Inteligência de Mercado
Cooperativas educacionais: um modelo de negócios em que pais, alunos e professores são os protagonistas
Por meio do cooperativismo, professores, pais e alunos conseguem construir instituições de ensino focadas em educação de qualidade, empreendedorismo coletivo e trabalho democrático. São as chamadas cooperativas educacionais, nas quais a união promove melhores condições de trabalho e de aprendizagem.
As cooperativas educacionais buscam fomentar a formação de indivíduos com autonomia, mente empreendedora e princípios cooperativos. Conheça exemplos e entenda como esse modelo funciona na prática.
Como funcionam as cooperativas educacionais?
O cooperativismo educacional constitui um segmento estratégico do cooperativismo brasileiro, dedicado à oferta de ensino de qualidade aliado ao empreendedorismo coletivo e democrático. Sua natureza societária singular garante que o cooperado participe dos processos deliberativos e da construção das estratégias institucionais nas assembleias, assegurando transparência, corresponsabilidade e alinhamento às necessidades do quadro social.
Nos aspectos regulatórios, as cooperativas educacionais são principalmente regidas tanto pela Constituição Federal, pela LDB 9394/96 (no caso das cooperativas que são mantenedoras de instituições de ensino), quanto pela Lei 5.764/71 e Lei 12690/12, que estabelecem e dispõem, respectivamente, a Política Nacional de Cooperativismo e organização e funcionamento das cooperativas de trabalho na forma de lei.
Tipos de cooperativas educacionais e seus benefícios para alunos, pais e professores
Há três segmentos de cooperativas educacionais. Suas características e particularidades dependem de quem forma o quadro social, podendo ser os professores, os pais ou integrar os próprios alunos em um ambiente cooperativista.
1. Cooperativas Educacionais Formadas por Professores – Ramo Trabalho, Produção de Bens e Serviços
São alternativas de inserção qualificada no mercado formal de trabalho docente, promovendo melhor remuneração, autonomia profissional, valorização da prática pedagógica e distribuição de renda entre seus associados. Atuando na oferta de serviços educacionais, essas cooperativas estruturam, principalmente, soluções em:
- ensino de idiomas;
- consultoria especializada ao setor educacional;
- cursos preparatórios para o Enem e atividades para o contraturno;
- ensino superior;
- ensino formal dedicado à educação básica em escolas particulares.
Com forte caráter empreendedor, buscam construir modelos sustentáveis e competitivos frente aos desafios contemporâneos do setor educacional.
2. Cooperativas Formadas por Pais e Responsáveis – Ramo Consumo
Têm como finalidade manter e gerir instituições de ensino privadas, assegurando um ambiente escolar adequado para seus filhos ou prepostos, com reinvestimento integral dos recursos na própria instituição. Cada estudante é vinculado a um cooperado, responsável pela contribuição proporcional às despesas definidas coletivamente.
A atuação pedagógica é realizada por equipes contratadas, preservando a função dos cooperados como mantenedores, e garantindo que o ensino seja implementado por profissionais habilitados e em conformidade com todas as determinações regulatórias em nível federal, estadual e municipal.
3. Cooperativas Formadas por Alunos de Escolas Técnicas (ETECs) – Ramo Agropecuário
Instituídas como instrumentos metodológicos e de governança destas entidades formadoras, esse modelo permite aos estudantes vivenciar todas as etapas da atividade produtiva, desde a elaboração até a comercialização do excedente da produção com foco no retorno para manutenção da própria instituição de ensino. Os alunos gerenciam as atividades com apoio de professores e da comunidade escolar.
A experiência gera competências técnicas, empreendedoras e cooperativistas, além de apoiar projetos pedagógicos.
Cooperativas educacionais na prática
Cooperativas educacionais já existem no Brasil e se consolidam como um modelo eficiente para o desenvolvimento de alunos e professores. Nelas, os estudantes participam de todas as etapas da atividade produtiva, ganhando práticas e vivências que ajudam na sua formação técnica e profissional. Além dessa iniciativa, algumas cooperativas educacionais já se destacam no mercado brasileiro por sua capacidade de oferecer uma aprendizagem de alta qualidade. Confira exemplos:
Favoo Coop: uma faculdade que promove a intercooperação
A Favoo é uma faculdade cooperativa localizada em Vilhena, no estado de Rondônia, que conta com projetos de intercooperação com a Sicoob Credisul e a Unimed Vilhena. Nesse cenário, a Favoo coloca o universitário como protagonista do processo de aprendizagem. Nela, os estudantes integram o conselho administrativo e fiscal da faculdade.
Seu maior diferencial, portanto, está na gestão que, por meio da união dos alunos, foca na coletividade. As sobras obtidas são investidas em melhorias da própria organização e na capacitação do corpo docente e discente.
Cooperconcordia: do fundamental ao profissionalizante
Outro exemplo é a Cooperconcordia, cooperativa de trabalho formada por professores e instrutores especialistas em desenvolvimento humano e profissional.
A cooperativa trabalha com as seguintes frentes: Colégio Concórdia, Aprendiz Cooperativo, Aprendiz 10, Capacita e Cooperativas Escolares. Seus serviços incluem desde a Educação Infantil até a capacitação profissional, abrangendo diferentes etapas educacionais e cursos.
Coeducar: cooperativa educacional em Araraquara
Constituída em 4 de março de 1993 por 301 cooperados, a Coeducar é uma cooperativa de ensino em Araraquara (SP) que trabalha com alunos da educação infantil até o ensino médio.
Sua missão é “instituir e aplicar uma filosofia educacional que busque a renovação permanente e voltada para o desenvolvimento de uma consciência social, participativa, cooperativista, crítica e empreendedora”. Assim sendo, a meta dos associados é trabalhar na educação de crianças e adolescentes pensando no papel transformador que estes podem ocupar no futuro.
Educação cooperativa incentiva o desenvolvimento cooperativo nos alunos
Além de focar no protagonismo dos estudantes e dos professores no processo de aprendizagem, as cooperativas educacionais também se destacam por promover formação cooperativista para os alunos, moldando jovens para pensar e trabalhar com coletividade e autonomia.
As grades são construídas para impulsionar um pensamento empreendedor, sem perder de vista os princípios e pilares cooperativos. Os alunos ganham um forte senso de comunidade e habilidades de trabalho em equipe.
Jogar+aprender: uma iniciativa do Sistema OCB
Mais um projeto que busca difundir os princípios cooperativos é o Jogar+Aprender, iniciativa do Sistema OCB para atingir o público infantojuvenil de forma digital, lúdica e acessível.
O Jogar+Aprender foi criado para propagar o cooperativismo entre crianças e jovens com recursos pedagógicos, como games, cursos e vídeos. Pais e professores também podem ter acesso a materiais didáticos sobre educação cooperativista, cuidados no uso da internet, gestão do tempo de tela, bem-estar emocional, entre outros tópicos importantes na criação.
Conclusão: cooperativismo democratiza e amplia a aprendizagem
Impulsionar uma sociedade cooperativista começa na educação, formando profissionais e alunos que estudam e vivenciam uma gestão coletiva desde os primeiros anos de escola.
Por meio do modelo de negócios cooperativo, pais, alunos e professores se tornam protagonistas do processo educativo, focando na qualidade do trabalho e do ensino. A união desses agentes fortalece a aprendizagem e apresenta impactos que vão além das salas de aula.