Blog
Planejamento sucessório e desenvolvimento de novas lideranças na cooperativa
Mercado Nacional
9 min de leitura
Mercado Nacional
Inteligência de Mercado
Mercado Internacional
6 min de leitura
VEJA TODAS AS MATÉRIAS
O planejamento sucessório em uma cooperativa é essencial para determinar o futuro da instituição. É nesse processo que se escolhem e preparam colaboradores para representar os valores e atuar em conformidade com as diretrizes de governança estabelecidas. Esse processo garante que as novas lideranças vão seguir o legado da cooperativa, respeitando seus princípios ao mesmo tempo em que investem no crescimento e na inovação dos negócios. Confira como estruturar um planejamento sucessório e veja casos práticos no cooperativismo. Importância do planejamento sucessório Primeiro, é preciso entender a importância do planejamento sucessório. Não se resume apenas a escolher quem vai ocupar os cargos de lideranças futuras; essa prática é um conjunto de ações focadas em desenvolver talentos alinhados às necessidades da cooperativa para preparar aqueles que ocuparão cargos de gestão. Dessa forma, o planejamento sucessório garante que as promoções não sejam feitas sem preparo prévio. Assim, os cargos estratégicos, tão importantes para assegurar o funcionamento e desenvolvimento dos negócios, são ocupados por profissionais capacitados e prontos para desempenhar funções que impulsionem o crescimento de toda a cooperativa. Como estruturar um planejamento sucessório Para estruturar um planejamento sucessório bem-sucedido, é importante se atentar a alguns passos. Tendo em vista que esse processo trará resultados a longo prazo, deve-se ter atenção e cautela em cada etapa. Estruture um plano de ação e revise constantemente O primeiro e mais importante passo é estruturar o planejamento da cooperativa. É importante estabelecer, de maneira coletiva, o que é esperado das futuras lideranças, quais são as principais características buscadas nos colaboradores para esse cargo e quem serão os responsáveis pelo processo. Com transparência e clareza, todos da cooperativa poderão se preparar e buscar desenvolver o que é requerido para ocupar os cargos futuros. Pensando que o mercado está sempre em mudança e evolução, tal plano deve ser constantemente revisado e, quando necessário, ajustado. As lideranças devem conhecer bem a trajetória da cooperativa, mas também precisam estar preparadas para lidar com os desafios novos e cenários atuais. Identifique líderes em todos os níveis e setores da cooperativa Vale ressaltar que as futuras lideranças nem sempre ocupam, previamente, cargos elevados. Considerando que os postos estratégicos podem mudar a qualquer momento, é essencial identificar, em todas as áreas da cooperativa, pessoas com potencial e preparo para assumir funções de gestão. Procurar líderes em diferentes níveis hierárquicos da organização ajuda a abrir um leque maior de possibilidades e criar carreiras a longo prazo, preparando profissionais desde o começo da atuação até o momento de liderança. Selecione o que é esperado de cada líder Antes de encontrar colaboradores para ocupar posições de alta responsabilidade, é importante determinar o que essa liderança exige. Trabalho em equipe, organização, inteligência emocional e delegação de responsabilidades, por exemplo, são alguns dos atributos que constituem um cargo de liderança. Listar tais necessidades e habilidades ajuda a realizar uma busca com mais precisão, focando nos colaboradores cujas competências já se destacam e podem ser aperfeiçoadas. Passos para desenvolver seus novos líderes Uma vez determinados os novos líderes, por meio do processo de planejamento sucessório, deve-se prepará-los para sua nova função. Essa parte é essencial, pois, apesar de já terem sinergia com o cargo por conta das suas habilidades, esses colaboradores ainda não possuem experiência nesse tipo de posto e, para ocupá-lo, devem ser capacitados. Para isso, vale apostar em: Programas de mentoria e capacitação com lideranças: nada melhor do que aprender com as atuais ou antigas lideranças. Momentos dedicados à formação e coaching com líderes experientes podem ser uma ótima forma de esses colaboradores aprenderem com os erros e acertos de quem já ocupou tais cargos, podendo