Segmentar para crescer: a estratégia de sucesso da Coop Drogaria
Cooperativa de consumo separou o varejo alimentar e as farmácias em duas unidades autônomas para crescer com sustentabilidade e competitividade
Sobre o case
Nome da Cooperativa: Coop - Cooperativa de Consumo
Ramo: Consumo
Produto ou serviço: Varejo
Localização: Sudeste
Breve histórico: Fundada em 1954 no ABC paulista, a Coop é hoje a maior cooperativa de consumo da América Latina, presente em dez cidades com 34 unidades de varejo alimentar e 69 drogarias. A cooperativa também conta com um Empório na cidade de Santo André, pequenas lojas dentro de condomínios e um canal de e-commerce.
Resumo: A cooperativa de consumo Coop vem conquistando crescimento por meio da segmentação e da especialização de seus negócios. Ao separar, em 2019, os ramos de supermercado e farmácia em duas unidades distintas, a Coop conseguiu dar um foco mais especializado ao setor farma e, desde então, vem crescendo expressivamente com drogarias de rua. Em 2025, foram quatro inaugurações e uma projeção de aumento de 9,5% no faturamento em mesmas lojas do setor farma.
Contexto
O que nasceu como um entre muitos setores do supermercado se transformou em unidade de negócios autônoma e tem prosperado com projeção de crescimento de 9,5% em 2025. Eis, resumidamente, a história da Coop Drogaria, parte da cooperativa de consumo Coop, que tem investido na segmentação estratégica de seu negócio para se destacar em um mercado altamente competitivo.
A separação entre a Coop Supermercado e a Coop Drogaria, feita em 2019, tinha como objetivo dar uma identidade de marca mais clara para as duas frentes de atuação e permitir uma gestão mais direcionada às particularidades de cada mercado. É justamente este foco especializado que tem ajudado a divisão farma a registrar um crescimento expressivo, num ambiente em que a maioria dos concorrentes não é cooperativa.
Hoje, a Coop opera 69 drogarias, sendo 34 delas dentro de seus supermercados e 35 lojas de rua. Só em 2025 foram inauguradas quatro destas lojas e, para 2026, a previsão é de abrir mais sete farmácias independentes.
Desafios
De acordo com Luiz Gustavo Maldi Ramos, head do negócio de Drogarias da Coop, o primeiro desafio enfrentado na segmentação foi criar uma identidade de marca clara para as drogarias, já que os clientes conheciam a Coop como uma marca de supermercados. Foi realizado um trabalho de branding específico para reformular a identidade visual das unidades.
A marca institucional da Coop manteve as cores vermelha, azul e branca, enquanto a marca Coop Supermercado trocou o vermelho por laranja, cor que remete a um ambiente caloroso, e a Coop Drogaria adotou o verde, ligado à saúde e ao bem-estar.
Encontrar bons pontos comerciais para as farmácias de rua também provou-se mais desafiador do que o esperado. Em primeiro lugar, uma loja agregada ao supermercado já se encontra dentro de um polo gerador de fluxo e não precisa se preocupar tanto em atrair clientes. Em uma loja de rua, por outro lado, essa é uma preocupação fundamental.
“Nem sempre uma avenida movimentada é um bom ponto para uma drogaria. Você precisa entender quais características a avenida deve ter, inclusive o sentido do fluxo dos carros. Se é um fluxo de volta para casa, as pessoas ficam mais propensas a parar para comprar medicamentos”, explica Luiz Gustavo Ramos.
Ele admite que, no início, a cooperativa deu alguns passos em falso por desconhecer essas peculiaridades, mas, com o tempo e a experiência, o processo foi se aprimorando. Ramos destaca ainda diferenças gerenciais importantes entre os dois braços de negócio, principalmente em relação aos custos.
Enquanto a loja interna compartilha uma série de serviços com o supermercado, por exemplo, segurança, limpeza e estacionamento, a loja de rua tem que gerir sozinha todas as suas despesas. “Como a loja interna se beneficia do fluxo do supermercado, o faturamento consegue diluir melhor o custo fixo”, detalha Ramos.
