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Cooperativas de telecomunicações: lei abre novo mercado para o cooperativismo
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As cooperativas de telecomunicações passaram a integrar oficialmente o mercado de distribuição desses serviços no começo deste ano, graças às novas regulamentações. A abertura do setor traz oportunidades e caminhos alternativos para esse modelo de negócios. Além disso, ao fazer parte do mercado geral de oferta de internet e telefone, a chegada das cooperativas é um motor na inclusão digital. Para o Ministério das Comunicações, “a alteração na Lei Geral de Telecomunicações vai possibilitar a ampliação da infraestrutura digital e a democratização dos serviços de telecomunicações”. Isso porque as cooperativas devem representar avanços na democratização do acesso à internet no Brasil, uma vez que poderão atuar sobretudo nas localidades onde as ofertas de serviços se mostram insuficientes ou economicamente pouco atrativas para prestadoras tradicionais, a exemplo de áreas urbanas desatendidas, zonas rurais ou regiões remotas, aponta a pasta. Neste artigo, vamos conhecer a legislação que abre o mercado para as cooperativas de telecomunicações e quais são as principais oportunidades que se abrem para o ramo. Boa leitura! O que mudou com a Lei nº 15.324 A Lei nº 15.324/2026, sancionada em 6 de janeiro de 2026, autoriza cooperativas de telecomunicações a prestarem serviços como internet e telefonia, em todo o Brasil. A nova norma altera a Lei Geral de Telecomunicações, permitindo que agora essas entidades integrem o mercado e atuem de forma igualitária com outras operadoras tradicionais. Dessa maneira, as cooperativas passam a ser um dos agentes de telecomunicações que são regulados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Tal órgão, criado em 1997, é uma autarquia federal responsável por normatizar e fiscalizar os serviços de telecomunicações no país. Com a chegada do cooperativismo no segmento, a expectativa é que aumente a concorrência, assim como a cobertura de internet banda larga. Objetivos das cooperativas de telecomunicações A norma alterou a legislação que limitava os serviços de telecomunicações no Brasil. Antes das mudanças, o modelo das grandes operadoras deixava de fora áreas de menor densidade populacional. Essa exclusão leva ao surgimento de desertos digitais, ou seja, regiões em que o acesso à internet de qualidade é limitado ou inexistente. Desse modo, a inclusão das cooperativas no setor atua para expandir a democratização desses serviços. Importâncias das cooperativas de telecomunicações As mudanças regulatórias, portanto, serão essenciais para sanar essa questão. A atuação das cooperativas de telecomunicações no setor pode servir como propagadora da conectividade em comunidades rurais. Segundo Márcio Lopes de Freitas, presidente do Conselho Executivo do Sistema OCB, a entrada do cooperativismo no setor de telecomunicações promove a universalização do acesso aos serviços de telecomunicações em regiões interioranas. “Vivemos em um mundo cada vez mais conectado, onde a internet faz parte de praticamente todas as nossas atividades diárias. Por isso, essa medida é tão importante. Nossas cooperativas de energia já possuem infraestrutura para oferecer esses serviços e poderão ampliar seu alcance para atender ainda mais famílias”, declarou. Regulamentação das cooperativas de telecomunicações Com a Lei nº 15.324, as cooperativas de telecomunicações ficam obrigadas a seguir as normas da Anatel. Ou seja, as regras concorrenciais, os deveres regulatórios e as sanções que são aplicadas às demais prestadoras de serviços também se tornam um dever das cooperativas. A fiscalização dessas cooperativas também é encargo da agência reguladora. A fim de prevenir a concentração econômica e manter as prestadoras sob as normas jurídicas, a Anatel pode impor restrições, limites e condições também para as cooperativas de telecomunicações. Oportunidades para as cooperativas Graças à entrada no mercado, muitas oportunidades