ser guiados e sanar dúvidas a fim de que cheguem mais preparados ao posto. Capacitações para o desenvolvimento de competências técnicas e de gestão: além de mentorias, fornecer treinamentos e aulas para esses colaboradores é fundamental. Eles devem ter acesso constante a programas que ensinem sobre gestão de pessoas, resolução de conflitos, comunicação e outras aptidões importantes para a liderança. Delegação de responsabilidades e desafios: aprender na prática é tão importante quanto estudar a teoria. No processo de preparo desses profissionais, vale entregar projetos e desafios que vão contribuir para o desenvolvimento das novas lideranças, expondo-os às primeiras situações reais de tomada de decisão. Feedback contínuo: para melhorar, é preciso que as futuras lideranças saibam exatamente onde estão errando e acertando. Apenas assim é possível fazer ajustes na sua forma de trabalhar. Por conta disso, feedbacks e avaliações contínuas são imprescindíveis no planejamento sucessório. Planejamento sucessório na prática Muitas cooperativas já trabalham buscando desenvolver um planejamento sucessório a longo prazo. Conheça casos práticos no cooperativismo: Projeto Juventude Conectada traz capacitação para Sistema Cresol A Cresol, sistema financeiro cooperativo que tem mais de 871 mil cooperados e agências em 19 estados brasileiros, desenvolveu o projeto Juventude Conectada para engajar jovens a participarem da cooperativa e seguirem os negócios de suas famílias. Fundada em 1995 no Paraná, a cooperativa incentiva a gestão familiar dos negócios, proporcionando apoio técnico e atenção contínua para a sucessão das lideranças. A iniciativa Juventude Conectada trabalha com jovens cooperados ou filhos de cooperados, por meio de uma formação on-line que aborda os seguintes temas: cooperativismo, educação financeira e protagonismo. Núcleo Jovem forma novas lideranças para Coplacana A Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana), ao se deparar com a ausência de conexão dos jovens cooperados e dos familiares dos produtores com os negócios, percebeu a necessidade de atrair uma nova geração para a cooperativa. Assim se iniciou o Núcleo Jovem, um projeto que visa envolver os jovens de 16 a 35 anos e preparar a sucessão familiar por meio da capacitação. O objetivo é fornecer formação em diversas áreas, preparando os participantes para cargos internos e outros setores, como administração e direito. A cooperativa ensinou temas que variam desde inteligência emocional até planejamento estratégico, fortalecendo a nova geração de profissionais. Programa Herdeiros do Campo ajuda familiares da coop Cooabriel A cooperativa do Espírito Santo Cooabriel aplicou o Programa Herdeiros do Campo, desenvolvido pelo SENAR-PR, para trabalhar a sucessão nas propriedades rurais de seus associados. O projeto aconteceu em parceria com o sindicato rural local, a Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (FAES) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Espírito Santo (SENAR-ES), responsável por trazer a iniciativa do SENAR paranaense para os cooperados da Cooabriel. Herdeiros do Campo é um programa para explicar às famílias rurais qual a importância da sucessão dentro da propriedade e como planejar essa transmissão para novas lideranças. Comitê Geração C A Cresol faz parte do Comitê Geração C, programa do Sistema Ocergs criado para conectar jovens de 18 a 34 anos ao cooperativismo e impulsionar a sucessão nos negócios gaúchos. O comitê trabalha promovendo capacitações e troca de experiências para os cooperados, impulsionando a formação de novas lideranças e o desenvolvimento sustentável das cooperativas que participam da iniciativa. As cooperativas podem encaminhar associados para o programa, onde irão elaborar diretrizes, propor ações e receber o conhecimento necessário para desenvolver habilidades de liderança. Conclusão: planejar as lideranças para assegurar a longevidade das cooperativas Pensar nas próximas gerações de lideranças é pensar no futuro da cooperativa, desenvolvendo e impulsionando os profissionais que vão cuidar dos negócios e representar os associados a longo prazo. É com uma gestão da sucessão que se assegura um crescimento contínuo dos negócios, investindo hoje nos líderes de amanhã.