Soluções
Além das mudanças na identidade de marca, das diferenças na gestão de custos e dos desafios na distribuição dos pontos de venda, a Coop Drogaria também teve que lidar com novas necessidades em seu mix de produtos.
As drogarias internas aos supermercados não contam com um portfólio amplo de produtos de higiene e beleza, afinal, estes itens estão disponíveis dentro do próprio supermercado. Por outro lado, uma loja de rua precisa oferecer um sortimento muito mais amplo de cosméticos e produtos de consumo, como creme dental, shampoo ou papel higiênico.
Isso exige espaços físicos maiores em comparação com as lojas internas, e não é só o portfólio de produtos que muda, mas também a relação com fornecedores, segundo Luiz Gustavo Maldi Ramos. Se antes este relacionamento era mantido pelo mesmo comprador que atendia ao restante do supermercado, agora havia uma equipe dedicada só às compras da drogaria.
“À medida que nos tornamos um negócio apartado, os fornecedores começaram a nos reconhecer como tal e a destinar equipes especializadas no canal para nos atender”, afirma o executivo. “Isso nos deu armas diferentes. Passamos a ter embalagens específicas para o segmento farma, condições comerciais específicas, áreas que investem na propaganda médica específicas para este ramo etc. Como resultado, conseguimos oferecer condições diferenciadas para nossos clientes”.
Desenvolvimento
A primeira drogaria de rua da marca Coop foi inaugurada em 2013. Antes disso, os supermercados já contavam com drogarias internas, mas elas eram percebidas simplesmente como um departamento dos supermercados Coop, assim como a padaria ou o açougue que ficam dentro da loja. Em termos de gestão, a farmácia respondia ao supermercado e era vista como uma parte do negócio mais amplo.
Com base em um estudo de branding realizado em 2019, junto à consultoria Interbrand, a cooperativa identificou a necessidade de desmembrar suas duas linhas de atuação e dar uma identidade própria a cada uma delas. O modelo se mostrou viável e a Coop passou a expandir o negócio apostando principalmente nas drogarias de rua, uma vez que as lojas internas já eram uma premissa básica na inauguração de novos supermercados.
Com a criação de uma diretoria exclusiva para o negócio farma, um plano estratégico separado e um orçamento específico, o crescimento deslanchou.
“Queremos continuar crescendo como negócio e sabemos que este crescimento vai se dar de forma mais rápida nas lojas de rua, pela facilidade de encontrar pontos de venda e montar o negócio”, afirma Ramos, fazendo uma comparação com os grandes e complexos espaços necessários para um novo supermercado.
Hoje, 60% do faturamento da Coop Drogaria vem de lojas internas, que ainda têm rendimento melhor devido ao fluxo do supermercado, enquanto 40% da entrada vem das lojas de rua.
Resultados
A Coop Drogaria deve fechar o ano de 2025 com faturamento de R$ 600 milhões, um crescimento de 9,5% em mesmas lojas na comparação com 2024. Foram inauguradas quatro novas unidades ao longo do ano e, para 2026, a projeção aponta para a abertura de outros sete pontos de venda.
Segundo Luiz Gustavo Ramos, o grande aprendizado obtido com a experiência foi a importância de se pensar e tratar o negócio como especialista, o que só se tornou possível após a segmentação.
“Essa foi a grande virada de chave para a Coop. Foi uma decisão estratégica para que o negócio continuasse pungente, crescendo e acompanhando as tendências”, avalia o executivo.
“Quando você pensa como especialista, consegue competir com outros especialistas e começa a se destacar. Quanto mais você investe em treinamento e quanto mais específico se torna, melhor é o desempenho e a possibilidade de escalar o negócio de forma sustentável”, completa ele.
Aprendizados
Pensar o negócio como especialista traz vantagens competitivas e permite crescer de forma mais rápida e sustentável.
A segmentação foi bem-sucedida por ter sido completa, incluindo identidade de marca, planejamento, orçamento e liderança.
Ao segregar as unidades, é importante observar e ajustar fatores como mix de produtos, composição dos custos e até relação com fornecedores.