surgem também para as cooperativas de telecomunicações. Seguindo as normas da Anatel e crescendo com responsabilidade, será possível se destacar no mercado e usar a abertura para o crescimento desse modelo. A partir da autorização para a operação das cooperativas de telecomunicação, novos cenários se abrem para o setor, tais como: Expansão estruturada: as novas normas e a fiscalização da Anatel permitem que o acesso e crescimento do cooperativismo no setor de internet e telefonia sejam estruturados e cobertos juridicamente com regras, facilitando um avanço de forma organizada. Atendimento em localidades desatendidas ou subatendidas: sabendo da existência dos desertos digitais e dos espaços mal atendidos pelas grandes operadoras, as cooperativas já entram nesse mercado com locais e grupos que necessitam de seus serviços. Ou seja, a falta de acesso de regiões afastadas das capitais aparece como uma grande oportunidade para esse modelo de negócios. A maior proximidade das cooperativas com seus clientes e cooperados também é um benefício nesse sentido. Participação em políticas de universalização e programas de fomento (Fust): ao integrar oficialmente o setor de telecomunicações, as cooperativas podem participar de políticas e programas do governo voltados à ampliação do acesso à internet, como o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust). Essas iniciativas ajudam financeiramente as cooperativas, pois servem para financiar instituições que levam conectividade a mais regiões e públicos. Conclusão A nova legislação traz benefícios para as cooperativas, que entram em um setor repleto de oportunidades e espaços de crescimento e consolidação. Além disso, a norma é positiva para o público, pois aumenta a concorrência no mercado de telecomunicações e promove, com a entrada de novas organizações, uma maior cobertura de serviços e um avanço no acesso à internet no Brasil. As cooperativas de telecomunicações irão ampliar ainda mais a relevância das cooperativas de infraestrutura. Saiba mais sobre a modernização, os desafios regulatórios e os impactos do Ramo na Análise Econômica do NegóciosCoop!
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Com a aproximação das eleições, o ano de 2026 apresenta diversos desafios para as cooperativas. Os juros altos, a inflação diminuindo e o crescimento mundial em ritmo desacelerado marcam um contexto em que é preciso ter cuidado para fazer bons negócios. Tanto na economia interna quanto externa, este ano será repleto de vulnerabilidade. O contexto geopolítico do Brasil e do mundo é instável e, dependendo do rumo das eleições e dos conflitos mundiais, muita coisa pode mudar para investidores e para o mercado. Cautela é a palavra-chave para que as cooperativas possam, mesmo assim, prosperar. Saiba como está o cenário econômico de 2026 e o que esperar dos próximos meses. Juros altos e inflação Neste ano, ao contrário das especulações, os juros devem permanecer altos. “Está bem claro por que estamos com os juros em patamar restritivo e por que entendemos que vamos permanecer”, declarou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. A previsão é de que a Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, se mantenha em torno de 15%, com a possibilidade de redução apenas no segundo semestre de 2026. A posição do Banco Central visa manter a estabilidade da inflação - e a prática já vem mostrando resultados. A inflação está diminuindo e, no final do ano passado, chegou a atingir o índice de 4,46%. O valor está abaixo do teto estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 4,5%, mas ainda segue distante da meta ideal de 3%. Graças à inflação menor, as expectativas do mercado são de que 2026 seja um ano de moderação. Até dezembro, acredita-se que a Selic se manterá em um nível elevado, mas a previsão é de que ela termine o ano abaixo do patamar inicial, com valor próximo de 12,25%, de acordo com o boletim Focus do BC. PIB e contas públicas Quando o assunto é o PIB brasileiro, os juros altos devem inibir um crescimento robusto da economia