11 min de leitura
Encontro do Eleva reuniu profissionais de todo o país para dois dias de capacitação O Sistema OCB promoveu, durante dois dias (31/03 e 01/04), mais uma capacitação do Eleva, desta vez voltada às equipes de negócios das Organizações Estaduais (OCEs). ,com o objetivo de aprofundar metodologias, fortalecer o atendimento às cooperativas e ampliar sua inserção em mercados nacionais e internacionais. A capacitação foi estruturada em dois dias complementares. No primeiro dia (31), dedicado ao eixo Mercado Nacional, a programação começou com a participação da gerente geral da OCB, Clara Maffia, e do gerente geral do Sescoop, Ivan Mafra, que destacaram o papel estratégico do programa na geração de resultados concretos para o cooperativismo. “O cooperativismo tem um impacto social muito relevante, mas, antes de tudo, é um modelo econômico. Nosso desafio é ajudar as cooperativas a se desenvolverem nesse campo para transformar realidades e gerar resultados de forma mais rápida”, afirmou Clara. Ela ressaltou que o trabalho vai além da preparação interna. “A gente começa com diagnóstico, organiza, estrutura, fortalece a gestão e o marketing. Mas isso não basta. É preciso apoiar a inserção no mercado e abrir caminhos para novas oportunidades comerciais”, completou. Ivan, por sua vez, reforçou a importância da qualificação e do uso de ferramentas estratégicas para ampliar o alcance das cooperativas. “É mais do que simplesmente colocar para vender. Existe um processo de formação, orientação e capacitação para que a cooperativa esteja, de fato, pronta para acessar o mercado”, declarou. Resultados mostram evolução e desafios Na sequência, a gerente de Desenvolvimento de Cooperativas, Débora Ingrisano, apresentou os resultados do programa e resgatou sua trajetória. Ao abordar a mudança de mentalidade ao longo dos anos, ela chamou atenção para a necessidade de equilibrar conformidade e resultado. “Em determinado momento, surgiu uma pergunta que marcou esse processo: ‘que hora a gente vai falar de ganhar dinheiro?’. Isso mostra o quanto foi necessário trazer o olhar para o resultado econômico, sem perder a essência do cooperativismo”, descreveu. Os dados apresentados evidenciam o avanço da iniciativa. Entre 2023 e 2025, o programa realizou mais de 300 diagnósticos de negócio e alcançou cooperativas em 26 estados, com evolução nos indicadores de gestão e desempenho. Em algumas amostras, o crescimento médio de faturamento chegou a 35%, além do aumento no número de clientes e contratos — 65% das cooperativas conquistaram novas oportunidades comerciais. Ao mesmo tempo, o diagnóstico revelou desafios estruturais importantes: a maioria ainda não possui estratégia de comunicação, planejamento atualizado ou presença digital consolidada, o que reforça a importância das consultorias e soluções voltadas à organização interna e ao acesso a mercado. Para ilustrar soluções viáveis, na sequência, o painel Da estratégia à prática trouxe cases de sucesso e experiências das OCEs. À tarde, o foco se voltou à qualificação da gestão. O debate sobre Indicadores que geram valor abordou como medir e comunicar resultados de forma estratégica, seguido por discussões sobre governança, gestão e o suporte oferecido pelo programa. O dia foi encerrado com o painel Horizontes de crescimento, que apresentou novos segmentos e possibilidades de atuação para as cooperativas. Promoção comercial Já no segundo dia (1º), o olhar se ampliou para a promoção comercial nacional e internacional. A programação destacou a importância estratégica da inserção em mercados e o papel do Sistema OCB nesse processo, com apresentações sobre a atuação em eventos de negócios, feiras e rodadas comerciais. A trajetória da promoção comercial no Sistema OCB reflete uma evolução estratégica que acompanha as demandas do mercado e o amadurecimento das cooperativas. Conforme destacou a coordenadora de negócios, Pamella Lima, o foco inicial esteve concentrado no fortalecimento interno das cooperativas. Hoje o trabalho se direciona para ampliar de forma consistente a presença das cooperativas em mercados nacionais e internacionais. “O grande desafio das cooperativas não está apenas na capacidade de produzir, mas principalmente em acessar mercados e capturar valor de forma estruturada”, ressaltou Pamella. O trabalho realizado pelo