A agricultura familiar é responsável por grande parte da produção de alimentos e do desenvolvimento econômico em áreas rurais do Brasil. Apesar de ser extremamente importante para o setor agropecuário brasileiro, ainda existem várias barreiras que prejudicam a agricultura familiar no mercado.

A falta de escala, as dificuldades logísticas e os entraves burocráticos são alguns empecilhos que comprometem pequenos empreendedores e negócios familiares. Para crescer e contornar essas situações, o cooperativismo se torna uma alternativa que fortalece esses empreendimentos graças à união dos produtores.

Cooperativas de agricultores têm mais facilidade de negociar, vender e comprar de forma igualitária a outras instituições do setor. Confira os benefícios desse modelo e entenda como a agricultura familiar ganha força com o cooperativismo. Boa leitura!

O que é agricultura familiar

A agricultura familiar é aquela que se baseia no trabalho de pequenos agricultores e famílias rurais. Para serem consideradas nesse grupo, as famílias devem se enquadrar nas condições definidas pela Lei nº 11.326, de julho de 2006.

A Lei da Agricultura Familiar, como foi apelidada, define práticas de agricultura familiar aquelas que estão de acordo com os seguintes requisitos:

  • As famílias não podem ter mais do que quatro módulos fiscais de terra, sendo esta uma unidade de medida em hectares, que varia para cada município.
  • A mão de obra da própria família deve ser o principal meio de produção do empreendimento.
  • A família não pode ter mais do que o percentual mínimo da renda familiar originada pelo empreendimento, na forma definida pelo Poder Executivo.
  • Os agricultores e sua família devem ser os próprios dirigentes do estabelecimento ou empreendimento.

Importância da agricultura familiar

Esse modelo de produção é essencial para o desenvolvimento econômico e social da economia brasileira, e cerca de 77% dos estabelecimentos de agronegócio do país são de agricultura familiar, como mostram os dados do Censo Agropecuário de 2017, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento também mostra que 23% do valor gerado pelo agro brasileiro é de responsabilidade desses produtores, o que justifica a relevância desse modelo tanto para o mercado quanto para a sociedade, pois a agricultura familiar garante boa parte do abastecimento de alimentos no Brasil.

A agricultura de pequenos produtores rurais também é de extrema importância para a criação de oportunidades, gerando empregos em regiões rurais e afastadas das metrópoles, e para movimentar o comércio em pequenas comunidades.

Dificuldades de pequenos agricultores para fazer negócios

Por serem empreendimentos de menor porte, algumas dificuldades atingem o mercado da agricultura familiar. A maioria desses agricultores carece de grandes recursos, infraestrutura e mão de obra para competir de frente com os outros players do mercado. Entre as principais limitações, algumas se destacam:

Dificuldade de acesso ao crédito

Talvez o principal desafio que os agricultores familiares enfrentam é a falta de acesso ao crédito. Enquanto grandes instituições do agronegócio possuem alta presença nas carteiras de crédito, apenas 15% dos agricultores familiares obtêm crédito, segundo análise do Climate Policy Initiative/Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (CPI/PUC-Rio) com base nos dados do Censo Agropecuário 2017 (IBGE).

Com a falta de financiamento adequado, os produtores têm limitações para modernizar suas práticas e melhorar a produtividade.

Burocracia e as exigências legais

Outro grande entrave para os pequenos produtores são as exigências legais e processos burocráticos, como a emissão de notas fiscais eletrônicas (NFe).

A falta de acesso à tecnologia e recursos necessários para cumprir tais obrigações pode se tornar um obstáculo para pequenos produtores, que carecem muitas vezes de assistência técnica ou até mesmo de internet.

Falta de infraestrutura nas áreas rurais

As áreas rurais, principalmente as mais afastadas e de responsabilidade de pequenos agricultores, podem muitas vezes sofrer com a falta de infraestrutura necessária para o trabalho e locomoção.

Graças a estradas precárias e falta de transporte adequado, essas regiões acabam ficando isoladas, o que dificulta os negócios, diminui sua competitividade no mercado e, consequentemente, prejudica a sua renda.

Falta de assistência técnica e orientação especializada

Outro gargalo desse setor é a falta de orientação técnica. Com informações precisas, os empreendimentos de agricultura familiar podem aprimorar seus processos, com um cultivo mais sustentável e produtivo.

