cooperativismo impulsiona agricultura familiar Graças ao modelo cooperativista, pequenos agricultores podem se juntar e conquistar mais espaço no mercado. As cooperativas de agricultores familiares se tornam um caminho para o crescimento desses negócios e fortalecem um ramo essencial para a economia brasileira. Para compreender mais a fundo a relação entre cooperativismo e agricultura familiar, e conhecer as modalidades de compras governamentais abertas para as cooperativas agropecuárias, confira o curso digital Agricultura Familiar nas Compras Públicas, uma iniciativa da plataforma de ensino à distância CapacitaCoop.
Financiamento sustentável gera oportunidades de negócios para cooperativas
A relevância da sustentabilidade para os negócios nunca foi tão grande quanto agora. A agenda ESG (Ambiental, Social e Governança, em inglês) ganha evidência, o consumidor está cada vez mais consciente e os posicionamentos institucionais em relação ao meio ambiente estão sob o interesse da sociedade. Promover iniciativas sustentáveis é, portanto, um ótimo negócio tanto para as cooperativas quanto para o planeta. Não somente do ponto de vista reputacional, como também do financeiro. Mas é justamente esse aspecto que trava ótimas ideias: a falta de recursos. Captar recursos é, portanto, uma ótima alternativa para tirar iniciativas verdes do papel sem prejudicar as finanças da cooperativa. Conheça formas de captar financiamento sustentável para dar vida a projetos e veja exemplos de cooperativas que se beneficiaram dessas oportunidades. Por que iniciativas sustentáveis são bom negócio Antes de nos aprofundarmos em formas de obter financiamento para viabilizar iniciativas sustentáveis e em exemplos de cooperativas que operam dessa forma, vamos nos ater à pergunta que toda cooperativa já se fez ou questionará em algum momento: direcionar esforços para conduzir projetos verdes traz resultados? A resposta é, inquestionavelmente, sim. Claro que o argumento ambiental é fundamental para justificar essa resposta, tendo em vista o papel destes projetos para a preservação dos recursos naturais e pela construção de um mundo melhor para as gerações futuras. O impacto, porém, também é válido para os negócios da cooperativa. Sustentabilidade é uma vantagem competitiva que ajuda empresas a crescerem. De acordo com estudo da McKinsey divulgado em 2019, organizações com propostas ESG bem definidas são melhor avaliadas financeiramente, têm acesso facilitado a entidades governamentais e podem conquistar a preferência do público a partir de seus valores. O mesmo artigo aponta também que ser sustentável é uma forma de reduzir custos. Reformular a produção, recorrer a materiais reciclados e investir em energias limpas e eficientes são exemplos de como o ecologicamente correto também é saudável para o orçamento das organizações. A reputação da cooperativa também está em jogo. A imagem de uma organização preocupada com o desenvolvimento sustentável atrai pessoas e instituições, tanto para trabalhar em conjunto quanto para fechar negócios. Todos esses fatores demonstram que transformar a preocupação com o meio ambiente em medidas efetivas é um investimento e tanto para qualquer cooperativa. Como práticas ESG facilitam o acesso a financiamento sustentável Agora que você já tem diversos motivos para apoiar a implementação de projetos verdes na sua cooperativa, é hora de pensar em como executá-los. E, seja qual for a sua ideia, há algo necessário para fazê-la sair do papel: recursos financeiros. Este é um problema real do qual não há escapatória, afinal, a falta de recursos é a principal barreira para a inovação em cooperativas. É preciso, portanto, encontrar formas de contornar este empecilho. Uma alternativa viável para captação de recursos é através de linhas de crédito. Encontrar a melhor alternativa e acessar esses recursos demanda análise de risco por parte do tomador. O aspecto ambiental precisa entrar na análise. Segundo estudo da Bain & Company, o financiamento ligado a projetos ESG está correlacionado ao desempenho consistente e à menor inadimplência. Sustentabilidade e saúde financeira parecem realmente caminhar lado a lado. Um estudo da Brazilian Business Review verifica que o desempenho ESG reduz o custo de capital e as restrições financeiras para empréstimos mais baratos em países do BRICS. Linhas de crédito verde O desempenho e as facilidades encontradas para empréstimos atrelados a iniciativas sustentáveis ocorrem porque as instituições financeiras consideram o impacto ambiental em suas avaliações. Também preocupadas com o meio ambiente e atentas à própria reputação, essas organizações têm mostrado seu lado ESG através de linhas de crédito especiais. O BNDES, banco federal que é parceiro do cooperativismo, possui vasto portfólio de produtos sustentáveis. O BNDES Finem apresenta diversas alternativas de financiamento para projetos verdes e geração de energia renovável, por exemplo. O Fundo Clima é uma alternativa com várias modalidades de financiamento de projetos para redução de gases aceleradores do efeito estufa. Há, ainda, os Debêntures em Ofertas Públicas, títulos de dívida que têm como um de seus principais objetivos investir em sustentabilidade. O cooperativismo manifesta seu interesse pela comunidade através de linhas verdes com condições favoráveis. Ao longo dos últimos anos, o setor fomentou, por exemplo, o acesso a água tratada e a rede de esgoto, a instalação de fontes de energia renováveis e a redução das emissões de carbono no agronegócio. Instituições como Sicredi, Unicred