Sistema OCB nas feiras já apresenta resultados expressivos, com a geração de milhões em expectativas de negócios, milhares de contatos qualificados com tomadores de decisões e a participação crescente de cooperativas nas ações de promoção comercial. Segundo o analista de negócios, Jean Fernandes, a atuação do Sistema OCB garante organização, planejamento, estratégia e alinhamento institucional em todas as etapas. “A governança de inscrição e seleção das cooperativas nas feiras nacionais é conduzida pelo Sistema OCB, garantindo critérios claros e estratégicos. Além disso, os estandes conseguem conciliar de forma harmônica a comunicação institucional do Sistema OCB e SomosCoop com a comunicação comercial das cooperativas, potencializando tanto a imagem quanto a geração de negócios”, destacou. A programação abordou temas essenciais para o fortalecimento da atuação comercial e, a necessidade de organização interna das cooperativas para acessar oportunidades de forma competitiva. Valeska Ciré, Head de Portfólio da Francal Feiras, destacou a relevância do posicionamento em feiras, trazendo insights sobre a percepção dos visitantes e sugestões para potencializar resultados. Pedro Piá, da ApexBrasil, apresentou o potencial das rodadas de matchmaking promovidas pela agência. Já Maurício Manfré, da Ultramares, trouxe como as cooperativas podem se preparar de forma estratégica para aproveitar as oportunidades. Ao longo do dia, também foram discutidas tendências como o avanço do mercado digital e o comportamento de novos consumidores. Durante a capacitação, o Time de Negócios apresentou a evolução do MarketCoop desde o início do projeto até a estruturação do Programa NegóciosCoop voltado ao Mercado Digital, destacando a linha do tempo até o lançamento oficial em dezembro de 2025. Foram apresentados os avanços na plataforma, com mais de 200 melhorias implementadas, e o papel do diagnóstico de maturidade digital, que já contou com a participação de 30 cooperativas, estruturando a jornada de entrada e desenvolvimento no mercado digital. A apresentação também reforçou que o MarketCoop vai além da tecnologia, ao integrar capacitações, suporte operacional e fortalecimento da presença digital das cooperativas. Foram destacados os resultados em formação e engajamento, além da evolução do Instagram como canal estratégico de visibilidade. Nesse contexto, o MarketCoop foi posicionado como uma solução que conecta desenvolvimento e acesso a mercado, ampliando a competitividade das cooperativas no ambiente digital.
9 min de leitura
O ano de 2026 apresenta muitas oportunidades de negócios para as cooperativas de crédito, mas também impõe desafios que precisam ser compreendidos e enfrentados pelo setor para que o Ramo continue crescendo e ganhando protagonismo perante o Sistema Financeiro Nacional. Tania Zanella, presidente-executiva do Sistema OCB, aponta que 2026 será um ano de priorização e escolhas estratégicas para o cooperativismo por conta das eleições. Ela reforça que o cooperativismo precisará trabalhar o fortalecimento da governança, a agenda de financiamento e a adaptação do setor a um cenário socioeconômico em transformação. Além disso, as cooperativas de crédito precisam lidar com juros altos, inadimplência, dificuldades no setor agropecuário e a busca pelo protagonismo na vida do cooperado. Enquanto isso, o próprio Ramo passa por transformações setoriais que influenciam as estratégias de negócios para o ano. 5 desafios e tendências para os negócios no cooperativismo de crédito em 2026 Neste artigo, reunimos cinco temas, tendências e desafios que impactarão os negócios das cooperativas de crédito no decorrer de 2026. Boa leitura! 1. A alta nas recuperações judiciais no agronegócio O ano passado foi marcado por um grande crescimento nas recuperações judiciais do agronegócio. De acordo com a Serasa Experian, o agronegócio brasileiro registrou 1.990 solicitações de RJ. Trata-se, portanto, do maior número registrado desde o início da série histórica. Esse valor representa um crescimento de 56,4% em relação a 2024. Os produtores rurais que atuam como pessoa física registraram 853 pedidos; já os agricultores e pecuaristas que operam como pessoa jurídica registraram 753 pedidos de recuperação judicial em 2025. Por fim, as empresas com atuação relacionada ao agronegócio registraram 384 acionamentos do instrumento no ano. Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian explica que “o ambiente de crédito mais restritivo, combinado à manutenção de custos elevados de produção e a uma alavancagem elevada, continuou impactando o fluxo de caixa das operações rurais”. Esse cenário pode pressionar as carteiras de crédito das cooperativas com alta participação no segmento rural no decorrer de 2026. Prevenção e repercussão Para enfrentar esse desafio, as cooperativas devem observar os dados a fim de realizar a concessão de crédito de forma inteligente. De acordo com a Serasa Experian, produtores que entraram em recuperação tinham pontuação inferior à média por três anos antes do pedido. Além disso, uma decisão do STJ pode impactar a dinâmica das cooperativas perante esse cenário. A corte firmou entendimento no sentido de que créditos oriundos de atos cooperativos não se submetem aos efeitos da recuperação judicial. Essas dívidas passam a ser, portanto, extraconcursais. 2. Tecnologia e dados na análise de crédito Os dados ocupam um papel cada vez mais importante na análise e concessão de crédito. As cooperativas financeiras devem adotar os recursos tecnológicos que aumentam a profundidade dessa análise a fim de construir carteiras de crédito mais saudáveis e robustas. Em um cenário de juros altos, no qual a taxa Selic se mantém a 14,75% ao ano sem previsão de novos cortes pelo Banco Central até o final de 2026, o crédito fica mais caro. O país passa por um crescimento constante na inadimplência desde 2016. Há dez anos, 59 milhões de brasileiros estavam inadimplentes; agora, esse número chega a 81,7 milhões. A alta só foi atenuada no período da pandemia devido às políticas de renegociação. Neste intervalo, o valor total das dívidas também disparou 54,9% em valores com a inflação já descontada. Para manter as cooperativas robustas e saudáveis, é preciso aproveitar as novas ferramentas de análise de dados. Esse fator pode fazer uma grande diferença para a solidez dos negócios. Diante disso, os dados da Serasa Experian trazem uma boa notícia: as cooperativas são líderes em recuperação de crédito. Números referentes a outubro de 2025 revelam que, nas cooperativas de crédito, a taxa de recuperação é de 70%, a maior em comparação a todos os outros setores analisados. Os bancos, por exemplo, registram 61,8%. 3. Expansão da rede presencial - na contramão dos bancos tradicionais Por um lado, os bancos tradicionais fecham agências e reduzem a rede de atendimento presencial perante um discurso de digitalização e otimização de custos. Estatísticas do Banco Central indicam que o país perdeu 37% das agências bancárias em dez anos. Em contrapartida, as cooperativas aceleram a inauguração de novos postos de atendimento e ampliam a presença em cidades do interior, apostando em uma estratégia de negócios calcada na proximidade. Dados do BC mostram que o setor de cooperativas de crédito apresentou um aumento de 56,09% na quantidade de postos entre 2019 e 2024. A estratégia tem dado resultados positivos: o Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC) tem crescido em uma velocidade superior à média do Sistema Financeiro Nacional. Além disso, as cooperativas cumprem um importante papel social ao promover a inclusão financeira a comunidades desassistidas pelo sistema bancário tradicional. O AnuárioCoop 2025 aponta que em 469 municípios brasileiros, as cooperativas representam a única instituição financeira com atendimento presencial. Essa aceleração na abertura de novos postos e a expansão até mesmo deu origem a um chamado “Clube dos 100” - cooperativas singulares que somam mais de cem postos de atendimento. Apostar na ampliação da rede de atendimento presencial, no entanto, não significa abrir mão do atendimento digital eficiente. O caminho é proporcionar uma experiência que mescle o presencial e o digital, de forma a atender diferentes perfis de cooperados. 