Estratégias para cooperativas no mercado internacional parte I: oportunidades na América Latina
A América Latina aparece como um mercado vizinho repleto de potencial para impulsionar o cooperativismo brasileiro no comércio internacional. Com consumidores que buscam sustentabilidade, autenticidade e responsabilidade social, esse modelo tem o necessário para se destacar com competitividade na região.
Com um perfil cada vez mais cauteloso, esses consumidores estão tomando cuidado na hora de decidir como gastar seu dinheiro. A preferência por marcas locais e que se alinhem aos seus valores tem crescido na América Latina.
Essas tendências chamam atenção das organizações que precisam adaptar sua forma de produzir e vender se quiserem conquistar os latinos. O cooperativismo brasileiro já se adequa, porém, a muitas das demandas desse público, e se souber aproveitar o momento, pode deslanchar Brasil afora e se tornar uma referência no continente.
América Latina: perfil dos consumidores
Antes de adentrar em um mercado, é importante entender quais são as preferências e vontades do seu público. Segundo o estudo “The Resilient Latin American Consumer: What 2025 Revealed and What 2026 Will Demand”, do Intersect LATAM PR, o perfil dos consumidores latino-americanos em 2025 foi marcado por um misto de resiliência, forte presença digital e consumo contínuo.
O cenário nem sempre foi positivo para as compras, mas isso não abalou o consumo da região. Apesar das dificuldades econômicas, causadas por inflação, instabilidade política e pós-pandemia, os números surpreenderam ao mostrar que os latinos continuam gastando.
Resiliência é uma palavra-chave para definir o perfil dos consumidores em 2025.
52% das casas na América Latina usaram sete ou mais canais de compra durante o ano.
75% dos brasileiros usam aplicativos de lojas antes de fazer suas compras. Pelo menos uma vez no mês, consumidores consultam de forma online o que pretendem comprar.
3 a cada 10 países que mostraram um aumento na confiança dos consumidores são da América Latina, sendo eles: Argentina, Colômbia e Peru.
Isso significa que os latinos estão comprando, sim, mas com estratégia. O comportamento desses consumidores agora é outro. Antes de decidir como gastar seu dinheiro, eles usam ferramentas e plataformas digitais para entender a melhor forma de gastar, para usar seu dinheiro de forma eficiente e econômica. Por conta dos cenários econômicos voláteis, o cuidado está sendo maior do que nunca.
Gastando, mas com cautela: cuidados com o consumidor latino
Ao mesmo tempo que o consumo está alto, as exigências desse público também estão. É importante se atentar para o fato de que os latino-americanos estão com menos confiança nas marcas, menos paciência para eventuais erros e expectativas cada vez maiores. Qualidade e honestidade são inegociáveis - não há espaço para promessas vazias.
Nos últimos tempos, a adoção de serviços financeiros digitais se intensificou, o crescimento do e-commerce na América Latina permaneceu entre os mais rápidos do mundo e as marcas locais ganharam relevância. Mas o cuidado na hora de comprar continua igualmente grande, graças ao cenário econômico desses países.
A pesquisa mostra que 52% dos consumidores da América Latina estão preocupados com suas finanças, e isso resulta em uma população mais consciente sobre o próprio dinheiro. Aqui surge outro aspecto que está moldando o consumo latino: a incerteza.
A incerteza leva os consumidores a priorizar onde e com que gastar, entendendo que é importante investir no que não causará prejuízo a longo prazo. Tudo isso aponta para um momento favorável, porém cauteloso, para as cooperativas expandirem a exportação nos países vizinhos.
Tendências de consumo na América Latina
Após compreender o comportamento desse público, é importante captar quais tendências estão conquistando os consumidores latino-americanos.
A sustentabilidade se tornou essencial
Não dá mais para tratar pautas ESG como secundárias. Enchentes, queimadas, furacões e outras catástrofes têm se tornado parte da vida de diversas populações na América Latina, e justamente por viver na pele tantos efeitos do aquecimento global, o consumidor latino entende que, para uma marca ganhar sua confiança, ela precisa estar de acordo com práticas verdes e de sustentabilidade.
Os dados já refletem essa mudança, e 28% dos consumidores na América Latina se consideram altamente comprometidos com a sustentabilidade.
A força das marcas locais
Outro movimento que vem ganhando força na região é o consumo de produtos locais. A mesma pesquisa aponta que 60% dos brasileiros, 59% dos colombianos, 54% dos mexicanos e 44% dos chilenos têm a intenção de consumir mais produtos do seu próprio país.
