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    Os desafios e as tendências para os negócios das cooperativas de crédito em 2026

    O ano de 2026 apresenta muitas oportunidades de negócios para as cooperativas de crédito, mas também impõe desafios que precisam ser compreendidos e enfrentados pelo setor para que o Ramo continue crescendo e ganhando protagonismo perante o Sistema Financeiro Nacional. Tania Zanella, presidente-executiva do Sistema OCB, aponta que 2026 será um ano de priorização e escolhas estratégicas para o cooperativismo por conta das eleições. Ela reforça que o cooperativismo precisará trabalhar o fortalecimento da governança, a agenda de financiamento e a adaptação do setor a um cenário socioeconômico em transformação. Além disso, as cooperativas de crédito precisam lidar com juros altos, inadimplência, dificuldades no setor agropecuário e a busca pelo protagonismo na vida do cooperado. Enquanto isso, o próprio Ramo passa por transformações setoriais que influenciam as estratégias de negócios para o ano. 5 desafios e tendências para os negócios no cooperativismo de crédito em 2026 Neste artigo, reunimos cinco temas, tendências e desafios que impactarão os negócios das cooperativas de crédito no decorrer de 2026. Boa leitura! 1. A alta nas recuperações judiciais no agronegócio O ano passado foi marcado por um grande crescimento nas recuperações judiciais do agronegócio. De acordo com a Serasa Experian, o agronegócio brasileiro registrou 1.990 solicitações de RJ. Trata-se, portanto, do maior número registrado desde o início da série histórica. Esse valor representa um crescimento de 56,4% em relação a 2024. Os produtores rurais que atuam como pessoa física registraram 853 pedidos; já os agricultores e pecuaristas que operam como pessoa jurídica registraram 753 pedidos de recuperação judicial em 2025. Por fim, as empresas com atuação relacionada ao agronegócio registraram 384 acionamentos do instrumento no ano. Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian explica que “o ambiente de crédito mais restritivo, combinado à manutenção de custos elevados de produção e a uma alavancagem elevada, continuou impactando o fluxo de caixa das operações rurais”. Esse cenário pode pressionar as carteiras de crédito das cooperativas com alta participação no segmento rural no decorrer de 2026. Prevenção e repercussão Para enfrentar esse desafio, as cooperativas devem observar os dados a fim de realizar a concessão de crédito de forma inteligente. De acordo com a Serasa Experian, produtores que entraram em recuperação tinham pontuação inferior à média por três anos antes do pedido. Além disso, uma decisão do STJ pode impactar a dinâmica das cooperativas perante esse cenário. A corte firmou entendimento no sentido de que créditos oriundos de atos cooperativos não se submetem aos efeitos da recuperação judicial. Essas dívidas passam a ser, portanto, extraconcursais. 2. Tecnologia e dados na análise de crédito Os dados ocupam um papel cada vez mais importante na análise e concessão de crédito. As cooperativas financeiras devem adotar os recursos tecnológicos que aumentam a profundidade dessa análise a fim de construir carteiras de crédito mais saudáveis e robustas. Em um cenário de juros altos, no qual a taxa Selic se mantém a 14,75% ao ano sem previsão de novos cortes pelo Banco Central até o final de 2026, o crédito fica mais caro. O país passa por um crescimento constante na inadimplência desde 2016. Há dez anos, 59 milhões de brasileiros estavam inadimplentes; agora, esse número chega a 81,7 milhões. A alta só foi atenuada no período da pandemia devido às políticas de renegociação. Neste intervalo, o valor total das dívidas também disparou 54,9% em valores com a inflação já descontada. Para manter as cooperativas robustas e saudáveis, é preciso aproveitar as novas ferramentas de análise de dados. Esse fator pode fazer uma grande diferença para a solidez dos negócios. Diante disso, os dados da Serasa Experian trazem uma boa notícia: as cooperativas são líderes em recuperação de crédito. Números referentes a outubro de 2025 revelam que, nas cooperativas de crédito, a taxa de recuperação é de 70%, a maior em comparação a todos os outros setores analisados. Os bancos, por exemplo, registram 61,8%. 3. Expansão da rede presencial - na contramão dos bancos tradicionais Por um lado, os bancos tradicionais fecham agências e reduzem a rede de atendimento presencial perante um discurso de digitalização e otimização de custos. Estatísticas do Banco Central indicam que o país perdeu 37% das agências bancárias em dez anos. Em contrapartida, as cooperativas aceleram a inauguração de novos postos de atendimento e ampliam a presença em cidades do interior, apostando em uma estratégia de negócios calcada na proximidade. Dados do BC mostram que o setor de cooperativas de crédito apresentou um aumento de 56,09% na quantidade de postos entre 2019 e 2024. A estratégia tem dado resultados positivos: o Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC) tem crescido em uma velocidade superior à média do Sistema Financeiro Nacional. Além disso, as cooperativas cumprem um importante papel social ao promover a inclusão financeira a comunidades desassistidas pelo sistema bancário tradicional. O AnuárioCoop 2025 aponta que em 469 municípios brasileiros, as cooperativas representam a única instituição financeira com atendimento presencial. Essa aceleração na abertura de novos postos e a expansão até mesmo deu origem a um chamado “Clube dos 100” - cooperativas singulares  que somam mais de cem postos de atendimento. Apostar na ampliação da rede de atendimento presencial, no entanto, não significa abrir mão do atendimento digital eficiente. O caminho é proporcionar uma experiência que mescle o presencial e o digital, de forma a atender diferentes perfis de cooperados. 