4. Alta nas fusões e incorporações As estatísticas do AnuárioCoop 2025 apresentam uma realidade curiosa: por um lado, o número de cooperados das cooperativas de crédito cresce continuamente com o decorrer dos anos. Por outro, a quantidade total de cooperativas singulares recua. Esse movimento indica uma crescente nos processos de fusão e incorporação no Ramo. Fusão: ocorre quando duas ou mais cooperativas se unem em uma nova instituição que agrupa cooperados e capitais das cooperativas originais. Incorporação: se dá quando uma determinada cooperativa incorporadora absorve outra, incorporada, que deixa de existir. Os associados e ativos da segunda são assumidos pela primeira. Processos de fusão e incorporação são estratégias que as cooperativas de crédito encontraram para otimizar a eficiência operacional, enxugar gastos, ganhar escala, aumentar a oferta de produtos e melhorar a saúde financeira. Fusões e incorporações seguem ocorrendo em 2026 Trata-se, portanto, de uma decisão de negócios complexa, mas enxergada por muitas cooperativas como uma forma de potencializar os resultados em 2026, tendo em vista que processos de fusão e incorporação seguem acontecendo neste ano: O Sicredi Ouro Verde MT/PA nasceu com 220 associados a partir da fusão entre a Sicredi Norte PA e a Sicredi Ouro Verde MT. A Cresol Transformação oficializou unificação com a Cresol Alternativa e passou a reunir mais de 34 mil cooperados em Santa Catarina e Minas Gerais. A Cresol Pioneira concluiu a transformação da Credi Aliança, ampliando sua atuação no norte do Paraná. 5. A busca pela principalidade na vida do cooperado Um dos grandes desafios das cooperativas é se tornar a instituição financeira primária de seus associados. Para isso, o Ramo vive um momento de ênfase na diversificação de serviços e, consequentemente, fonte de receitas, para além das tradicionais operações de crédito. Nesse sentido, cada cooperativa precisa entender o perfil dos seus cooperados a fim de proporcionar os serviços financeiros adequados e, com isso, ganhar a principalidade na sua vida financeira. Alguns dos serviços oferecidos para ampliar o portfólio das cooperativas de crédito são consórcios, adquirência, seguros, previdência complementar e investimentos. Algumas iniciativas já estão conseguindo ganhar espaço nesses mercados. O Sistema Sicoob, por exemplo, ganhou força como adquirente por meio do Sipag 2.0, projeto premiado internacionalmente. A iniciativa aproxima a cooperativa de seus cooperados PJ. A Unicred, que atende a um segmento de renda mais alta, quer se tornar a plataforma de investimento de seus cooperados com a corretora ZIIN. Já no mercado de consórcios, o destaque fica com o Sistema Sicoob, que opera por meio de uma administradora própria com carteira de R$ 50 milhões ao final de 2024. A agenda institucional do cooperativismo de crédito em 2026 O Sistema OCB divulgou sua agenda institucional para o ano, revelando as prioridades estratégicas do setor cooperativista e sua atuação junto aos três poderes. A agenda do Ramo Crédito consiste em: Destaques Agenda propositiva com o Banco Central: foco na busca por melhorias regulatórias, segurança jurídica e adequação das normas prudenciais às especificidades do modelo. O objetivo é garantir um ambiente estável que sustente o crescimento das cooperativas, fortalecendo a governança e ampliando seu impacto direto no desenvolvimento regional e na interiorização do crédito no Brasil. Fundos constitucionais: superar os obstáculos no repasse de recursos ao cooperativismo de crédito para corrigir a atual concentração de financiamentos em municípios já desenvolvidos. O objetivo é garantir que o fomento alcance localidades remotas e de pequeno porte, desassistidas por grandes bancos, aumentando a eficácia e a democratização da distribuição desses fundos. Outros temas Campanhas promocionais: ações promocionais das cooperativas impulsionam a conscientização financeira e a adesão a serviços por meio de incentivos atrativos, exigindo, contudo, rigorosa conformidade regulatória para garantir a transparência e a proteção do consumidor. Garantia da participação em processos licitatórios: assegurar a inclusão isonômica das cooperativas de crédito nas licitações do INSS para o pagamento de benefícios é fundamental para ampliar a capilaridade do atendimento, fortalecer a concorrência e valorizar o modelo cooperativista nas políticas públicas federais. Conclusão O ano de 2026 representa um período de maturação e decisões estratégicas para o cooperativismo de crédito no Brasil. Diante de um cenário macroeconômico desafiador, marcado por juros elevados, pressão no agronegócio e altos índices de inadimplência, o setor busca seguir uma trajetória de crescimento com solidez financeira.