Muitas vezes, porém, essas famílias carecem de profissionais e capacitação, ficando de fora de grandes discussões que poderiam melhorar seu trabalho.

Mudanças climáticas

O aquecimento global e seus efeitos já se tornou um problema crítico no mundo todo, com consequências em diversos setores e na agropecuária não seria diferente. A desigualdade, porém, faz com que esses efeitos sejam ainda mais fortes para agricultores familiares.

Com o risco de perderem colheitas ou terras, esses negócios, que dependem completamente das plantações para sobreviverem, veem ameaçada a sua maior fonte de sustento.

Ajuda governamental para agricultores familiares

Visando diminuir a desigualdade e fortalecer esse modelo de agricultura tão crucial para o país, o governo conta com algumas iniciativas que fortalecem o desenvolvimento sustentável desses empreendimentos.

Os principais são o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA):

  • O PNAE determina que parte dos alimentos comprados pelo governo para a alimentação dentro de escolas públicas devem ser provenientes de agricultores familiares, ajudando a gerar renda aos produtores e oferecendo alimentos de qualidade aos alunos.
  • O PAA estabelece que os alimentos comprados pelo poder público para instituições que promovem a segurança alimentar devem vir de agricultores familiares, o que incentiva a produção sustentável desses empreendimentos e garante a qualidade da comida oferecida à população.

Como as cooperativas podem ajudar a agricultura familiar

De diversas maneiras, o cooperativismo ajuda os pequenos produtores a adentrarem no mercado. Graças à união dos empreendimentos, esse modelo adequa as produções para o consumidor, aproxima os produtores dos clientes e fortalece as marcas.

Alguns benefícios do cooperativismo na agricultura familiar são:

Escala para vendas maiores

Vender por meio de cooperativas permite que os agricultores familiares tenham mais produtos e, consequentemente, melhor poder de negociação.

As cooperativas chegam de forma mais sólida ao mercado, e a escala garante que esses pequenos agricultores possam competir com grandes instituições do setor.

Facilidade para adquirir produtos mais baratos

Quando os agricultores familiares se juntam para formar uma cooperativa, esses empreendimentos ganham uma escala maior que facilita sua comercialização. Ou seja, ao invés de comprar insumos, produtos e equipamentos em pequena quantidade, se reúnem para conseguir melhores preços e condições.

As exigências do mercado, seja de certificação, sustentabilidade, rastreabilidade ou jurídicas, ficam também mais fáceis de serem cumpridas, uma vez que as cooperativas conseguem mais acesso a tecnologias e orientação especializada. Tudo isso resulta em uma margem maior nos resultados, pois os gastos diminuem de maneira significativa.

Acesso à melhor infraestrutura e equipamentos

Ao vender e comprar com mais facilidade, a margem de ganhos permite que esses empreendimentos consigam investir mais em infraestrutura e equipamentos. É possível comprar em conjunto, o que garante maior acesso a tecnologias e ferramentas que, de forma individual, as famílias provavelmente não conseguiriam.

Além disso, fica mais fácil conseguir investimentos e linhas de crédito, já que as cooperativas têm mais robustez para negociar com as instituições financeiras. Tudo isso aumenta a eficiência dos produtores e sua competitividade.

Sustentabilidade e responsabilidade social

Junto a todos os benefícios que o cooperativismo traz para os negócios, esse modelo carrega um espírito de comunidade que fortalece os cooperados, gerando inclusão social, apoio e fortalecimento dos produtores rurais.

As cooperativas também trabalham com forte responsabilidade ambiental e crescimento sustentável. Práticas de agricultura regenerativa e cuidados com o meio ambiente já fazem parte do ramo cooperativo de agropecuária.

Conclusão: cooperativismo impulsiona agricultura familiar

Graças ao modelo cooperativista, pequenos agricultores podem se juntar e conquistar mais espaço no mercado. As cooperativas de agricultores familiares se tornam um caminho para o crescimento desses negócios e fortalecem um ramo essencial para a economia brasileira.

Para compreender mais a fundo a relação entre cooperativismo e agricultura familiar, e conhecer as modalidades de compras governamentais abertas para as cooperativas agropecuárias, confira o curso digital Agricultura Familiar nas Compras Públicas, uma iniciativa da plataforma de ensino à distância CapacitaCoop.