do país. A projeção do Produto Interno Bruto para 2026 é que avance em torno de 1,8%, valor abaixo dos 2,1% estimados inicialmente. O resultado também é menor quando comparado ao PIB mundial, cujo crescimento esperado para os próximos meses é de 3,1%. Outra grande influência na economia é a fragilidade estrutural no campo fiscal. O déficit primário, que também impacta o mercado e os investimentos brasileiros, deve alcançar R$ 90 bilhões. No final de 2025, a dívida pública já ultrapassou 80% do PIB, mostrando um aumento em comparação aos 71% apresentados no início de 2023. A previsão é de que siga aumentando em 2026, e o resultado das eleições pode determinar o futuro dessa questão. Crescimento mundial segue em passos lentos Um aspecto que também influencia a economia brasileira em 2026 é o crescimento global em ritmo lento, fator que impõe dificuldades à expansão das exportações brasileiras. O cenário internacional se encontra em um momento mais lento e isso tem reflexos no Brasil, uma vez que as cooperativas devem depender mais do mercado doméstico. Os dados já reforçam esse contexto. Em janeiro de 2026, o país apresentou uma queda de 23% no volume de exportações em relação a dezembro de 2025, e uma retração de 2,2% comparada ao mês de janeiro do ano passado. Influência das eleições nos negócios cooperativos Apesar de o ano eleitoral influenciar os preços dos ativos financeiros todos os meses, o tema ganha verdadeiro destaque no segundo semestre de 2026. É nesse momento que o cenário econômico pode mudar drasticamente de acordo com o processo e resultado eleitoral, impactando os negócios cooperativos. Em ano eleitoral, pode-se esperar também um câmbio instável, uma vez que ele costuma ser um dos primeiros canais de transmissão da incerteza política. O dólar costuma variar conforme muda a percepção externa ao cenário político e à gestão econômica futura. A forma como o próximo governo decidir tratar as contas públicas e a questão fiscal pode afetar diretamente a reação do mercado, afetando a volatilidade cambial, os ativos domésticos e o comércio internacional. Impacto das tarifas Se o cenário interno já exige cautela, o tabuleiro internacional em 2026 adiciona uma camada extra de complexidade. A consolidação das políticas tarifárias dos Estados Unidos alterou profundamente o fluxo do comércio global. As cooperativas brasileiras precisam estar atentas a riscos como: Dificuldade de acesso ao mercado americano: cooperativas que exportam produtos manufaturados ou processados diretamente para os EUA enfrentam margens mais apertadas devido ao custo de entrada encarecido pelas tarifas. Triangulação e retaliação: o maior perigo reside no acirramento de uma guerra comercial. Com a China sendo sobretaxada pelos EUA, Pequim tende a redirecionar seu excesso de produção para outros mercados ou reduzir a demanda por insumos, o que afeta o preço das commodities brasileiras. Custo de insumos: como muitas cooperativas dependem de tecnologia e insumos importados, a valorização do dólar encarece a produção nacional, pressionando o caixa. De acordo com análises do Fundo Monetário Internacional (FMI), a previsão é de um PIB global mais fraco em 2026. No Brasil, a volatilidade cambial derivada dessas tensões é o principal fator de risco para o agronegócio em 2026, exigindo que as cooperativas reforcem suas estratégias de proteção cambial. Conclusão: um ano complexo e de grande volatilidade Devido às eleições e ao contexto internacional, pode-se esperar que o ano de 2026 seja marcado por volatilidade, incertezas e crescimento lento para os negócios. Por conta disso, as cooperativas devem estar atentas às mudanças e ao cenário político para saber se adaptar e continuar crescendo, apesar da instabilidade. Para conseguir coletar, interpretar e utilizar dados sobre o mercado, a fim de adquirir conhecimento que ajude nas ações e decisões da cooperativa, o CapacitaCoop disponibiliza o curso “Análise de Mercado: Aprenda a utilizar dados de mercado para propor ações ou tomar decisões em seu ramo de atuação”; confira!