14 min de leitura
Por meio do cooperativismo, professores, pais e alunos conseguem construir instituições de ensino focadas em educação de qualidade, empreendedorismo coletivo e trabalho democrático. São as chamadas cooperativas educacionais, nas quais a união promove melhores condições de trabalho e de aprendizagem. As cooperativas educacionais buscam fomentar a formação de indivíduos com autonomia, mente empreendedora e princípios cooperativos. Conheça exemplos e entenda como esse modelo funciona na prática. Como funcionam as cooperativas educacionais? O cooperativismo educacional constitui um segmento estratégico do cooperativismo brasileiro, dedicado à oferta de ensino de qualidade aliado ao empreendedorismo coletivo e democrático. Sua natureza societária singular garante que o cooperado participe dos processos deliberativos e da construção das estratégias institucionais nas assembleias, assegurando transparência, corresponsabilidade e alinhamento às necessidades do quadro social. Nos aspectos regulatórios, as cooperativas educacionais são principalmente regidas tanto pela Constituição Federal, pela LDB 9394/96 (no caso das cooperativas que são mantenedoras de instituições de ensino), quanto pela Lei 5.764/71 e Lei 12690/12, que estabelecem e dispõem, respectivamente, a Política Nacional de Cooperativismo e organização e funcionamento das cooperativas de trabalho na forma de lei. Tipos de cooperativas educacionais e seus benefícios para alunos, pais e professores Há três segmentos de cooperativas educacionais. Suas características e particularidades dependem de quem forma o quadro social, podendo ser os professores, os pais ou integrar os próprios alunos em um ambiente cooperativista. 1. Cooperativas Educacionais Formadas por Professores – Ramo Trabalho, Produção de Bens e Serviços São alternativas de inserção qualificada no mercado formal de trabalho docente, promovendo melhor remuneração, autonomia profissional, valorização da prática pedagógica e distribuição de renda entre seus associados. Atuando na oferta de serviços educacionais, essas cooperativas estruturam, principalmente, soluções em: ensino de idiomas; consultoria especializada ao setor educacional; cursos preparatórios para o Enem e atividades para o contraturno; ensino superior; ensino formal dedicado à educação básica em escolas particulares. Com forte caráter empreendedor, buscam construir modelos sustentáveis e competitivos frente aos desafios contemporâneos do setor educacional. 2. Cooperativas Formadas por Pais e Responsáveis – Ramo Consumo Têm como finalidade manter e gerir instituições de ensino privadas, assegurando um ambiente escolar adequado para seus filhos ou prepostos, com reinvestimento integral dos recursos na própria instituição. Cada estudante é vinculado a um cooperado, responsável pela contribuição proporcional às despesas definidas coletivamente. A atuação pedagógica é realizada por equipes contratadas, preservando a função dos cooperados como mantenedores, e garantindo que o ensino seja implementado por profissionais habilitados e em conformidade com todas as determinações regulatórias em nível federal, estadual e municipal. 3. Cooperativas Formadas por Alunos de Escolas Técnicas (ETECs) – Ramo Agropecuário Instituídas como instrumentos metodológicos e de governança destas entidades formadoras, esse modelo permite aos estudantes vivenciar todas as etapas da atividade produtiva, desde a elaboração até a comercialização do excedente da produção com foco no retorno para manutenção da própria instituição de ensino. Os alunos gerenciam as atividades com apoio de professores e da comunidade escolar. A experiência gera competências técnicas, empreendedoras e cooperativistas, além de apoiar projetos pedagógicos. Cooperativas educacionais na prática