Latinos estão buscando se afastar das redes sociais e passar mais tempo ao lado de suas comunidades, o que fortalece o senso de pertencimento e a valorização local. Pensando que 75% dos consumidores da LATAM preferem investir em marcas locais, é momento de o cooperativismo entender as possibilidades de parcerias e cooperações com outras instituições latinas.
As marcas e a responsabilidade social
A confiança é uma das principais características que ligam os consumidores às marcas. Enquanto 80% dos latinos garantem que confiam nas marcas que usam, apenas 55% confiam nos veículos de mídia e 54% confiam nos governos. Isso mostra um lugar de extrema importância que as organizações possuem no imaginário do público.
Essa confiança, porém, deve ser construída e pode ser facilmente perdida. Para crescer e se consolidar no mercado latino, é preciso provar, com ações e práticas concretas, que a cooperativa trabalha com responsabilidade social e busca o desenvolvimento das comunidades por onde passa.
Consumidores com cautela em relação às promessas
Todo o cenário que permeia a América Latina leva a um momento de preocupação. Os consumidores estão mais cuidadosos na hora de acreditar nas marcas, e estratégias de promessas e falso otimismo podem cair por terra.
A seletividade faz com que os consumidores não busquem apenas palavras, e sim ações. É preciso que as cooperativas mostrem, com dados e práticas, que são dignas da confiança dos latinos.
Grande impacto também do marketing offline
Outra questão importante é a forte credibilidade que propagandas offline ainda têm nos consumidores latinos. Uma pesquisa da YouGov Global Profiles, de julho de 2023, mostra que mais da metade dos entrevistados afirmam prestar atenção em propagandas e anúncios feitos em transporte público.
Além disso, propagandas em aeroporto, eventos, táxis, jornais e revistas também têm uma grande influência sobre esse grupo e devem ser um meio de comunicação das cooperativas que querem crescer na América Latina.
Influencers perdendo credibilidade
As marcas também devem se atentar à tendência de ‘des-influência’ que está impactando o consumo na América Latina em 2025. Após um grande boom dos influencers e seu papel no processo de marketing online, a maioria dos consumidores está deixando de levar em conta as propagandas feitas em redes sociais por criadores de conteúdo.
O levantamento mostra que 77% dos entrevistados preferem uma avaliação de um usuário comum do que a avaliação de um influenciador na hora de decidir fazer ou não uma compra.
Isso não significa que os influencers sairão totalmente do jogo, mas será preciso repensar sua função. Comerciais totalmente otimistas não colam mais, e na hora de escolher o rosto para representar a marca, é importante que as cooperativas optem por influencers que trabalhem em nichos alinhados à marca.
Maiores mercados e parcerias
Alguns dos parceiros comerciais mais importantes do Brasil estão na América Latina. Saiba mais sobre as principais oportunidades:
Argentina e Brasil
A Argentina é o principal parceiro comercial do Brasil dentro da América Latina, e essa troca segue tendo um grande papel para a economia do país. Segundo dados da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), só entre janeiro e março de 2025, as trocas comerciais entre os países chegaram a somar US$ 7,1 bilhões, apontando a parceria como uma das maiores do Mercosul.
Com um saldo positivo para o Brasil, o comércio se destaca pelas vendas no setor automobilístico, em especial com remessas de veículos de passeio, caminhões, autopeças e motores. Outros setores grandes nessa cooperação são o agropecuário e a indústria extrativa.
Brasil e México
O Brasil e o México vêm intensificando sua relação comercial, o que pode favorecer o crescimento econômico em toda a América Latina. As cooperativas podem ficar de olho nos setores automotivo, agroindustrial, tecnologia e serviços digitais, que têm grande demanda e podem ser uma porta de entrada para o país da América do Norte.
Além disso, as cooperativas, exemplo em energias renováveis e ESG, ganham uma boa competitividade no mercado, uma vez que o país está em busca de crescimento verde e projetos sustentáveis.
Acordo Mercosul
O Mercosul (Mercado Comum do Sul) é o principal bloco regional do qual o Brasil faz parte, influenciando em políticas comerciais externas e na negociação de acordos com outras regiões e países.
O tratado, que já facilita o comércio regional graças às tarifas reduzidas e integração industrial dos países, pode ganhar novos alcances com a chegada do acordo UE-Mercosul, com a União Europeia.
Conclusão: caminhos abertos na América Latina
Existe muito potencial de crescimento entre os países da América Latina. Cooperativas brasileiras podem investir em mercados próximos, pois estes representam grandes oportunidades.
Para ficar por dentro e saber como investir na região, cooperativas podem encontrar dados econômicos e oportunidades no Relatório do 6º Encontro dos Adidos Agrícolas 2024!
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