Mercado Nacional
Panorama econômico 2026: o que as cooperativas podem esperar da economia e dos negócios no ano
Com a aproximação das eleições, o ano de 2026 apresenta diversos desafios para as cooperativas. Os juros altos, a inflação diminuindo e o crescimento mundial em ritmo desacelerado marcam um contexto em que é preciso ter cuidado para fazer bons negócios.
Tanto na economia interna quanto externa, este ano será repleto de vulnerabilidade. O contexto geopolítico do Brasil e do mundo é instável e, dependendo do rumo das eleições e dos conflitos mundiais, muita coisa pode mudar para investidores e para o mercado.
Cautela é a palavra-chave para que as cooperativas possam, mesmo assim, prosperar. Saiba como está o cenário econômico de 2026 e o que esperar dos próximos meses.
Juros altos e inflação
Neste ano, ao contrário das especulações, os juros devem permanecer altos. “Está bem claro por que estamos com os juros em patamar restritivo e por que entendemos que vamos permanecer”, declarou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
A previsão é de que a Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, se mantenha em torno de 15%, com a possibilidade de redução apenas no segundo semestre de 2026. A posição do Banco Central visa manter a estabilidade da inflação – e a prática já vem mostrando resultados.
A inflação está diminuindo e, no final do ano passado, chegou a atingir o índice de 4,46%. O valor está abaixo do teto estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 4,5%, mas ainda segue distante da meta ideal de 3%.
Graças à inflação menor, as expectativas do mercado são de que 2026 seja um ano de moderação. Até dezembro, acredita-se que a Selic se manterá em um nível elevado, mas a previsão é de que ela termine o ano abaixo do patamar inicial, com valor próximo de 12,25%, de acordo com o boletim Focus do BC.
PIB e contas públicas
Quando o assunto é o PIB brasileiro, os juros altos devem inibir um crescimento robusto da economia do país. A projeção do Produto Interno Bruto para 2026 é que avance em torno de 1,8%, valor abaixo dos 2,1% estimados inicialmente. O resultado também é menor quando comparado ao PIB mundial, cujo crescimento esperado para os próximos meses é de 3,1%.
Outra grande influência na economia é a fragilidade estrutural no campo fiscal. O déficit primário, que também impacta o mercado e os investimentos brasileiros, deve alcançar R$ 90 bilhões.
No final de 2025, a dívida pública já ultrapassou 80% do PIB, mostrando um aumento em comparação aos 71% apresentados no início de 2023. A previsão é de que siga aumentando em 2026, e o resultado das eleições pode determinar o futuro dessa questão.
Crescimento mundial segue em passos lentos
Um aspecto que também influencia a economia brasileira em 2026 é o crescimento global em ritmo lento, fator que impõe dificuldades à expansão das exportações brasileiras. O cenário internacional se encontra em um momento mais lento e isso tem reflexos no Brasil, uma vez que as cooperativas devem depender mais do mercado doméstico.
Os dados já reforçam esse contexto. Em janeiro de 2026, o país apresentou uma queda de 23% no volume de exportações em relação a dezembro de 2025, e uma retração de 2,2% comparada ao mês de janeiro do ano passado.
Influência das eleições nos negócios cooperativos
Apesar de o ano eleitoral influenciar os preços dos ativos financeiros todos os meses, o tema ganha verdadeiro destaque no segundo semestre de 2026. É nesse momento que o cenário econômico pode mudar drasticamente de acordo com o processo e resultado eleitoral, impactando os negócios cooperativos.
Em ano eleitoral, pode-se esperar também um câmbio instável, uma vez que ele costuma ser um dos primeiros canais de transmissão da incerteza política. O dólar costuma variar conforme muda a percepção externa ao cenário político e à gestão econômica futura.
A forma como o próximo governo decidir tratar as contas públicas e a questão fiscal pode afetar diretamente a reação do mercado, afetando a volatilidade cambial, os ativos domésticos e o comércio internacional.
Impacto das tarifas
Se o cenário interno já exige cautela, o tabuleiro internacional em 2026 adiciona uma camada extra de complexidade. A consolidação das políticas tarifárias dos Estados Unidos alterou profundamente o fluxo do comércio global.
As cooperativas brasileiras precisam estar atentas a riscos como:
- Dificuldade de acesso ao mercado americano: cooperativas que exportam produtos manufaturados ou processados diretamente para os EUA enfrentam margens mais apertadas devido ao custo de entrada encarecido pelas tarifas.
- Triangulação e retaliação: o maior perigo reside no acirramento de uma guerra comercial. Com a China sendo sobretaxada pelos EUA, Pequim tende a redirecionar seu excesso de produção para outros mercados ou reduzir a demanda por insumos, o que afeta o preço das commodities brasileiras.
- Custo de insumos: como muitas cooperativas dependem de tecnologia e insumos importados, a valorização do dólar encarece a produção nacional, pressionando o caixa.
De acordo com análises do Fundo Monetário Internacional (FMI), a previsão é de um PIB global mais fraco em 2026. No Brasil, a volatilidade cambial derivada dessas tensões é o principal fator de risco para o agronegócio em 2026, exigindo que as cooperativas reforcem suas estratégias de proteção cambial.
Conclusão: um ano complexo e de grande volatilidade
Devido às eleições e ao contexto internacional, pode-se esperar que o ano de 2026 seja marcado por volatilidade, incertezas e crescimento lento para os negócios. Por conta disso, as cooperativas devem estar atentas às mudanças e ao cenário político para saber se adaptar e continuar crescendo, apesar da instabilidade.
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