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Saúde financeira do cooperado: o papel da cooperativa na educação financeira
A falta de saúde financeira é um problema que atinge milhares de brasileiros. Dados de julho de 2025 do Serasa apontam que cerca de 77,1 milhões de pessoas e 7,1 milhões de empresas acumulam dívidas. Essa questão atinge não apenas o bolso dos brasileiros endividados, mas também prejudica as instituições financeiras.
Existem muitas causas que levam a essa situação, como diminuição da renda mensal, enfermidades ou desemprego. Entre os diversos motivos, a falta de educação financeira é um dos principais. E é aqui que as cooperativas podem atuar para mudar essa realidade.
Organizações financeiras podem ajudar a tirar algumas pessoas do vermelho. Afinal, elas podem atuar como agentes que propagam instrução e orientação financeira para que seus clientes possam se organizar. Saiba o papel do cooperativismo nesse desafio e entenda a importância desse modelo de negócio para a saúde financeira dos brasileiros.
Educação financeira: o que significa e por que é importante
Essencial para evitar endividamentos, a educação financeira é um termo que se refere à capacidade de entender e organizar suas finanças com responsabilidade e consciência. Não significa apenas economizar dinheiro, mas sim ter compreensão do quanto, como e por que está gastando.
A educação financeira é o processo de adquirir conhecimentos e desenvolver as habilidades necessárias para tomar decisões informadas e adequadas sobre o uso e a gestão do dinheiro. No cooperativismo, as cooperativas de crédito podem tomar para si a responsabilidade de promover essa instrução para seus associados.
Benefícios para as pessoas e para os negócios
A educação financeira traz diversos benefícios tanto para os associados quanto para as cooperativas. Quando bem informados e capacitados, os cooperados conseguem ter mais controle sobre suas finanças, proporcionando:
- Menores chances de endividamento.
- Menos ansiedade financeira e melhor qualidade de vida.
- Organização para concretizar objetivos profissionais e pessoais.
- Controle de recursos e reserva de emergência.
- Mais autonomia e liberdade para gastar.
Ela também é positiva para as cooperativas ao reduzir a inadimplência e criar oportunidades, uma vez que associados financeiramente organizados gerenciam melhor seu crédito e usam mais serviços bancários.
Dessa maneira, investir em educação financeira é investir no crescimento da própria cooperativa. Ter cooperados mais seguros, que sabem gerir bem o seu crédito e têm conhecimento acerca das próprias finanças é uma maneira de impulsionar os negócios.
Papel das cooperativas na educação financeira
Um dos princípios do cooperativismo é impulsionar a “educação, formação e informação” de seus associados. Nesse contexto, as cooperativas promovem a educação e a formação para que seus membros e trabalhadores possam contribuir para o desenvolvimento dos negócios e, consequentemente, dos lugares onde estão presentes.
Portanto, é dever dessas instituições orientarem seus cooperados, viabilizarem a capacitação e fornecerem informação de qualidade para uma vida financeira mais saudável. Pelo contato próximo com seus associados, as cooperativas podem se tornar uma referência na jornada de educação financeira.
Educação financeira na prática
Um exemplo de cooperativa de crédito que atua nessa formação é a Sicredi Integração Mato Grosso, Amapá e Pará. Com objetivo de levar conhecimento, liberdade e independência para seus associados, a cooperativa criou o Programa Cooperação na Ponta do Lápis, em que promove palestras e conteúdos que ajudam na construção de hábitos financeiros sustentáveis.
“Esse conteúdo é organizado a partir de cinco etapas que são: conscientizar, observar, organizar, preparar e sustentar. Eles são aplicados por meio da psicologia econômica e ciências comportamentais, que propiciam uma melhor compreensão dos hábitos em relação às finanças”, registra a cooperativa.
O resultado foi positivo e, no ano de 2023, mais de 80 mil pessoas, dos 33 municípios dentro da área de atuação da cooperativa, foram impactadas por iniciativas de educação financeira.
Como promover educação financeira para seus cooperados
Apesar de essencial, promover conhecimento para os associados não é uma tarefa fácil. Afinal, dados da 17ª edição da pesquisa Observatório Febraban (Federação Brasileira de Bancos) apontam que a maioria dos brasileiros (55%) confessa entender pouco (40%) ou nada (15%) de educação financeira.
Construir conhecimento em uma sociedade ainda distante dessas informações pode ser desafiador, mas algumas práticas das cooperativas podem auxiliar seus cooperados a ter maior habilidade para gerir finanças pessoais. São elas:
1. Criar programas educativos
Um primeiro passo para essa capacitação é criar programas educacionais para os associados. Existem diferentes formatos que podem ser usados, como cursos, workshops, e-books e conteúdos online. A variação possibilita que cada cooperado consuma as informações do seu jeito e no seu tempo.
É importante que os programas abranjam temas variados e cubram diferentes aspectos da vida financeira, como orçamento familiar, aposentadoria, cartão de crédito, dívidas e investimentos.
As temáticas diversas ajudam a conquistar públicos distintos, desde pessoas mais jovens que estão começando sua vida financeira até pessoas idosas, empreendedoras e mais experientes.
2. Disponibilizar sites e aplicativos para controle financeiro
Além dos programas, a cooperativa deve disponibilizar ferramentas digitais que facilitem o dia a dia dos cooperados e ajudem no processo de organização financeira.
Assim, a cooperativa pode criar aplicativos que monitorem gastos, sites para controle de dívidas, cofrinhos, plataformas de metas financeiras, de investimento e rentabilidades, entre outros.
As soluções inovadoras podem ser grandes aliadas quando usadas para facilitar o processo de gestão do dinheiro, deixando a educação financeira mais acessível e fácil.
3. Oferecer serviços de consultoria
Materiais e programas educacionais são essenciais, mas os cooperados também precisam de um suporte real para controlar suas finanças. Esse papel é de responsabilidade das cooperativas, que devem promover consultorias personalizadas e individuais para cada caso.
Ter um profissional preparado para orientar a investir, pagar as dívidas e organizar os ganhos é fundamental para a saúde financeira dos cooperados, que com ajuda não se sentem desamparados e podem tomar decisões mais precisas e saudáveis.
4. Investir em marketing e campanhas de conscientização
Redes sociais, sites, e-mails e televisão são alguns dos veículos que as cooperativas podem usar para se conectar com seu público e divulgar informações relevantes para instrução financeira não apenas de seus cooperados, mas da população em geral.
Campanhas para aumentar a conscientização divulgam o nome da marca de maneira positiva, atingem diversos públicos, atraem novos associados e aumentam a educação financeira no país.
Conclusão: a importância da educação financeira
É dever das cooperativas investir em produtos e serviços que propiciam uma vida financeira mais saudável para seus cooperados. Afinal, a educação financeira cria uma corrente de conscientização que beneficia os associados e a instituição, paralelamente.
Desenvolver programas, aplicativos e campanhas que difundem informações relevantes sobre como cuidar das economias é, portanto, um dever do cooperativismo de crédito com seus associados e com a comunidade.
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