Desafios e oportunidades de negócios para as cooperativas agropecuárias no segundo semestre de 2026
O segundo semestre de 2026 deve ser marcado por maior incerteza climática e desaceleração do crescimento do agronegócio. A chegada do El Niño, conflitos geopolíticos e o contexto financeiro do Brasil contribuem para um crescimento mais lento.
Ao mesmo tempo, o momento mais favorável para a compra de insumos destinados à nutrição animal no confinamento bovino pode abrir novas oportunidades para as cooperativas.
Cenário do agronegócio brasileiro em 2026
O setor do agro iniciou 2026 em crescimento, impulsionado principalmente pela soja e pelo segmento de carnes, que vivem um momento positivo para os negócios. Mas, com a aproximação do segundo semestre, algumas coisas podem mudar.
Apesar dos bons resultados no início do ano, especialistas projetam perda de ritmo nos próximos meses devido a fatores climáticos, como o El Niño. O fenômeno natural, marcado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, deve voltar com um novo episódio nos próximos meses.
O El Niño costuma impactar a chuva, a temperatura e, consequentemente, o desempenho das lavouras do Brasil.
Dados do PIB e da renda agropecuária em 2026
Enquanto há expectativa de quedas na produção de arroz, feijão, algodão, trigo, milho e carne bovina, é um momento de avanço da soja, junto à recuperação das safras de café e cana.
A recuperação do abate de bovinos deve ocorrer apenas a partir do segundo semestre de 2027. Além disso, uma queda de preços de commodities e alta dos insumos devem limitar a capitalização do produtor no médio prazo.
Com o avanço dos preços do petróleo e dos insumos agrícolas, como fertilizantes, defensivos, combustíveis e sementes, a rentabilidade dos produtores também é outro fator que provavelmente irá sofrer impactos negativos.
Cenários das commodities
Saiba qual o contexto de crescimento ou diminuição no avanço das principais commodities brasileiras.
Soja: o ano começou com o avanço expressivo da produção doméstica brasileira, e previsão de novo recorde em 2027. A China segue como principal importador da soja do Brasil (respondeu por cerca de 79% do total em 2025). A tendência é positiva, pois a produção de biodiesel vem crescendo substancialmente e o óleo de soja é a sua principal matéria-prima.
Milho: os preços do milho seguem sustentados pelos menores estoques globais e um avanço na demanda interna. No Brasil, a projeção após o crescimento da produção na primeira safra é de recuo no segundo semestre.
Trigo: a produção brasileira deve recuar novamente, refletindo a redução da área plantada. Entre os fatores que explicam esse movimento estão a menor rentabilidade da cultura, as limitações do seguro agrícola e o avanço da área destinada à segunda safra de milho. Com isso, o país deve continuar dependente de importações em níveis acima da média histórica, tendo a Argentina como principal fornecedora de trigo.
Leite: a produção brasileira segue em expansão. O cenário pode ser favorecido pelo fortalecimento do real frente ao dólar e pelo aumento do consumo interno, impulsionado por eventos como a Copa do Mundo e as eleições. Entre os riscos para o setor estão possíveis impactos do conflito no Oriente Médio sobre os custos de energia, combustíveis, frete e ração animal.
Café: os preços vêm recuando, acompanhando o otimismo com a oferta global para o ciclo 2026/27. No Brasil, a colheita iniciada em maio avança em ritmo mais acelerado do que no ano anterior, o que tende a manter pressão sobre as cotações no curto prazo. Por outro lado, uma eventual intensificação do conflito no Oriente Médio pode elevar os custos de produção, especialmente com energia, combustíveis e frete.
Cenário internacional é volátil
O cenário econômico internacional vive um momento de instabilidade. Guerras no Oriente Médio e taxas americanas impactam o comércio mundial, o que gera também consequências na economia.
O contexto do segundo semestre é desafiador. Os conflitos geopolíticos pressionam os preços do petróleo e trazem incertezas para as cooperativas. A fragilização do dólar e pressões inflacionárias disseminadas impactam diretamente as economias emergentes.
Tendências e perspectivas para o segundo semestre
Algumas tendências marcam a chegada do segundo semestre de 2026. A primeira delas é uma maior oferta de soja, grãos e subprodutos industriais. É um momento positivo para a safra de soja, que deve atingir níveis recordes e elevar o volume de processamento e de farelo de soja disponíveis no mercado.
Além disso, cresce a produção de etanol de milho no Brasil, chegando a 20 bilhões de litros anuais e aumentando a oferta de subprodutos utilizados na nutrição animal.