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A gestão do capital social de uma cooperativa é um dos principais pilares da longevidade dos negócios. É com esse conjunto de recursos iniciais que uma cooperativa começa suas operações e vai ganhando força até se estabelecer. Esse investimento não apenas representa um apoio financeiro que os associados dão para a cooperativa, mas também materializa a participação individual na organização coletiva. Entenda sua importância e como essa prática pode fortalecer a cooperativa. O que é capital social? Essencial nas instituições financeiras, o capital social é o montante de recursos que os sócios reúnem para iniciar e manter as operações da organização, assegurando o funcionamento das atividades e o crescimento dos negócios a curto e longo prazo. De forma geral, esse capital pode vir em diferentes formatos. No entanto, é importante destacar que, nas cooperativas de crédito, a integralização dessas quotas-partes é feita exclusivamente por meio de aportes financeiros (dinheiro). Isso garante a formação de uma base financeira com alta liquidez, essencial para a solidez e o cumprimento das regulamentações do setor. Capital social no cooperativismo de crédito No cooperativismo, o capital social também representa a participação dos associados na cooperativa, sendo um investimento que gera retornos para todos os cooperados e para a instituição. Entendendo que todos são donos daquele negócio, o capital social, que chamamos no cooperativismo de quotas-partes, vai representar a parcela de cada membro no quadro geral, garantindo seus direitos iguais na cooperativa. Diferente do dinheiro parado em uma conta comum, o capital social nas cooperativas de crédito costuma ser remunerado anualmente. Essa remuneração, conhecida como Juros ao Capital Social (que pode ser limitada à taxa Selic), faz com que o investimento do associado cresça, gerando um retorno financeiro direto e atrativo. Definição de quotas-partes no cooperativismo Ao entrar em uma cooperativa, você contribui com um ativo inicial que se torna parte do patrimônio líquido nos balanços das cooperativas. O valor investido é a garantia da sua parte na cooperativa e, uma vez que todos investem, o negócio se torna coletivo e pertencente a todos. Os valores investidos, definidos como as quotas-partes, não apenas fortalecem a segurança financeira da organização, como asseguram que o cooperado é um verdadeiro dono do negócio. Aqui, entra um dos maiores diferenciais do modelo: o princípio de 'um membro, um voto'. Não importa se o associado tem uma ou mil quotas-partes, nas assembleias o poder de decisão é igual para todos. Além disso, essa construção patrimonial não acontece apenas na entrada. A capitalização contínua (seja ela mensal ou vinculada ao uso de produtos de crédito) é o que garante o crescimento sustentável da instituição a longo prazo. Importância da gestão do capital social para fortalecer a cooperativa As quotas-partes servem para fortalecer os negócios da cooperativa e sua gestão é essencial para manter a segurança financeira. Entre os principais benefícios dessa prática, destacam-se: Sustentabilidade financeira no início das operações As quotas-partes garantem o dinheiro e a infraestrutura que uma cooperativa precisa para começar as atividades. Até a cooperativa atingir seu ponto de equilíbrio e passar a gerar sobras (que é como chamamos os resultados positivos no cooperativismo, já que a instituição não visa o lucro mercantil), é importante que a cooperativa tenha um valor robusto para seu funcionamento e crescimento. Vale ressaltar que essa importância não é apenas operacional, mas também legal. As cooperativas de crédito devem estar dentro do Índice de Basileia, um indicador internacional de solidez financeira. Ele determina se o valor que entra na cooperativa está com uma proporção segura em comparação ao valor que a instituição está emprestando. Caso essa balança esteja desigual, as cooperativas podem sofrer sanções do Banco Central (BC). Sendo assim, o crescimento do capital social proporcional às operações de crédito é necessário para que as cooperativas de crédito possam crescer de forma saudável, além de obter segurança jurídica e regulatória. Segurança financeira para os cooperados O capital social também garante a segurança financeira para os cooperados. Ao investirem juntos, constrói-se um Patrimônio Líquido robusto, o que transmite estabilidade ao funcionamento das operações. É essa base forte de capital próprio que dá fôlego para a cooperativa operar com segurança e absorver impactos em momentos de oscilação do mercado. Uma cooperativa bem capitalizada, afinal, protege indiretamente as operações de todos os associados, garantindo a continuidade dos negócios mesmo em cenários desafiadores. Investimentos em infraestrutura e necessidades operacionais Para conseguir crescer, uma cooperativa necessita ter uma infraestrutura completa, desde colaboradores preparados até equipamentos e instalações adequados. O capital social tem grande responsabilidade nesse quesito, pois é usado para captar os recursos que uma cooperativa precisa para se consolidar no mercado. Capital social e o associado O capital social também representa o vínculo do associado, exercendo um papel jurídico e de integração do cooperado com a instituição. Ou seja, a quota-parte certifica a união do cooperado, assegurando seu papel na cooperativa. Por conta disso, é dever da instituição estabelecer normas de resgate do capital social, com critérios internos definidos na governança corporativa. De forma coletiva, os associados devem chegar a um acordo de como e quando esse capital social poderá ser devolvido para aqueles que se desligarem da cooperativa. Conclusão: capital social garante o crescimento da marca cooperativa O capital social é um dos pilares mais importantes de uma cooperativa e deve ser estabelecido com princípios e regras para garantir sua efetividade. Quando trabalhado com clareza, ele traz inúmeros benefícios e se consolida como parte essencial dos negócios. Uma boa gestão desses recursos permite que a cooperativa tenha como investir em oportunidades, se proteger de momentos conturbados e crescer com competitividade no mercado. Por conta disso, não basta construir um capital social, mas também se deve saber alocar esses ativos de maneira estratégica e eficiente.