Cooperativas educacionais já existem no Brasil e se consolidam como um modelo eficiente para o desenvolvimento de alunos e professores. Nelas, os estudantes participam de todas as etapas da atividade produtiva, ganhando práticas e vivências que ajudam na sua formação técnica e profissional. Além dessa iniciativa, algumas cooperativas educacionais já se destacam no mercado brasileiro por sua capacidade de oferecer uma aprendizagem de alta qualidade. Confira exemplos: Favoo Coop: uma faculdade que promove a intercooperação A Favoo é uma faculdade cooperativa localizada em Vilhena, no estado de Rondônia, que conta com projetos de intercooperação com a Sicoob Credisul e a Unimed Vilhena. Nesse cenário, a Favoo coloca o universitário como protagonista do processo de aprendizagem. Nela, os estudantes integram o conselho administrativo e fiscal da faculdade. Seu maior diferencial, portanto, está na gestão que, por meio da união dos alunos, foca na coletividade. As sobras obtidas são investidas em melhorias da própria organização e na capacitação do corpo docente e discente. Cooperconcordia: do fundamental ao profissionalizante Outro exemplo é a Cooperconcordia, cooperativa de trabalho formada por professores e instrutores especialistas em desenvolvimento humano e profissional. A cooperativa trabalha com as seguintes frentes: Colégio Concórdia, Aprendiz Cooperativo, Aprendiz 10, Capacita e Cooperativas Escolares. Seus serviços incluem desde a Educação Infantil até a capacitação profissional, abrangendo diferentes etapas educacionais e cursos. Coeducar: cooperativa educacional em Araraquara Constituída em 4 de março de 1993 por 301 cooperados, a Coeducar é uma cooperativa de ensino em Araraquara (SP) que trabalha com alunos da educação infantil até o ensino médio. Sua missão é “instituir e aplicar uma filosofia educacional que busque a renovação permanente e voltada para o desenvolvimento de uma consciência social, participativa, cooperativista, crítica e empreendedora”. Assim sendo, a meta dos associados é trabalhar na educação de crianças e adolescentes pensando no papel transformador que estes podem ocupar no futuro. Educação cooperativa incentiva o desenvolvimento cooperativo nos alunos Além de focar no protagonismo dos estudantes e dos professores no processo de aprendizagem, as cooperativas educacionais também se destacam por promover formação cooperativista para os alunos, moldando jovens para pensar e trabalhar com coletividade e autonomia. As grades são construídas para impulsionar um pensamento empreendedor, sem perder de vista os princípios e pilares cooperativos. Os alunos ganham um forte senso de comunidade e habilidades de trabalho em equipe. Jogar+aprender: uma iniciativa do Sistema OCB Mais um projeto que busca difundir os princípios cooperativos é o Jogar+Aprender, iniciativa do Sistema OCB para atingir o público infantojuvenil de forma digital, lúdica e acessível. O Jogar+Aprender foi criado para propagar o cooperativismo entre crianças e jovens com recursos pedagógicos, como games, cursos e vídeos. Pais e professores também podem ter acesso a materiais didáticos sobre educação cooperativista, cuidados no uso da internet, gestão do tempo de tela, bem-estar emocional, entre outros tópicos importantes na criação. Conclusão: cooperativismo democratiza e amplia a aprendizagem Impulsionar uma sociedade cooperativista começa na educação, formando profissionais e alunos que estudam e vivenciam uma gestão coletiva desde os primeiros anos de escola. Por meio do modelo de negócios cooperativo, pais, alunos e professores se tornam protagonistas do processo educativo, focando na qualidade do trabalho e do ensino. A união desses agentes fortalece a aprendizagem e apresenta impactos que vão além das salas de aula.
9 min de leitura