e Viacredi são protagonistas nessa missão. Plano Safra e a sustentabilidade no campo Já é de conhecimento das cooperativas e de organizações agropecuárias em geral que o Plano Safra é o principal instrumento governamental de apoio a este importante ramo da economia brasileira. Lançado em 2002, o projeto seguirá ativo para a safra 2025/2026. Na safra 2024/2025, mais de R$ 107,3 bilhões foram destinados a linhas de financiamento para investimentos, programas que viabilizam a inovação e a modernização das atividades produtivas. Nesse cenário, a produção amigável ao meio ambiente entra na balança na hora de buscar acesso a tais recursos. De acordo com o Governo Federal, incentivar sistemas de produção ambientalmente amigáveis é uma prioridade. Ter o Cadastro Ambiental Rural (CAR) regularizado e analisado é um critério para contemplar os pedidos de produtores rurais. A adoção de práticas sustentáveis pode, inclusive, proporcionar redução de até um ponto percentual na taxa de juros de custeio. O Plano Safra já é capaz, portanto, de impulsionar o agronegócio rumo à produtividade ecologicamente sustentável. Porém o Sistema OCB enxerga potencial ainda maior para contemplar as necessidades das cooperativas. Por isso, a entidade apresentou propostas ao Ministério da Agricultura e Pecuária, incluindo um pedido por redução nas taxas de juros. Outras opções de financiamento sustentável O crédito é, certamente, a forma mais consagrada para uma cooperativa obter recursos para o financiamento sustentável para seus projetos. O aspecto sustentável abre caminhos e diminui entraves, mas o crédito nem sempre é uma opção viável. Caso contrair novas dívidas não seja possível dentro do atual contexto da organização, não desista: é possível encontrar alternativas para alavancar iniciativas verdes. Um meio para captação de recursos é a entrada no mercado de créditos de carbono. Foi sancionada em dezembro do ano passado a lei que institui um mercado regulado, no qual empresas e cooperativas com projetos que reduzem emissões de carbono podem vender créditos para aquelas que ficam acima da meta. O agronegócio não está incluído nas obrigatoriedades, mas pode participar do mercado voluntário através de atividades como recomposição e manutenção de vegetação nativa. Outra opção para financiar projetos sustentáveis é através de editais de fomento. Diversas instituições ligadas ao Governo promovem editais de recursos reembolsáveis – nos quais o capital precisa ser devolvido – e até mesmo os não reembolsáveis – quando o capital não precisa ser devolvido. Para saber mais detalhes sobre como funciona esta forma de captação de recursos, confira este artigo do NegóciosCoop. Cooperativas e o financiamento sustentável na prática Agora que você já sabe diversas possibilidades de captação de recursos para iniciativas verdes e entende formas de acessá-las, é hora de conhecer exemplos de cooperativas que conquistaram apoio financeiro para executar seus projetos sustentáveis – um caso é no ramo agropecuário e o outro é em infraestrutura. Intercooperação viabiliza hidrelétrica da Certel A Certel, cooperativa gaúcha do ramo de infraestrutura, sempre busca formas de impulsionar o desenvolvimento regional através do fornecimento de energia elétrica. Ao identificar os benefícios que uma hidrelétrica traria, tanto do ponto de vista econômico quanto ambiental, a cooperativa decidiu se esforçar para tirá-la do papel. A grande questão passou a ser a captação de recursos: eram necessários R$ 50 milhões. Devido à familiaridade com o sistema Sicredi, a Certel procurou a instituição de crédito em busca de soluções. Como o projeto era grande demais para uma cooperativa financiar sozinha, outras singulares se uniram à iniciativa, constituindo um grande grupo: Certel, Sicredi Região dos Vales, Sicredi Ouro Branco, Sicredi Integração RS/MG e Sicredi Botucaraí. As cinco cooperativas dividiram igualmente os custos para a construção da estrutura, com o Sicredi fornecendo boas condições de crédito, garantias adequadas e conta reserva nula. A Hidrelétrica Vale do Leite pode atender a 19.200 pessoas e gera eletricidade de forma renovável. Cooabriel leva energia renovável à sua comunidade A Cooperativa Agrária de Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel) atua há 61 anos no Espírito Santo e tem como seu carro chefe a produção de café conilon. A cooperativa também tem como foco estimular o desenvolvimento de sua região, e detectou a necessidade de apoiar a geração de energia elétrica. O telhado do armazém da Cooabriel abrigará um complexo de usinas de geração de energia fotovoltaica em São Miguel da Palha. O projeto, lançado em 2023, tem potência suficiente para atender mais de 300 residências de forma sustentável. Para o projeto ganhar vida, a Cooabriel contou com aporte da cooperativa Ciclos, que concedeu recursos na ordem de R$ 3 milhões. O Sicoob ES também faz parte da operação, atuando como agente financeiro que permite aquisição de cotas da usina. Conclusão: a jornada pelo financiamento sustentável Com detalhes sobre os modelos e exemplos práticos, fica fácil de perceber que projetos sustentáveis podem ser viáveis financeiramente e trazer incontáveis benefícios para a cooperativa, seja nos negócios ou na reputação perante a sociedade. Se sua cooperativa já tem um projeto verde e só precisa encontrar uma fonte de recursos, não perca tempo e acesse já o Radar de Financiamento do InovaCoop! Nesta plataforma você terá acesso a um painel exclusivo e poderá encontrar os recursos mais adequados à sua realidade.