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O planejamento sucessório em uma cooperativa é essencial para determinar o futuro da instituição. É nesse processo que se escolhem e preparam colaboradores para representar os valores e atuar em conformidade com as diretrizes de governança estabelecidas. Esse processo garante que as novas lideranças vão seguir o legado da cooperativa, respeitando seus princípios ao mesmo tempo em que investem no crescimento e na inovação dos negócios. Confira como estruturar um planejamento sucessório e veja casos práticos no cooperativismo. Importância do planejamento sucessório Primeiro, é preciso entender a importância do planejamento sucessório. Não se resume apenas a escolher quem vai ocupar os cargos de lideranças futuras; essa prática é um conjunto de ações focadas em desenvolver talentos alinhados às necessidades da cooperativa para preparar aqueles que ocuparão cargos de gestão. Dessa forma, o planejamento sucessório garante que as promoções não sejam feitas sem preparo prévio. Assim, os cargos estratégicos, tão importantes para assegurar o funcionamento e desenvolvimento dos negócios, são ocupados por profissionais capacitados e prontos para desempenhar funções que impulsionem o crescimento de toda a cooperativa. Como estruturar um planejamento sucessório Para estruturar um planejamento sucessório bem-sucedido, é importante se atentar a alguns passos. Tendo em vista que esse processo trará resultados a longo prazo, deve-se ter atenção e cautela em cada etapa. Estruture um plano de ação e revise constantemente O primeiro e mais importante passo é estruturar o planejamento da cooperativa. É importante estabelecer, de maneira coletiva, o que é esperado das futuras lideranças, quais são as principais características buscadas nos colaboradores para esse cargo e quem serão os responsáveis pelo processo. Com transparência e clareza, todos da cooperativa poderão se preparar e buscar desenvolver o que é requerido para ocupar os cargos futuros. Pensando que o mercado está sempre em mudança e evolução, tal plano deve ser constantemente revisado e, quando necessário, ajustado. As lideranças devem conhecer bem a trajetória da cooperativa, mas também precisam estar preparadas para lidar com os desafios novos e cenários atuais. Identifique líderes em todos os níveis e setores da cooperativa Vale ressaltar que as futuras lideranças nem sempre ocupam, previamente, cargos elevados. Considerando que os postos estratégicos podem mudar a qualquer momento, é essencial identificar, em todas as áreas da cooperativa, pessoas com potencial e preparo para assumir funções de gestão. Procurar líderes em diferentes níveis hierárquicos da organização ajuda a abrir um leque maior de possibilidades e criar carreiras a longo prazo, preparando profissionais desde o começo da atuação até o momento de liderança. Selecione o que é esperado de cada líder Antes de encontrar colaboradores para ocupar posições de alta responsabilidade, é importante determinar o que essa liderança exige. Trabalho em equipe, organização, inteligência emocional e delegação de responsabilidades, por exemplo, são alguns dos atributos que constituem um cargo de liderança. Listar tais necessidades e habilidades ajuda a realizar uma busca com mais precisão, focando nos colaboradores cujas competências já se destacam e podem ser aperfeiçoadas. Passos para desenvolver seus novos líderes Uma vez determinados os novos líderes, por meio do processo de planejamento sucessório, deve-se prepará-los para sua nova função. Essa parte é essencial, pois, apesar de já terem sinergia com o cargo por conta das suas habilidades, esses colaboradores ainda não possuem experiência nesse tipo de posto e, para ocupá-lo, devem ser capacitados. Para isso, vale apostar em: Programas de mentoria e capacitação com lideranças: nada melhor do que aprender com as atuais ou antigas lideranças. Momentos dedicados à formação e coaching com líderes experientes podem ser uma ótima forma de esses colaboradores aprenderem com os erros e acertos de quem já ocupou tais cargos, podendo ser guiados e sanar dúvidas a fim de que cheguem mais preparados ao posto. Capacitações para o desenvolvimento