Outra tendência observada é o avanço das tecnologias para monitoramento climático, planejamento e controle de custos. Neste momento, cresce o uso de tecnologia para acompanhamento de desempenho das safras.
O aumento dos riscos climáticos também exige um monitoramento reforçado e planejamento criterioso, que pode ser feito com auxílio de ferramentas digitais.
Pontos de atenção para cooperativas do agro
Nesse segundo semestre, será necessário se atentar a algumas características que vão marcar o mercado e podem trazer prejuízos. Serão alguns riscos para o agronegócio:
Estiagens e excesso de chuvas por conta do El Niño
O fenômeno natural tende a trazer problemas distintos em diferentes regiões do país. O El Niño acaba por intensificar as características climáticas regionais, causando redução de chuvas e estiagens em alguns ambientes, enquanto outros poderão sofrer com o excesso de água, solo encharcado e avanço de doenças.
As regiões mais propensas à redução das chuvas serão Norte e Nordeste, além da porção norte do Centro-Oeste e do Sudeste. Tal mudança pode atrapalhar as culturas e trazer risco de perdas. Na Região Sul, o El Niño costuma aumentar os volumes de chuva, dificultando as operações no campo, atrapalhando o manejo e favorecendo o surgimento de doenças.
Choque de custos com produção e transporte
Outro ponto importante para as cooperativas ficarem de olho é o econômico. Será necessário estar atento à organização financeira, pois o aumento nos gastos com a produção e com a logística de transporte podem afetar os negócios.
Práticas como gestão de margem por lote, monitoramento diário dos mercados e uso de tecnologia para acompanhamento de desempenho ajudam a reduzir os riscos e dominar as oscilações, aumentando assim a previsibilidade e segurança financeira.
Contexto financeiro do país mais apertado
O Brasil também vive um momento econômico que pode ser difícil para as cooperativas do agronegócio. Com condições financeiras de mercado mais apertadas, as marcas se veem em um contexto de programas governamentais ao setor reduzidos e incertos.
Financiamento do agronegócio brasileiro
Meios de financiamento se tornam uma medida importante com o passar do ano. Apesar do esfriamento econômico em 2026, o agronegócio recebe o suporte de incentivos federais voltados à renegociação de dívidas e ao estímulo ao consumo.
Crédito rural, inadimplência e endividamento
Após uma queda em 2025, o crédito rural voltou a crescer em 2026, mas ainda enfrenta dificuldades devido aos juros altos, ao aumento dos custos de insumos, como fertilizantes e sementes, e ao maior risco de inadimplência.
Apesar desse cenário, as renegociações pelo programa Desenrola Rural e incentivos para compra de máquinas agrícolas pelo Move Rural ajudam a impulsionar essa recuperação.
Mercado de capitais
Em um momento em que a economia não está tão aquecida, o mercado de capitais surge como uma alternativa para as cooperativas do agronegócio. Ele se torna uma fonte alternativa de financiamento, complementando crédito bancário. Entre as opções, destaca-se a renda fixa.
Setorialmente, o uso do mercado é disseminado, com destaque para o lançamento do Regime Fácil pela Comissão de Valores Mobiliário (CVM) em 2025, que simplifica o acesso de pequenas e médias empresas às emissões de dívida.
Plano Safra
Considerando o período entre julho e abril de cada Plano Safra, o ciclo 2025/26 mantém a tendência de desaceleração observada nos últimos anos, com queda de 18% na comparação anual.
O recuo foi mais intenso nas regiões Nordeste (-26%) e Norte (-24%). O Centro-Oeste registrou retração semelhante à média nacional (-18,1%), enquanto Sul (-14,5%) e Sudeste (-17,3%) apresentaram uma queda menor. Agora, o governo estuda lançar uma linha de crédito para compra de fertilizantes no Plano Safra 2026/27.
Conclusão: um semestre de oportunidades e desafios no campo
O segundo semestre de 2026 deve exigir maior capacidade de adaptação das cooperativas agropecuárias. Fatores climáticos e geopolíticos pedem maior atenção e habilidade de transformação.
Em um cenário de desaceleração econômica e maior risco climático, monitoramento reforçado, gestão eficiente de custos e tecnologias se tornam ainda mais essenciais.
Clique aqui e fique por dentro do panorama econômico que impacta o cooperativismo como um todo!
Inteligência de Mercado
22/06/2026
Mercado Internacional
31/05/2026
Inteligência de Mercado
26/05/2026
Intercooperação
23/05/2026
Mercado Nacional
04/05/2026