4. Alta nas fusões e incorporações As estatísticas do AnuárioCoop 2025 apresentam uma realidade curiosa: por um lado, o número de cooperados das cooperativas de crédito cresce continuamente com o decorrer dos anos. Por outro, a quantidade total de cooperativas singulares recua. Esse movimento indica uma crescente nos processos de fusão e incorporação no Ramo. Fusão: ocorre quando duas ou mais cooperativas se unem em uma nova instituição que agrupa cooperados e capitais das cooperativas originais. Incorporação: se dá quando uma determinada cooperativa incorporadora absorve outra, incorporada, que deixa de existir. Os associados e ativos da segunda são assumidos pela primeira. Processos de fusão e incorporação são estratégias que as cooperativas de crédito encontraram para otimizar a eficiência operacional, enxugar gastos, ganhar escala, aumentar a oferta de produtos e melhorar a saúde financeira. Fusões e incorporações seguem ocorrendo em 2026 Trata-se, portanto, de uma decisão de negócios complexa, mas enxergada por muitas cooperativas como uma forma de potencializar os resultados em 2026, tendo em vista que processos de fusão e incorporação seguem acontecendo neste ano: O Sicredi Ouro Verde MT/PA nasceu com 220 associados a partir da fusão entre a Sicredi Norte PA e a Sicredi Ouro Verde MT. A Cresol Transformação oficializou unificação com a Cresol Alternativa e passou a reunir mais de 34 mil cooperados em Santa Catarina e Minas Gerais. A Cresol Pioneira concluiu a transformação da Credi Aliança, ampliando sua atuação no norte do Paraná. 5. A busca pela principalidade na vida do cooperado Um dos grandes desafios das cooperativas é se tornar a instituição financeira primária de seus associados. Para isso, o Ramo vive um momento de ênfase na diversificação de serviços e, consequentemente, fonte de receitas, para além das tradicionais operações de crédito. Nesse sentido, cada cooperativa precisa entender o perfil dos seus cooperados a fim de proporcionar os serviços financeiros adequados e, com isso, ganhar a principalidade na sua vida financeira. Alguns dos serviços oferecidos para ampliar o portfólio das cooperativas de crédito são consórcios, adquirência, seguros, previdência complementar e investimentos. Algumas iniciativas já estão conseguindo ganhar espaço nesses mercados. O Sistema Sicoob, por exemplo, ganhou força como adquirente por meio do Sipag 2.0, projeto premiado internacionalmente. A iniciativa aproxima a cooperativa de seus cooperados PJ. A Unicred, que atende a um segmento de renda mais alta, quer se tornar a plataforma de investimento de seus cooperados com a corretora ZIIN. Já no mercado de consórcios, o destaque fica com o Sistema Sicoob, que opera por meio de uma administradora própria com carteira de R$ 50 milhões ao final de 2024. A agenda institucional do cooperativismo de crédito em 2026 O Sistema OCB divulgou sua agenda institucional para o ano, revelando as prioridades estratégicas do setor cooperativista e sua atuação junto aos três poderes. A agenda do Ramo Crédito consiste em: Destaques Agenda propositiva com o Banco Central: foco na busca por melhorias regulatórias, segurança jurídica e adequação das normas prudenciais às especificidades do modelo. O objetivo é garantir um ambiente estável que sustente o crescimento das cooperativas, fortalecendo a governança e ampliando seu impacto direto no desenvolvimento regional e na interiorização do crédito no Brasil. Fundos constitucionais: superar os obstáculos no repasse de recursos ao cooperativismo de crédito para corrigir a atual concentração de financiamentos em municípios já desenvolvidos. O objetivo é garantir que o fomento alcance localidades remotas e de pequeno porte, desassistidas por grandes bancos, aumentando a eficácia e a democratização da distribuição desses fundos. Outros temas Campanhas promocionais: ações promocionais das cooperativas impulsionam a conscientização financeira e a adesão a serviços por meio de incentivos atrativos, exigindo, contudo, rigorosa conformidade regulatória para garantir a transparência e a proteção do consumidor. Garantia da participação em processos licitatórios: assegurar a inclusão isonômica das cooperativas de crédito nas licitações do INSS para o pagamento de benefícios é fundamental para ampliar a capilaridade do atendimento, fortalecer a concorrência e valorizar o modelo cooperativista nas políticas públicas federais. Conclusão O ano de 2026 representa um período de maturação e decisões estratégicas para o cooperativismo de crédito no Brasil. Diante de um cenário macroeconômico desafiador, marcado por juros elevados, pressão no agronegócio e altos índices de inadimplência, o setor busca seguir uma trajetória de crescimento com solidez financeira.