de competências técnicas e de gestão: além de mentorias, fornecer treinamentos e aulas para esses colaboradores é fundamental. Eles devem ter acesso constante a programas que ensinem sobre gestão de pessoas, resolução de conflitos, comunicação e outras aptidões importantes para a liderança. Delegação de responsabilidades e desafios: aprender na prática é tão importante quanto estudar a teoria. No processo de preparo desses profissionais, vale entregar projetos e desafios que vão contribuir para o desenvolvimento das novas lideranças, expondo-os às primeiras situações reais de tomada de decisão. Feedback contínuo: para melhorar, é preciso que as futuras lideranças saibam exatamente onde estão errando e acertando. Apenas assim é possível fazer ajustes na sua forma de trabalhar. Por conta disso, feedbacks e avaliações contínuas são imprescindíveis no planejamento sucessório. Planejamento sucessório na prática Muitas cooperativas já trabalham buscando desenvolver um planejamento sucessório a longo prazo. Conheça casos práticos no cooperativismo: Projeto Juventude Conectada traz capacitação para Sistema Cresol A Cresol, sistema financeiro cooperativo que tem mais de 871 mil cooperados e agências em 19 estados brasileiros, desenvolveu o projeto Juventude Conectada para engajar jovens a participarem da cooperativa e seguirem os negócios de suas famílias. Fundada em 1995 no Paraná, a cooperativa incentiva a gestão familiar dos negócios, proporcionando apoio técnico e atenção contínua para a sucessão das lideranças. A iniciativa Juventude Conectada trabalha com jovens cooperados ou filhos de cooperados, por meio de uma formação on-line que aborda os seguintes temas: cooperativismo, educação financeira e protagonismo. Núcleo Jovem forma novas lideranças para Coplacana A Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana), ao se deparar com a ausência de conexão dos jovens cooperados e dos familiares dos produtores com os negócios, percebeu a necessidade de atrair uma nova geração para a cooperativa. Assim se iniciou o Núcleo Jovem, um projeto que visa envolver os jovens de 16 a 35 anos e preparar a sucessão familiar por meio da capacitação. O objetivo é fornecer formação em diversas áreas, preparando os participantes para cargos internos e outros setores, como administração e direito. A cooperativa ensinou temas que variam desde inteligência emocional até planejamento estratégico, fortalecendo a nova geração de profissionais. Programa Herdeiros do Campo ajuda familiares da coop Cooabriel A cooperativa do Espírito Santo Cooabriel aplicou o Programa Herdeiros do Campo, desenvolvido pelo SENAR-PR, para trabalhar a sucessão nas propriedades rurais de seus associados. O projeto aconteceu em parceria com o sindicato rural local, a Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (FAES) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Espírito Santo (SENAR-ES), responsável por trazer a iniciativa do SENAR paranaense para os cooperados da Cooabriel. Herdeiros do Campo é um programa para explicar às famílias rurais qual a importância da sucessão dentro da propriedade e como planejar essa transmissão para novas lideranças. Comitê Geração C A Cresol faz parte do Comitê Geração C, programa do Sistema Ocergs criado para conectar jovens de 18 a 34 anos ao cooperativismo e impulsionar a sucessão nos negócios gaúchos. O comitê trabalha promovendo capacitações e troca de experiências para os cooperados, impulsionando a formação de novas lideranças e o desenvolvimento sustentável das cooperativas que participam da iniciativa. As cooperativas podem encaminhar associados para o programa, onde irão elaborar diretrizes, propor ações e receber o conhecimento necessário para desenvolver habilidades de liderança. Conclusão: planejar as lideranças para assegurar a longevidade das cooperativas Pensar nas próximas gerações de lideranças é pensar no futuro da cooperativa, desenvolvendo e impulsionando os profissionais que vão cuidar dos negócios e representar os associados a longo prazo. É com uma gestão da sucessão que se assegura um crescimento contínuo dos negócios, investindo hoje nos líderes de amanhã.
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