Crescimento global do consumo de proteínas abre novas oportunidades para o cooperativismo
O consumo de proteínas está aumentando cada vez mais. Podendo vir em diferentes formatos, como cortes de carne, snacks proteicos e shakes com whey, esses produtos apresentam uma grande oportunidade de investimento - e um potencial enorme para cooperativas que souberem embarcar na onda.
Diferentemente dos outros dois macronutrientes, a gordura e o carboidrato, a proteína se destaca e tem ganhado um espaço sem igual no mercado de alimentos. Ela deixou de ser apenas uma parte da refeição para virar uma peça essencial, um sinônimo de comer bem e ter um estilo de vida saudável.
Economicamente falando, o mercado está abundante e há abertura para quem conseguir inovar, trazer novos produtos e atender à demanda alimentar. Veja os dados e confira dicas de como entrar nesse setor!
A proteína virou tendência mundial
A preferência dos consumidores pelas diferentes formas de proteína transformou o mercado dos Estados Unidos. A pesquisa The 2025 Protein Profile, promovida pela empresa de agronegócio Cargill, apontou que 61% da população estadunidense ampliou o consumo de proteína em 2024, se comparado ao ano anterior.
Para os entrevistados, a proteína deixou de ser apenas uma peça principal do almoço e jantar para ganhar espaço também em outras refeições, como lanches e snacks. Opções de fácil consumo, como barras proteicas, shakes e whey protein têm se tornado uma escolha de muitos americanos. Ao todo, 63% deles responderam que buscam o macronutriente em suas comidas rápidas.
Cenário global
O aumento do consumo da proteína, fenômeno ligado à busca por um estilo de vida com mais saúde e bem-estar, já saiu do horizonte americano e se tornou um movimento mundial. A pesquisa Global Animal Protein Market, da Mordor Intelligence, apontou que o valor do mercado de proteína animal em 2024 era de US$ 9,41 bilhões, e a estimativa é que chegue a US$ 11,97 bilhões até 2029, com uma taxa de crescimento anual de 4,93%.
Esses números comprovam que o mercado de alimentação proteica está em seu auge. No cenário global, a região Ásia-Pacífico é a principal fonte de consumidores desse mercado, com destaque para a China, que representou 33,8% do consumo em 2022.
A procura por alimentos e bebidas ricos em proteínas é grande, graças ao mercado fitness que vem também avançando. Na China, a mesma pesquisa mostra que cerca de 80% da comunidade fitness opta por alimentos ricos em proteínas como sua principal fonte de energia e fortalecimento de músculos.
A proteína no mercado brasileiro
Na América Latina, o cenário é parecido. Dados da consultoria Kantar mostram que quase 70% dos latinos têm intenção de manter ou até aumentar a ingestão de proteínas. Nesse continente, a carne vermelha segue sendo a favorita do público: no Brasil, Argentina e Chile, mais de 75% da população afirma que não pretende reduzir o seu consumo.
Além disso, informações da Associação Brasileira de Proteína Animal apontam que a demanda por proteína de aves aumentou no país. Ao mesmo tempo, houve um avanço histórico na ingestão de ovos: foram cerca de 288 unidades por habitante em 2025, com perspectiva de subir para 306 em 2026.
As proteínas de origem vegetal e as híbridas também ganharam força graças à exigência crescente por sustentabilidade e produtos com baixo impacto ao meio ambiente.
Tais mudanças de hábito são um reflexo da busca em alta dos brasileiros por um estilo de vida mais saudável e sustentável. Se antes as comidas com um alto valor proteico eram a preferência apenas de atletas, agora elas são populares para uma parcela muito maior e mais difusa da população.
Oportunidades para o cooperativismo
O crescimento do mercado de produtos proteicos, que é amplo e diverso, apresenta muitas oportunidades para os negócios. As cooperativas devem se preparar, estudando o mercado e suas demandas, para conseguir acompanhar o movimento e ganhar espaço.
Para se destacar com competitividade, é preciso inovar e entregar aquilo que os clientes solicitam: comidas rápidas, saudáveis, ambientalmente responsáveis e proteicas. Veja algumas oportunidades:
Carne vermelha, peixe e aves possibilitam diversificação de mercados
Uma vantagem do mercado de proteínas é a quantidade abrangente de cortes e tipos de carne que um produtor pode investir. Cooperativas agropecuárias têm a possibilidade de trabalhar com diferentes animais, oferecendo produtos como frangos, suínos, bovinos e peixes.
Essa robustez ajuda a construir uma diversificação de catálogo e das fontes de receita. Assim sendo, é possível explorar diversos mercados nacionais e internacionais, de acordo com tendências locais mais específicas.
Aumento no consumo de suplementos, whey e bebidas proteicas
A busca por uma vida mais equilibrada tem gerado efeito nas prateleiras. Produtos fitness de alto valor proteico se tornaram os queridinhos dos consumidores. O mercado brasileiro de bebidas com proteína, por exemplo, já tem seu valor estimado em R$ 2,1 bilhões, com previsão de atingir R$ 3,1 bilhões em até três anos.
As academias são outro setor em expansão, com um crescimento anual de 13,97%, segundo pesquisa “Mercado de Academias no Brasil: Dados e Tendências”, do Sebrae. O público que treina costuma adaptar sua alimentação para ganho de massa muscular, e assim o consumo de whey e suplementos proteicos também aumenta.
Tudo isso leva a um contexto favorável para investimento. As cooperativas podem criar ou adaptar seus produtos para ter um maior valor proteico, atingindo um público que busca nutrição em primeiro lugar, vão encontrar vantagem estratégica. A CCGL, por exemplo, está atenta à tendência e lançou um leite em pó proteico desnatado.
Oportunidades com diferentes fontes de proteína: animal e vegetal
Quando o assunto é proteína, é importante ter um olhar amplo e fora do senso comum: existe muito desse macronutriente fora de alimentos de origem animal. Apesar de as carnes serem conhecidas como a principal fonte de proteína, é possível investir na criação de produtos proteicos de base vegetal.
O estudo “O consumidor brasileiro e o mercado plant-based 2024”, do Good Food Institute, mostrou que, em 2024, os brasileiros já estão abertos para esse tipo de proteína: 26% dos entrevistados consomem carne animal pelo menos uma vez ao mês. Pensando em versões vegetais alternativas ao leite, o número é maior ainda. Atualmente, 48% consomem esse tipo de bebida.
Em relação à dieta, 21% afirmam estar reduzindo, sem eliminar completamente, o consumo de carne - são os chamados flexitarianos. Além disso, 8% consomem apenas pescados e 5% se declaram veganos ou vegetarianos, alimentando-se apenas de produtos sem origem animal. Esse grupo representa uma brecha de inovação, e novos mercados pensados para proteínas oriundas de vegetais se tornam uma aposta de investimento.
Conclusão: é hora de investir em proteína
Com inovação e investimento em produtos proteicos, as cooperativas podem crescer em um mercado promissor e com grande potencial. É preciso atender às demandas dos consumidores, seguindo as tendências de sustentabilidade e alimentação saudável.
Sendo assim, as proteínas devem entrar no radar do cooperativismo e adentrar seus catálogos. Para se atentar a outras tendências e estar na frente do mercado com soluções inovadoras, confira o e-book “Mapear tendências: dicas para planejar o futuro da sua cooperativa”.
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